O Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (20), a ampliação da recompra de títulos públicos de longo prazo, em uma decisão que provocou queda nas taxas dos Treasuries. O limite das operações com papéis de dez a 30 anos será dobrado de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.
A mudança entra em vigor em setembro e, segundo o Tesouro americano, tem como objetivo aumentar a liquidez do mercado.
Após o anúncio, o Treasury de 30 anos, que havia superado 5,30% e alcançado seu maior nível desde 2007, recuou para perto de 5,20%.
Por que a recompra de títulos derrubou as taxas?
Ao ampliar as operações, o Tesouro reduz temporariamente a quantidade de determinados papéis disponíveis no mercado.
A decisão trouxe alívio à parte longa da curva americana, que vinha enfrentando pressão com o avanço dos rendimentos dos Treasuries.
A recompra de títulos, no entanto, também aumentou a cautela entre investidores.
Parte do mercado interpreta a medida como um sinal de preocupação do governo americano com o nível dos juros e com o aumento do custo de financiamento da economia.
A medida resolve a pressão sobre os Treasuries?
O Tesouro afirma que a iniciativa busca melhorar a liquidez. Parte dos investidores, porém, considera a ação um paliativo.
Isso ocorre porque as recompras podem reduzir temporariamente a oferta de papéis, mas não eliminam fatores que pressionam a curva de juros.
Entre eles estão os déficits elevados e as preocupações relacionadas à trajetória das contas públicas americanas.
Como os demais mercados reagiram?
Depois do anúncio da recompra de títulos, o dólar perdeu força globalmente, enquanto o ouro avançou.
O movimento refletiu a cautela dos investidores diante da combinação entre juros elevados, situação fiscal dos Estados Unidos e tentativa do Tesouro de melhorar as condições de liquidez do mercado.
A atenção permanece concentrada principalmente na parte longa da curva americana, onde os custos de financiamento do governo vinham alcançando patamares elevados.
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