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ECONOMIA

Recuperação judicial cresce 65,8% com crédito mais restrito

O número de empresas em recuperação judicial no Brasil aumentou 65,8% entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período de 2026, em um ambiente marcado por juros elevados, maior inadimplência e restrições à concessão de crédito.

Segundo os dados da RGF, o total ultrapassou 6 mil empresas. A Selic está em 14% ao ano, enquanto as taxas de capital de giro com recursos livres estavam em 23% em junho.

No primeiro semestre, o volume de crédito concedido às empresas recuou 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ao mesmo tempo, a inadimplência das pessoas jurídicas chegou a 4%, levando instituições financeiras a aumentar a cautela nas novas concessões.

Inadimplência também avança entre consumidores

No crédito com recursos livres, a taxa de atrasos das pessoas físicas chegou a 7,6% em junho, maior nível da série apresentada nas laudas. Entre as empresas, o indicador atingiu 4%, maior patamar desde 2018.

O cenário combina juros elevados, endividamento das famílias e empresas com níveis elevados de alavancagem.

A piora dos indicadores já provoca mudanças na atuação dos bancos, que passaram a priorizar operações com garantias e reduzir a exposição a modalidades consideradas mais arriscadas.

No Banco do Brasil, a inadimplência na carteira de cartões passou de 7,12% em março para 14,58% em junho, levando a instituição a interromper a política de parcelamento automático das faturas.

Agro lidera aumento da recuperação judicial

O agronegócio aparece como principal responsável pelo avanço recente da recuperação judicial no país.

O número de empresas do setor em recuperação cresceu 66% nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2026, chegando a 1.265.

Segundo o estudo, 26 de cada mil empresas do agronegócio utilizam atualmente o mecanismo.

Transporte e logística aparecem em seguida, com crescimento de 24%, enquanto o comércio registrou avanço de 22%.

No agronegócio, o cenário combina juros elevados, restrição de crédito, queda nos preços internacionais das commodities, custos de insumos e perdas de produção provocadas por eventos climáticos.

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Foto: Canva Pro