BM&C NEWS
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADO DE CAPITAIS
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADO DE CAPITAIS
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

Eleições 2026: o que falta nos planos econômicos

Julia PaladinoPor Julia Paladino
18/08/2026

Na largada da campanha presidencial, os principais candidatos concentram os atos em símbolos políticos e identitários, mas ainda não explicam como pretendem enfrentar o desequilíbrio das contas públicas e o ambiente de juros básicos em patamar elevado, combinação que pressiona a atividade, as empresas e o mercado de trabalho.

Segundo a análise do economista VanDyck Silveira, economista, no BM&C News, tanto o ato de Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo quanto o de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro priorizaram narrativas de biografia, segurança pública e identidades específicas do eleitorado, deixando em aberto o ponto central da política econômica: como será feito o ajuste fiscal e quais custos e benefícios isso trará para a população.

O que está em jogo quando se fala em “ajuste fiscal”?

No debate eleitoral, “ajuste fiscal” costuma aparecer como expressão genérica, sem explicação de conteúdo. Do ponto de vista técnico, o equilíbrio das contas do setor público é acompanhado por indicadores oficiais de resultado primário, déficit nominal e dívida pública, publicados pelo Banco Central do Brasil em suas Estatísticas Fiscais e pelo Tesouro Nacional em relatórios no portal Tesouro Transparente.

O déficit nominal do setor público, por exemplo, soma o resultado primário (receitas menos despesas, sem juros) aos juros nominais apropriados, e é divulgado regularmente pelo Banco Central em relação ao PIB, em linha com os padrões internacionais do Fundo Monetário Internacional (FMI) em bases como o Fiscal Monitor. Após a pandemia, o Brasil registrou déficits nominais elevados, com posterior redução em 2022, segundo essas séries oficiais.

Quando um candidato promete “arrumar as contas públicas”, ele necessariamente terá de lidar com essa aritmética: ou reduz despesas, ou aumenta receitas (impostos e outras fontes), ou aceita mais inflação e dívida. Não há ajuste sem escolha distributiva.

Por que os candidatos evitam detalhar cortes e aumentos de impostos?

No programa, VanDyck argumenta que a ausência do “como” nas propostas fiscais impede que o eleitor saiba, de forma transparente, qual cesta de políticas públicas está escolhendo. Há razões eleitorais claras para essa omissão:

1. Corte de gastos implica dizer quem perde recursos orçamentários, o que tende a gerar resistência de grupos organizados.
2. Aumento ou mudança de impostos afeta diretamente famílias e empresas, o que também costuma ser impopular.

Do lado técnico, qualquer plano consistente de consolidação fiscal precisa dialogar com a trajetória de déficit e dívida descrita pelos dados oficiais do Banco Central e do Tesouro Nacional. Esses documentos, como os relatórios de Estatísticas Fiscais do BCB e os relatórios de política fiscal do Tesouro no Tesouro Transparente, permitem verificar se as metas anunciadas em campanha são compatíveis com a realidade atual.

Um ponto pouco discutido é que, independentemente de quem vencer a eleição, o próximo governo encontrará a mesma estrutura fiscal registrada nessas estatísticas. A “gravidade” das contas públicas é uma condição de partida, não uma variável que muda com o discurso.

Juros elevados: o que os dados oficiais mostram?

O vídeo menciona juros “em torno de 14%” durante anos, mas a série oficial da taxa Selic, divulgada pelo Banco Central, conta uma história mais precisa. A Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e tem sua série histórica completa disponível no site do BCB (taxa Selic).

Até outubro de 2024, essa série mostra que:

– o Brasil chegou a ter Selic em torno de 14%–14,25% ao ano em meados da década de 2010;
– a partir de 2017, a taxa foi reduzida para patamares de um dígito, chegando ao mínimo histórico de 2% ao ano em 2020–início de 2021;
– a elevação pós‑pandemia levou a Selic a 13,75% ao ano em 2022, onde permaneceu por vários meses, antes do início do ciclo de cortes.

Ou seja, a afirmação de que “faz quatro anos que a taxa de juros está em dois dígitos” não é compatível, literalmente, com os dados oficiais, que registram um período relevante com juros em 2% ao ano. A ordem de grandeza destacada pelo comentarista – a volta a juros elevados por um período prolongado após 2021 – é real, mas os números específicos precisam ser checados na série do BCB.

Mesmo sem cravar percentuais, o encadeamento econômico é claro: juros básicos mais altos encarecem o crédito, competem com o retorno de investimentos produtivos e pressionam empresas mais alavancadas, com reflexos em investimento, emprego e apetite por risco na Bolsa. Essa relação é recorrente nas comunicações de política monetária do BCB, como atas e comunicados do Copom, publicados em bcb.gov.br.

Como a desaceleração econômica entra na disputa eleitoral?

No diálogo, a apresentadora cita o IBC-Br, indicador do Banco Central usado como sinalizador de curto prazo da atividade econômica. O IBC-Br é divulgado mensalmente e serve como proxy do PIB entre as divulgações oficiais do IBGE, que publica o PIB pelas Contas Nacionais Trimestrais e Anuais em ibge.gov.br.

Quando o IBC-Br mostra perda de ritmo, a mensagem para a campanha é simples: qualquer candidato terá de conciliar ajuste fiscal e recuperação do crescimento. A leitura do mercado de trabalho reforça esse quadro. O IBGE, por meio da PNAD Contínua, acompanha a taxa de desocupação, a informalidade e o rendimento médio real, dados que ajudam a qualificar a percepção de que o “emprego está nas mínimas, mas com baixa produtividade”. Esses números estão disponíveis no portal do IBGE.

A combinação de desaceleração, aperto de crédito e balanços fragilizados aumenta a probabilidade de empresas buscarem recuperação judicial. Estatísticas consolidadas sobre esses processos podem ser obtidas no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em cnj.jus.br. Já a performance da Bolsa de valores é registrada pela B3, que divulga o histórico do Ibovespa em b3.com.br.

Sem que o eleitor olhe para esses dados de forma estruturada, o debate tende a ficar preso a narrativas de curto prazo, como “Bolsa caindo” ou “recorde de recuperações judiciais”, que exigem sempre checagem em séries históricas para saber se se trata de fato inédito ou apenas de um movimento cíclico.

Qual é o peso do voto feminino e evangélico nas propostas econômicas?

VanDyck destaca o foco simultâneo das campanhas no eleitorado feminino e no público evangélico. No caso das mulheres, há um dado oficial por trás dessa ênfase: estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que elas são ligeiramente mais da metade do eleitorado, em torno de pouco mais de 50% em eleições recentes, segundo o painel de Estatísticas do Eleitorado.

O número exato varia por pleito e deve ser conferido para a eleição em curso, mas a mensagem é estável: quem ignora as eleitoras perde competitividade. O TSE também publica dados por faixa etária, escolaridade e estado, o que permite avaliar se as promessas econômicas de cada campanha conversam com a realidade de renda e emprego dos grupos que dizem priorizar.

Já o público evangélico não é identificado diretamente pelo TSE; sua dimensão aparece em pesquisas de perfil religioso produzidas pelo IBGE, como o Censo Demográfico, divulgado em ibge.gov.br. A disputa por esse grupo tende a vir embalada em temas de costumes, mas seu peso econômico – como trabalhadores, empreendedores e consumidores – depende dos mesmos fatores macroeconômicos que atingem o conjunto da população: inflação, juros, emprego e renda.

Como o eleitor pode checar as promessas econômicas dos candidatos?

A principal lacuna apontada no programa é a ausência de transparência sobre o “como” do ajuste fiscal. O eleitor não precisa esperar por detalhes em sabatinas: pode confrontar as falas de campanha com bases oficiais de dados.

Leia Mais

Os juros altos sufocam o varejo, agro e serviços. Qual é a saída?

18 de agosto de 2026
PAINEL BM&C

Plano econômico de Lula levanta debate sobre dívida, juros e ajuste fiscal

12 de agosto de 2026

*Passo a passo para acompanhar a agenda econômica na eleição

1. Verificar a situação fiscal atual
Consultar, no site do Banco Central, a seção de Estatísticas Fiscais para ver o resultado nominal e o primário em % do PIB, além da trajetória da dívida. Complementar com os relatórios do Tesouro Nacional no Tesouro Transparente.

2. Checar juros, atividade e emprego
Acompanhar a série da taxa Selic e das atas do Copom em bcb.gov.br, o IBC-Br como sinal de ritmo da economia, o PIB e os dados da PNAD Contínua em ibge.gov.br, e, se desejado, o desempenho da Bolsa e índices setoriais em b3.com.br.

3. Comparar com o que cada campanha promete
Ver se o discurso é compatível com a ordem de grandeza dos números. Quando alguém fala em “zerar déficit rapidamente” ou “cortar impostos sem compensação”, a pergunta técnica é sempre: como isso se encaixa na trajetória atual registrada por Banco Central, Tesouro e IBGE?

*Onde a narrativa incomoda, mas não aparece na propaganda

O ponto incômodo do debate é que, qualquer que seja o eleito, haverá trade-offs:

– algum grupo pagará mais impostos;
– algum gasto será reduzido ou crescerá menos;
– o ritmo de queda de juros dependerá da percepção de risco fiscal captada nas estatísticas oficiais e em bases internacionais, como as do FMI.

Ao não explicitar esses custos, as campanhas preservam popularidade no curto prazo, mas reduzem a capacidade de o eleitor tomar decisão informada. O caminho prático é trazer o debate para os dados – e usar as estatísticas oficiais não apenas para checar se o diagnóstico está correto, mas para avaliar se as promessas são exequíveis.

Assista ao vídeo abaixo:

URNAS

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Tags: ajuste fiscaldéficit nominalELEIÇÕES 2026eleitorado femininoibc-brtaxa Selic

Notícias

Falta de engajamento chega a 46% dos eleitores

Eleições 2026: TSE mantém tetos de gastos de 2022

10 de agosto de 2026

Ibovespa fecha com leve baixa, com Petrobras e Itaú; Vale sobe

Endividamento segue no maior patamar da série histórica e famílias continuam no limite financeiro

Krugman critica tarifa dos EUA e diz que Pix virou alvo de disputa comercial

Economia cresce 0,7% em maio, puxada por consumo das famílias, diz FGV

IPCA desacelera para 0,16% em junho com queda nos preços dos alimentos

INVESTIMENTOS
INVESTIMENTOS E FINANÇAS

Juros altos em 2026: como usar IPCA+ e FIIs até 2027

18 de agosto de 2026
André Farber, CEO da Riachuelo (Foto: Reprodução BM&C News)
BM&C BUSINESS

Riachuelo planeja até 200 novas lojas e bilhões em investimentos, diz CEO

18 de agosto de 2026
EMPRESAS E NEGÓCIOS

Casas Bahia: recuperação vai além da renegociação da dívida, avaliam especialistas

18 de agosto de 2026
DÓLAR
INVESTIMENTOS E FINANÇAS

Dólar a R$ 5,21: devo comprar agora para viajar ou proteger patrimônio?

18 de agosto de 2026

Leia Mais

  • Análises
  • ECONOMIA
  • MERCADOS
URNAS

Eleições 2026: o que falta nos planos econômicos

18 de agosto de 2026

Veja como checar, em dados oficiais, o que os candidatos não detalham sobre ajuste fiscal, juros altos, crescimento e emprego...

CONGRESSO NACIONAL

Fiscal Brasil 2026: como a incerteza já pesa no investidor

18 de agosto de 2026

Veja como dívida alta, orçamento rígido e rating especulativo entram no preço dos ativos em 2026 e o que observar...

FUNDO ELEITORAL - ELEIÇÕES

Quanto cada eleitor paga pelos fundos Eleitoral e Partidário em 2026?

18 de agosto de 2026

Veja quais documentos faltam para medir o custo por eleitor e o peso dos fundos na arrecadação federal.

O ministro Dario Durigan

Durigan liga política fiscal a queda dos juros e controle da dívida

18 de agosto de 2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (17), que a melhora das contas públicas é um dos principais...

gabriel galípolo

Galípolo atribui juros no Brasil principalmente a fatores internos

18 de agosto de 2026

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (17), que o atual ciclo de juros no Brasil é...

salário mínimo e bpc

BPC 2027: quanto vai ser o benefício se o salário mínimo for R$ 1.741?

18 de agosto de 2026

Entenda quanto será o BPC em 2027, como a regra do salário mínimo define o valor e por que projeções...

BANCO CENTRAL

Juro real elevado resiste ao corte da Selic e expõe risco fiscal

17 de agosto de 2026

O ciclo de corte da Selic avança, mas o juro real elevado na ponta longa da curva resiste. Carol Borges,...

salário mínimo

Abono salarial PIS/Pasep 2026: o que acontece se não sacar

17 de agosto de 2026

Entenda o prazo para sacar o abono salarial PIS/Pasep 2026, o que acontece se não retirar o dinheiro e como...

PETROBRAS

Petrobras, Casas Bahia e Grupo Mateus: o que bancos veem no radar

18 de agosto de 2026

Cinco das principais instituições financeiras do país (Bradesco BBI, BTG Pactual, XP Investimentos, Itaú BBA e Jefferies) divulgaram recomendações de...

PLOA 2027

PLOA 2027: governo projeta R$ 1.741 de salário mínimo e R$ 9,9 bilhões a mais em INSS e BPC

17 de agosto de 2026

Entenda como o PLOA 2027 reserva recursos para salário mínimo, INSS, BPC e seguro-desemprego e o que isso indica para...

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
redacao@bmcnews.com.br

Comercial:
comercial@bmcnews.com.br

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AGENDAS BM&C
    • BRASIL PRODUTIVO
      • Mercado de Capitais
      • Inovação travada
    • CONTA BRASIL
      • Combustível Brasil
    • BRASIL QUE INOVA
    • BRASIL QUE EMPREENDE
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ELEIÇÕES 2026
  • EMPRESAS E NEGÓCIOS
  • CASO MASTER
  • PETRÓLEO E ENERGIA
  • INTERNACIONAL
  • PROGRAMAS BM&C
    • BM&C BUSINESS
    • BM&C STRIKE
    • BM&C TALKS
    • BM&C VISÕES
    • CONEXÃO SEGURA
    • GLOBAL WALLET
    • LEADERS CONNECTION
    • MANHATTAN CONNECTION
    • MANIFESTE-SE
    • MERCADO & BEYOND
    • MONEY REPORT
    • NEW DEAL
    • PAINEL BM&C
    • PAPO DE DINHEIRO
    • RAV SANY
    • REPCAST
    • ROTA FÁCIL
    • SMART MONEY
    • WALL STREET CAST
  • CANNES LIONS
  • BRAZILIAN WEEK 2026
  • OPINIÃO
    • ALUIZIO FALCÃO FILHO
    • BRUNO CORANO
    • CARLOS HONORATO
    • ESTEVÃO SECCATTO
    • FABIO ONGARO
    • FABRIZIO GUERATTO
    • FRANCISCO ALVES
    • LIANE GARCIA
    • MARCO SARAVALLE
    • MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS
    • MIGUEL DAOUD
    • RENATO BATISTA
    • RUI DAS NEVES
    • VANDYCK SILVEIRA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.