A inflação oficial brasileira perdeu força em junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, divulgado nesta sexta-feira (10) pelo IBGE, avançou 0,16% no mês, depois de registrar alta de 0,58% em maio.
O resultado ficou abaixo da projeção de aproximadamente 0,32% esperada pelo mercado. Com a desaceleração, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,72% para 4,64%.
A principal contribuição para o resultado veio do grupo de alimentação e bebidas, que registrou queda de 0,24% e retirou 0,05 ponto percentual do índice de junho.
Alimentos ficam mais baratos em junho, mostra IPCA
A alimentação no domicílio apresentou recuo de 0,39% no período. Entre os produtos que ficaram mais baratos estão o café moído, as frutas e as carnes.
O movimento representa uma mudança em relação a maio, quando o grupo alimentação e bebidas havia registrado alta de 1,33%. A queda dos preços ajudou a reduzir a disseminação da inflação no curto prazo.
Em sentido contrário, o grupo habitação exerceu a maior pressão sobre o índice, com avanço de 0,63%.
Energia elétrica pressiona o IPCA
A energia elétrica residencial subiu 1,53% e apresentou o maior impacto individual sobre a inflação de junho. O resultado refletiu a manutenção da bandeira tarifária amarela e reajustes autorizados para algumas concessionárias.
Os números mostram que, apesar da desaceleração do índice geral, os preços administrados continuam exercendo pressão sobre o orçamento das famílias.
Nos transportes, as passagens aéreas avançaram 7,12%, movimento esperado para o período. O efeito foi parcialmente compensado pela queda de 0,48% nos combustíveis.
Combustíveis recuam, mas serviços resistem
O etanol apresentou redução de 3,09%, enquanto o diesel caiu 1,19%. A gasolina registrou recuo de 0,12% em junho.
Ao mesmo tempo, serviços relacionados ao mercado de trabalho continuaram apresentando reajustes. Entre os exemplos estão empregado doméstico e cabeleireiro.
A permanência da pressão sobre os serviços indica que parte da inflação continua resistente. Esse componente seguirá no radar do Banco Central nas próximas decisões sobre a trajetória da taxa Selic.
Mesmo com o resultado abaixo das expectativas, a autoridade monetária deverá continuar acompanhando a evolução dos núcleos de inflação, dos serviços e dos preços administrados antes de promover mudanças mais amplas na política monetária.
O que diz o especialista
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o IPCA trouxe uma surpresa baixista relevante em relação às projeções do mercado, com destaque para a deflação de alimentos.
As coletas já indicavam uma acomodação importante dos preços ao final de junho, mas esse movimento era esperado com mais força para julho (mês que tende a repetir deflação do grupo). Para além dos itens mais voláteis, a inflação subjacente também mostrou sinais de melhora, com a média dos núcleos registrando a menor variação mensal desde setembro de 2025, avalia Costa.
O destaque positivo, segundo o economista, ficou para o núcleo de serviços, em particular para os serviços de alimentação, que perderam força na margem.
Por outro lado, o núcleo de bens segue operando em patamar relativamente elevado, com pressão ainda disseminada e possíveis efeitos de segunda ordem associados ao choque anterior de petróleo, destaca.
Olhando à frente, o especialista espera uma inflação mais fraca no curto prazo, sustentada pela continuidade da deflação de alimentos e pela dissipação gradual dos impactos do choque de petróleo, especialmente no grupo de bens, movimento que aparece nos núcleos dos IGPs. O balanço qualitativo da inflação deve continuar mais favorável no curto prazo.
Ainda assim, as medidas em média móvel permanecem rodando em patamar elevado e incompatível com uma convergência confortável para a meta. Para o Banco Central, o resultado representa um alívio moderado, mas insuficiente para alterar de forma relevante o diagnóstico de política monetária. A inflação segue acima do teto do regime de metas, as expectativas permanecem desancoradas e a atividade doméstica continua resiliente. De todo modo, cresce a chance de o BC voltar a cortar 25bps na reunião do Copom de agosto, conclui.














