O governo deve adiar a retirada da subvenção concedida à gasolina após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã. A equipe econômica havia sinalizado que o benefício de R$ 0,44 por litro começaria a ser desmontado nesta semana, mas a nova alta do petróleo alterou o cenário.
Com o Brent novamente próximo de US$ 80 por barril, a avaliação é que o fim do subsídio poderia provocar um repasse imediato aos preços nas bombas. O objetivo agora é aguardar maior estabilidade no mercado internacional antes de tomar qualquer decisão.
A equipe econômica entende que a guerra voltou a aumentar a volatilidade das commodities e recomenda cautela para evitar impactos sobre inflação e consumidores.
Petrobras aguarda definição para promover ajustes nos combustíveis
A Petrobras também deve aguardar uma definição mais clara sobre o conflito no Oriente Médio antes de promover novos ajustes nos combustíveis. A expectativa anterior era que a estatal reduzisse o preço da gasolina após o fim da subvenção federal, movimento que agora tende a ser adiado.
No diesel, o governo já retirou parte do benefício, mas ainda mantém um subsídio de R$ 1,12 por litro. Caso o petróleo continue pressionado pela guerra, integrantes da equipe econômica admitem manter esse apoio por mais tempo e não descartam novos ajustes.
A prioridade passou a ser reduzir a exposição do mercado doméstico às oscilações provocadas pela escalada militar entre Estados Unidos e Irã.
Fiscal entra no radar
O adiamento da retirada dos subsídios, porém, amplia o desafio fiscal enfrentado pelo governo. A equipe econômica reconhece que deseja encerrar gradualmente os benefícios devido ao elevado custo para as contas públicas, mas avalia que a prioridade, neste momento, é evitar um choque nos preços dos combustíveis.
Somente em junho, os gastos com as subvenções à gasolina e ao diesel ficaram próximos de R$ 3 bilhões. Ao mesmo tempo, técnicos alertam que retirar o benefício durante uma nova escalada do petróleo poderia pressionar a inflação e comprometer o processo de desaceleração dos preços.
O governo tenta equilibrar responsabilidade fiscal com estabilidade econômica enquanto acompanha a evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã.














