O senador Flávio Bolsonaro afirmou, durante audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, que defende o cancelamento da tarifa de 25% proposta sobre produtos brasileiros.
A declaração representa uma mudança em relação à carta enviada anteriormente às autoridades americanas, na qual o senador havia solicitado o adiamento da medida por 90 dias.
Em seu discurso, Flávio argumentou que a aplicação das tarifas antes das eleições presidenciais brasileiras beneficiaria politicamente o governo Lula e penalizaria empresas e trabalhadores.
Segundo o senador, o atual momento é o pior possível para a adoção das sanções comerciais. Ao final da apresentação, ele pediu que os Estados Unidos suspendessem a medida e mantivessem abertas as negociações bilaterais entre os dois países.
Durante a audiência, Flávio Bolsonaro afirmou que, caso os Estados Unidos queiram pressionar autoridades brasileiras, existem instrumentos mais adequados do que a imposição de tarifas comerciais.
Na avaliação do senador, uma sobretaxa ampla acaba atingindo empresas, exportadores e consumidores, sem responsabilizar diretamente quem tomou as decisões contestadas por Washington.
Flávio também dedicou parte de sua apresentação à defesa do Pix, alvo da investigação comercial americana. Ele afirmou que o sistema ampliou a inclusão financeira no Brasil, beneficia consumidores e continua sendo complementar às bandeiras internacionais de cartões de pagamento.
O parlamentar pediu que o Pix fique fora de eventuais sanções. Segundo ele, a plataforma não representa uma barreira ao comércio nem à atuação de empresas americanas.
Durante os cinco minutos de apresentação no USTR, Flávio Bolsonaro também fez críticas ao governo Lula, ao Supremo Tribunal Federal e a casos de corrupção envolvendo administrações petistas.
O senador citou episódios como Mensalão, Lava Jato, fraudes no INSS e o caso Banco Master para sustentar seus argumentos perante as autoridades americanas.
Ele também afirmou que decisões sobre redes sociais partiram do Executivo e do Judiciário, e não do Congresso Nacional.
Flávio, no entanto, não mencionou sua própria relação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, nem as conversas envolvendo o financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio passou a integrar críticas feitas por adversários políticos após a audiência.
A participação do senador provocou reação imediata do governo federal. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que Flávio levou objetivos eleitorais para uma negociação comercial.
O governo também criticou o fato de o senador defender inicialmente apenas o adiamento das tarifas, em vez de sua rejeição integral.
Na nota, o governo acusou Flávio de legitimar uma investigação considerada injusta contra empresas brasileiras. A Secretaria de Comunicação também afirmou que recorrer a uma potência estrangeira para pressionar o próprio país representa uma atitude incompatível com os interesses nacionais.
Representantes do setor privado avaliaram que a audiência teve caráter predominantemente técnico e consideraram que o discurso político do senador destoou do ambiente das discussões conduzidas pelo USTR.

