O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera encerrado o cessar-fogo provisório firmado com o Irã, elevando novamente a tensão no Oriente Médio. A declaração foi feita durante a cúpula da Otan e marcou uma mudança no tom adotado por Washington em relação às negociações com Teerã.
Segundo Trump, negociar com o governo iraniano se tornou “uma perda de tempo”. Apesar da fala, a Casa Branca não anunciou o encerramento formal das conversas, que seguem abertas por meio da mediação do Catar.
Cessar-fogo em discussão
O acordo provisório havia reduzido temporariamente os confrontos e permitido avanços nas discussões sobre o programa nuclear iraniano. A nova declaração, porém, aumentou a incerteza sobre a continuidade do diálogo e reacendeu os temores de uma nova escalada militar na região.
A tensão aumentou após os Estados Unidos realizarem uma nova ofensiva militar contra o Irã. A operação atingiu mais de 80 alvos ligados à infraestrutura militar iraniana, segundo Washington.
Entre os alvos estavam sistemas de defesa aérea, radares, centros de comando e embarcações da Guarda Revolucionária. O governo americano afirmou que os ataques foram uma resposta às ações iranianas contra navios comerciais no Estreito de Ormuz.
A reação do Irã
O governo iraniano reagiu dizendo que a operação representa uma violação direta do memorando de entendimento firmado entre os dois países. Teerã afirmou que o acordo perdeu eficácia e prometeu adotar “ações decisivas” para proteger seus interesses.
Além da ofensiva militar, os Estados Unidos voltaram a endurecer as sanções econômicas contra o Irã. Washington revogou a licença que permitia a venda temporária de petróleo iraniano no mercado internacional, autorização que fazia parte do acordo provisório e era vista como um dos principais incentivos econômicos para manter o cessar-fogo.
Com a decisão, novas exportações de petróleo iraniano ficam proibidas. Será permitida apenas a conclusão de operações já iniciadas durante um período de transição. A medida reduz a capacidade do Irã de gerar receitas com petróleo e amplia a pressão financeira sobre o governo iraniano.
Estreito de Ormuz no centro da crise
O Estreito de Ormuz voltou ao centro da crise após novos ataques contra embarcações comerciais e declarações do governo iraniano reafirmando seu controle sobre a região. Teerã sustenta que navios devem respeitar sua autoridade para transitar pela principal rota marítima de petróleo do mundo.
A tensão levou armadores a alterar rotas, cancelar travessias e reduzir o fluxo de embarcações, principalmente de navios que transportam gás natural liquefeito. Empresas do setor marítimo também passaram a revisar protocolos de segurança diante do risco de novos ataques.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte manifestou apoio à resposta militar dos Estados Unidos. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a reação americana foi “absolutamente necessária” diante das violações do cessar-fogo atribuídas ao Irã.
Embora a Otan não participe diretamente das operações militares, o posicionamento reforça o alinhamento político entre Washington e seus principais aliados. A sinalização também fortalece a estratégia americana de pressionar Teerã e amplia o isolamento diplomático do governo iraniano.
Nos mercados, a nova escalada provocou reação imediata no petróleo. O Brent avançou para a região de US$ 78 a US$ 79 por barril, enquanto o WTI também registrou alta significativa.














