A Riachuelo pretende abrir entre 150 e 200 lojas nos próximos dez anos, além de reformar toda a sua base de unidades existentes. O plano prevê investimentos de alguns bilhões de reais e marca uma nova etapa da estratégia de crescimento da companhia, segundo André Farber, CEO da varejista.
Em entrevista ao Business, da BM&C News, Farber afirmou que a expansão deverá ocorrer acompanhada pela modernização das unidades atuais. “Nós temos planos de abrir nos próximos cinco, dez anos entre 150 e 200 lojas, com uma velocidade de 15 a 20 lojas por ano”, ressalta.
Segundo o executivo, o objetivo é transformar os investimentos em crescimento de receita e aumento de rentabilidade: “São investimentos de alguns bilhões de reais que a gente faz para abrir essas novas lojas e reformar as lojas antigas. E com isso a gente espera que isso se converta também em mais EBITDA, em mais lucro.”
O plano de expansão ocorre após um período de recuperação operacional e financeira da companhia.
Farber assumiu o comando da Riachuelo em 2023, tornando-se o primeiro CEO de fora da família fundadora. Naquele momento, segundo ele, a empresa ainda carregava os efeitos da pandemia, incluindo uma dívida elevada após o período de fechamento das lojas.
A prioridade passou a ser recuperar o crescimento e reduzir a alavancagem. “Foi a minha primeira missão na empresa: restabelecer o crescimento e sanar a nossa dívida.”
Três anos depois, a companhia acumula 12 trimestres consecutivos de crescimento, segundo o executivo. No mesmo período, a relação entre dívida e EBITDA caiu de aproximadamente 2,7 vezes para 0,4 vez.
Farber atribui a melhora ao foco no negócio de moda, à revisão do portfólio de ativos e ao ganho de eficiência operacional. Entre as decisões tomadas no período esteve a venda de um shopping center em Natal. “Isso ajudou muito a dar mais foco para a gente e mostrar que o foco do negócio é na moda.”
Lucro do segundo trimestre cresce 36%
No segundo trimestre de 2026, a Riachuelo registrou receita líquida consolidada de R$ 2,7 bilhões, margem bruta de vestuário de 59,2% e avanço de 36% no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2025. De acordo com Farber, o resultado foi o maior lucro líquido já registrado pela companhia em um segundo trimestre.
Para o executivo, a melhora está associada principalmente ao fortalecimento das coleções, à maior eficiência da fábrica e à redução da necessidade de descontos. “A gente focar nas categorias principais faz com que a gente desenvolva melhor, que a gente dê menos descontos. E aí, quando você dá menos descontos, de novo volta para a margem.”
A empresa também ampliou seu quadro de funcionários. Segundo Farber, a Riachuelo tinha cerca de 27 mil colaboradores quando ele assumiu e atualmente emprega aproximadamente 33 mil pessoas.
Lojas físicas representam 90% das vendas
Apesar do avanço do comércio eletrônico, a operação física permanece predominante no modelo de negócios da Riachuelo. Farber afirmou que cerca de 90% das vendas são realizadas nas lojas, enquanto o e-commerce responde pelos outros 10%.
Para o CEO, o comportamento está relacionado às características do setor de moda, no qual experimentação, toque e contato com o produto continuam relevantes para o consumidor. “A gente vê ainda um poder muito grande das lojas de ser o lugar de experimentação, ser o lugar do toque, ser o lugar dessa vivência.”
A estratégia, porém, não coloca os canais em oposição. A companhia busca integrar loja física e digital, permitindo, por exemplo, que consumidores comprem online e realizem trocas nas unidades ou façam pedidos digitais dentro das próprias lojas.
CEO critica diferenças tributárias entre varejo nacional e importados
Outro tema abordado por Farber foi a competição entre varejistas instaladas no Brasil e plataformas internacionais de comércio eletrônico. O executivo afirmou ser favorável à concorrência, mas defendeu condições tributárias equivalentes entre empresas brasileiras e estrangeiras.
Segundo ele, a soma de tarifa de importação, PIS/Cofins e ICMS pode elevar de forma significativa o custo final de uma mercadoria. “Eu gosto que o mercado seja um mercado competitivo. Agora, as empresas que trazem de fora não podem pagar o imposto menor.”
Para o CEO, o debate ultrapassa o setor de vestuário e alcança diversas categorias de produtos adquiridos por meio de plataformas internacionais.
Escala 6×1 e competitividade
Farber também comentou a discussão sobre uma eventual mudança da escala de trabalho 6×1 para modelos com mais dias de descanso. O executivo afirmou considerar positiva uma evolução que aumente a qualidade de vida dos trabalhadores, mas defendeu que a discussão seja acompanhada por uma análise dos custos e da competitividade brasileira. “Acho que é muito positivo que o Brasil evolua para isso no médio e longo prazo, mas também a gente precisa pensar sobre a competitividade do país.”
Segundo ele, uma eventual redução da jornada de 44 para 40 horas semanais teria impacto relevante sobre os custos da companhia. Farber afirmou ainda que a preocupação é maior entre pequenos empresários, que possuem menos capacidade financeira e operacional para absorver mudanças desse tipo.

















