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ECONOMIA

Juro real elevado resiste ao corte da Selic e expõe risco fiscal

O ciclo de corte da Selic avança, mas o juro real elevado na ponta longa da curva resiste. Carol Borges, economista da EQI, convidada pela BM&C News, aponta que o fenômeno reflete mais do que desaceleração econômica: expõe a tensão entre inflação ainda pressionada, incerteza fiscal e um calendário eleitoral que joga areia na engrenagem da política monetária.

Na avaliação da economista, há espaço para mais um corte da taxa básica até o fim do ano. Mas o movimento não se transmite automaticamente para os juros mais longos. O mercado não reage ao discurso, reage ao risco.

A desaceleração econômica abre espaço para corte, mas não elimina o prêmio de risco

Segundo Carol, a atividade econômica dá sinais de arrefecimento, o que justificaria tecnicamente a continuidade do afrouxamento monetário. A Selic pode cair, mas a percepção de risco fiscal e eleitoral impede que a curva inteira acompanhe o movimento.

A inflação recente, ainda que contaminada por efeitos pontuais, segue relevante. Riscos ligados à energia, ao petróleo e ao clima reforçam a cautela. Para a economista, o impacto do El Niño na inflação de alimentos pode se estender até 2027, adicionando volatilidade ao cenário de preços.

O risco fiscal contamina a ponta longa e eleva o custo do dinheiro no tempo

O juro real elevado na ponta longa não é acidente. Para Carol, ele reflete a percepção do mercado sobre a trajetória da dívida pública e a capacidade do governo de entregar o ajuste fiscal prometido. O Excel fecha. O caixa é que cobra.

O cenário eleitoral agrava a equação. A incerteza sobre a continuidade ou mudança de rumo nas políticas econômicas amplia o prêmio exigido pelos investidores para alongar posições. A curva de juros não é técnica, é política.

Prefixados curtos e NTN-B intermediárias aparecem como alternativas, mas sem escapar da volatilidade

Na leitura da economista, há oportunidades em prefixados de prazo mais curto e em NTN-B de duration intermediária. São ativos que capturam parte do ganho do corte da Selic sem se expor integralmente ao risco fiscal de longo prazo.

Ainda assim, Carol reforça a importância de diversificar a carteira, inclusive internacionalmente. A volatilidade doméstica exige proteção. O problema não é o preço, é a previsibilidade. O juro real elevado remunera, mas cobra exposição a um conjunto de riscos que pode se materializar de forma abrupta.

Assista à entrevista completa da BM&C News neste link: https://www.youtube.com/watch?v=-dQy8oUR7TU

BANCO CENTRAL
Relatório de Política Monetária sinaliza juros alto por período prolongado. Créditos: depositphotos.com / diegograndi