O empresário Rubens Menin afirmou que o empreendedorismo coletivo é um dos pilares para construir empresas capazes de crescer de forma sustentável e atravessar diferentes ciclos econômicos. Em entrevista ao RepCast, apresentado por Leandro Conte, Menin também abordou sucessão, inovação, reputação, responsabilidade social e a trajetória de negócios como MRV, Inter, LOG, CNN Brasil e Rádio Itatiaia.
Ao longo da conversa, Menin relacionou crescimento empresarial à capacidade de formar equipes com autonomia, preparar sucessores e criar estruturas que não dependam exclusivamente do fundador. Para ele, empresas precisam abrir espaço para profissionais que queiram empreender dentro da própria organização.
Empreendedorismo coletivo como modelo de gestão
Menin afirmou que não acredita em empresas construídas em torno de uma única pessoa. Na visão do empresário, o crescimento depende de equipes capazes de assumir responsabilidades e participar diretamente da construção do negócio.
“Empreendedorismo coletivo é o melhor que tem. Não existe esse negócio de one minut show”, afirmou.
Segundo ele, a empresa deve funcionar como um ambiente em que profissionais possam empreender, desde que estejam alinhados aos princípios éticos e aos valores do negócio.
“A empresa é um lugar para se empreender”, disse Menin.
Esse modelo também aparece na forma como o empresário descreve a formação das equipes. Menin contou que, ainda no início da trajetória, criou um grupo formado por cerca de 40 pessoas que cresceriam junto com as empresas. Mais de 30 ainda participariam da gestão décadas depois, segundo o relato.
MRV apostou em escala e padronização
Ao falar sobre a construção da MRV, Menin relembrou a decisão de atuar com habitação popular em um momento em que grandes empresas concentravam esforços nos segmentos de médio e alto padrão.
Para ele, a aposta foi baseada na expectativa de que o segmento teria escala. A companhia também precisou desenvolver alternativas próprias de financiamento quando o BNH foi extinto e, posteriormente, passou a operar em um ambiente mais estruturado com a Caixa Econômica Federal.
Outro movimento destacado foi a expansão nacional.
Menin afirmou que a empresa precisou adaptar um mesmo conceito de habitação às diferentes características regionais do Brasil. A estratégia levou à padronização de projetos e a uma maior industrialização da construção, com adoção de tecnologias voltadas à redução de desperdícios e aumento de eficiência.
Inter cresceu após aposta no modelo digital
No setor financeiro, Menin contou que o Inter começou como uma pequena financeira e, em 2015, passou por uma transformação para o modelo digital.
De acordo com ele, a decisão veio após uma viagem à China, onde soluções digitais e carteiras eletrônicas já estavam mais disseminadas. A partir daí, a instituição iniciou seu projeto de digitalização e passou a operar integralmente em nuvem.
Menin afirmou que a expectativa inicial era chegar a 100 mil clientes em um ano, mas a base alcançou 1 milhão no período citado por ele. Atualmente, segundo o empresário, o banco possui cerca de 45 milhões de clientes.
O empresário relacionou esse crescimento à estrutura mais leve do modelo digital e à possibilidade de oferecer conta gratuita aos clientes.
Sucessão planejada reduz dependência do fundador
A preparação de novas lideranças também apareceu como parte central do empreendedorismo coletivo defendido por Menin.
Segundo ele, a sucessão precisa ser planejada antes de se tornar uma necessidade. Atualmente, o empresário afirma estar fora da gestão executiva direta e concentrado na parte estratégica.
Menin citou familiares que hoje ocupam funções nas empresas e afirmou que executivos que não pertencem à família também participam dos níveis de liderança. Para ele, cada executivo deveria ter ao menos uma pessoa preparada para assumir sua função caso necessário.
A lógica, segundo o empresário, vale também para familiares: a participação pode ocorrer desde que os profissionais estejam enquadrados nos mesmos princípios e sem tratamento diferenciado.
Juros e velocidade tecnológica desafiam nova geração
Menin avaliou que o ambiente empresarial brasileiro atual possui mais recursos e possibilidades do que aquele encontrado no início de sua carreira, embora ainda existam problemas relevantes.
Entre eles, destacou os juros.
Na avaliação do empresário, a taxa de juros brasileira prejudica os negócios. Ao mesmo tempo, a nova geração de executivos enfrenta um ambiente em que mudanças tecnológicas ocorrem em velocidade maior.
Segundo Menin, os profissionais precisam buscar tecnologia permanentemente e acompanhar transformações constantes no mercado.
Reputação passa por ética e relação com diferentes públicos
Ao abordar reputação, Menin afirmou que empresas com presença nacional precisam lidar simultaneamente com clientes, poder público, investidores e comunidades.
Na MRV, ele destacou a relação com consumidores como uma das prioridades e afirmou que a empresa procura manter interação contínua com os clientes.
O empresário também defendeu que demandas setoriais perante o poder público sejam tratadas por associações de classe.
Segundo ele, a relação deve ser pautada por ética e retidão.
Compromisso social entra na construção da reputação
Menin também relacionou reputação à atuação social das empresas e dos empresários.
Durante a entrevista, citou iniciativas ligadas à MRV e projetos apoiados pela família em áreas como saúde e educação. Segundo ele, existe espaço para ampliar a participação privada em ações sociais no Brasil.
O empresário afirmou que passou a falar mais abertamente sobre doações e projetos sociais com o objetivo de estimular outras pessoas a fazer o mesmo.
A atuação em comunicação também foi associada por Menin a uma responsabilidade pública.
Ao comentar CNN Brasil e Rádio Itatiaia, afirmou que uma imprensa estruturada é importante para a democracia e para o desenvolvimento econômico e social.
“Não existe uma democracia plena sem uma boa imprensa”, afirmou.
Empreendedorismo coletivo depende de pessoas e continuidade
Ao final, Menin resumiu sua visão sobre reputação com a expressão “compromisso social”.
A fala reforçou o eixo apresentado ao longo da entrevista: crescimento empresarial, segundo ele, depende de pessoas, sucessão, responsabilidade e capacidade de transformar estruturas sem concentrar todas as decisões em uma única liderança.
Nesse modelo, o empreendedorismo coletivo aparece como instrumento para ampliar a continuidade das empresas e formar novas gerações de executivos capazes de assumir responsabilidades em ambientes mais dinâmicos.

















