André Duek começou como office boy aos 13 anos na Forum, tornou-se CEO do grupo Fórum/Triton, conduziu a venda da empresa em 2008 e, anos depois, vendeu sua boutique imobiliária na Flórida para a afiliada da rede global One Sotheby’s International Realty, mantendo-se à frente de um grupo de corretores brasileiros nos Estados Unidos.
A história de André Duek, contada no Rav Sany Live Show, reúne três movimentos que interessam a qualquer profissional liberal ou empreendedor: crescimento interno acelerado, venda bem-sucedida de empresa familiar e recomeço em outro país, em outro setor, até ser incorporado por uma gigante global do mercado imobiliário.
Como começa uma carreira que sai do office boy e chega ao comando da empresa?
André relata que, aos 13 anos, no momento do seu bar mitzvá, pediu à mãe como presente a autorização para trabalhar. Pouco depois, iniciou como office boy na Forum, marca de moda fundada pelo tio Tufi Duek, e passou 21 anos no grupo Fórum/Triton, subindo por cerca de 18 cargos até chegar ao posto de CEO.
Ele atribui esse avanço a três pilares transmitidos por Tufi: estudar mais que os outros, trabalhar mais que os outros e ter paciência com o processo de longo prazo. Em vez de buscar atalhos, usou o tempo para aprender diferentes áreas da empresa, numa era ainda analógica do varejo de moda, o que mais tarde se converteu em visão integrada de negócios.
Para quem está em uma empresa hoje, a mensagem prática é clara: trajetória de direção raramente é linear. Passar por operações, produto, vendas e gestão financeira aumenta a chance de participar de decisões estratégicas e de construção de valor de longo prazo.
O que há por trás da venda do Grupo Fórum/Triton em 2008?
No programa, André é apresentado como o executivo que conduziu o processo de venda do Grupo Fórum/Triton de Modas em 2008. A operação encerrou um ciclo de mais de duas décadas na companhia familiar e abriu espaço para novos projetos, como a estruturação de uma marca ligada à prima estilista Karina Duek e a gestão de uma holding de investimentos do próprio Tufi.
Mais do que o número do cheque, o ponto central para a carreira é o papel do executivo na orquestração da transição. Em uma venda desse porte, o comprador não adquire apenas estoque e lojas, mas processos, marca, relacionamento com fornecedores e uma gestão capaz de integrar tudo isso.
Numa visão pró-mercado, isso mostra como empresas familiares que profissionalizam a gestão, constroem marca e documentam processos ampliam suas alternativas: podem buscar sócios, vender participação, ou realizar a venda total preservando legado e gerando capital para novos ciclos.
Como planejar um recomeço profissional nos Estados Unidos aos 40 anos?
Depois da venda do grupo de moda, André decidiu migrar para os Estados Unidos. Ele relata ter se mudado para a região de Miami em 2012, aos 40 anos, com um planejamento explícito de longo prazo: expectativa de que os negócios levassem cerca de dois anos para atingir o ponto de equilíbrio, reservas financeiras para manter a família e três anos dedicados a estudar inglês em nível profissional.
Ele fundou a DEC Motor Homes, focada em locação de motorhomes para brasileiros, e a DEC Realty, uma boutique imobiliária voltada inicialmente para compra e venda de imóveis. Aos poucos, a atuação imobiliária ganhou característica de boutique de serviços, ajudando famílias brasileiras a estruturar mudança, adaptação e planejamento nos EUA, e não apenas a transacionar imóveis.
Esse tipo de recomeço exige aceitar que o status anterior não se transfere automaticamente de país: o ex-CEO de um grande grupo de moda se vê, na prática, como novo empreendedor num mercado desconhecido, em outro idioma e sob outra regulação.
Quais expectativas ele ajustou no recomeço?
André destaca dois pontos que costumam frustrar brasileiros que tentam repetir o sucesso nos EUA:
| Fator | Expectativa comum | Ajuste que ele defende |
|---|---|---|
| Tempo para “dar certo” | Repetir rapidamente resultados do Brasil | Trabalhar com horizonte de anos para alcançar equilíbrio e escala |
| Status profissional | Carregar o título anterior (CEO, sócio, diretor) | Reconhecer que, em outro país, é preciso reconstruir reputação e histórico |
Ao definir previamente que os dois primeiros anos poderiam ser apenas de equilíbrio financeiro, ele reduziu a pressão de curto prazo e conseguiu avaliar o desempenho do negócio com mais racionalidade.
O que muda quando uma boutique é comprada por uma gigante global?
A DEC Realty, criada por André em Miami, foi adquirida em 2020 por uma afiliada da One Sotheby’s International Realty, ligada à rede global Sotheby’s International Realty. Após a transação, ele e sua sócia Carolina Lara passaram a liderar o Duek Lara Group dentro da estrutura da Sotheby’s, com uma equipe de cerca de 10 corretores que falam português.
Segundo o programa, o grupo se destacou em rankings regionais e nacionais de volume de vendas, com base em relatórios da empresa de pesquisa imobiliária Real Trends. A operação da One Sotheby’s na costa leste da Flórida é descrita como uma das dez maiores da rede global.
Ao contrário de uma venda em que o empreendedor se retira totalmente, aqui o ativo principal era capital intelectual e capacidade de geração de negócios. A empresa jurídica foi comprada, mas André permaneceu no comando do time, agora com a força de uma marca mundial de alto padrão e acesso à rede internacional de corretores.
Na prática, esse modelo de transação mostra um caminho híbrido para empreendedores de serviços: monetizar o negócio via aquisição e, ao mesmo tempo, ganhar escala, distribuição e reputação ao operar sob a bandeira de uma multinacional.
Qual é o lado incômodo que a história de sucesso revela?
A narrativa é inspiradora, mas traz um ponto pouco glamouroso que costuma ser subestimado:
– Nem todo sucesso é replicável em outro mercado. André deixa claro que precisou reaprender idioma, cultura de negócios e regulação local. O networking do Brasil não se converte, sozinho, em pipeline de clientes na Flórida.
– O fluxo de caixa não acompanha o ego. Mesmo com um histórico robusto, ele assumiu que poderia passar anos apenas no zero a zero da operação, consumindo reservas. Sem essa disciplina, a migração tende a fracassar.
– Venda para gigante global não é “saída total”. No caso da DEC Realty, o valor está na presença ativa do próprio empreendedor após a aquisição, liderando equipe e carregando relacionamento com clientes. Quem sonha em “vender e sumir” precisa avaliar se o tipo de negócio que está construindo permite isso.
Esses pontos interessam diretamente a empresários brasileiros que pretendem internacionalizar carreira ou empresa: o risco não é apenas regulatório ou cambial, é também de expectativa desalinhada.
O que André Duek ensina sobre venda, carreira e propósito?
No programa, André defende que boa venda começa por gostar genuinamente do que se faz. Segundo ele, quando o profissional está em um setor pelo dinheiro, a venda vira esforço de curto prazo, vulnerável às oscilações de mercado. Quando há alinhamento com o produto ou serviço, o vendedor investe mais em estudo, atendimento e construção de relacionamento.
Ele também afirma que nunca escolheu ramo apenas pelo potencial financeiro, mas pela combinação de interesse real e disposição para aprender diariamente. A partir dessa lógica, a riqueza deixa de ser apenas acúmulo de capital para incluir acúmulo de sonhos, paixões e conhecimento aplicável.
Essas ideias estão sistematizadas no livro “Potência Empreendedora – Crie uma estratégia eficiente, desenvolva uma tática inteligente e gere altos resultados na sua carreira e nos seus negócios”, lançado pela Editora Gente. O autor descreve a obra como um guia prático que dialoga tanto com jovens universitários quanto com executivos seniores.
Para o leitor que queira se aprofundar, a ficha e detalhes da obra podem ser consultados no site da Editora Gente.
Como aplicar essas lições na sua própria trajetória?
Para transformar a história de André em ação prática na sua carreira ou empresa, alguns movimentos são objetivos:
1. Mapeie competências de ponta a ponta. Se você está em uma organização, busque experiências em áreas diferentes. Isso aumenta seu valor estratégico, com ou sem venda futura do negócio.
2. Construa empresa vendável desde cedo. Padronize processos, cuide da marca, profissionalize a governança. Quanto mais a operação depender de sistemas e menos da sua pessoa física, mais opções você terá no futuro.
3. Planeje qualquer grande transição em anos, não em meses. Mudança de país, setor ou modelo de negócio exige reservas, prazo realista para break even e preparo emocional para recomeçar.
4. Alinhe paixão e disciplina financeira. Escolher um setor que você gosta não dispensa planilha. Use o entusiasmo para sustentar o estudo contínuo, mas mantenha métricas de rentabilidade claras.
5. Seja transparente sobre o que você vende. Produto, serviço ou consultoria, o objetivo que gera negócios recorrentes é sempre resolver problemas reais do cliente, com ética e consistência.
Antes de qualquer movimento radical, coloque no papel sua situação atual, horizonte de tempo e recursos disponíveis. A partir daí, compare diferentes cenários de carreira ou de negócio e avance naquele em que você consegue combinar propósito, planejamento e capacidade de execução de longo prazo.
Assista ao vídeo abaixo:

















