O IBGE divulgou nesta sexta-feira (14) novos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) referentes ao segundo trimestre de 2026. A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no período de abril a junho, abaixo dos 6,1% registrados no primeiro trimestre do ano.
A taxa de subutilização da força de trabalho caiu para 12,9%, ante 14,3% no trimestre de janeiro a março. O indicador considera, além dos desempregados, trabalhadores subocupados por insuficiência de horas e pessoas que fazem parte da força de trabalho potencial.
O resultado nacional de 5,4% já havia sido divulgado pelo IBGE em 30 de julho na PNAD Contínua Mensal. A publicação desta sexta-feira (14) traz o detalhamento do mercado de trabalho por Unidades da Federação e por características da população.
Qual é o último dado oficial de desemprego do IBGE em 2026?
A taxa de desocupação do Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026, segundo o IBGE. O resultado representa queda de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre de janeiro a março, quando o indicador estava em 6,1%. Na comparação com abril a junho de 2025, quando a taxa era de 5,8%, houve redução de 0,4 ponto percentual.
O número de pessoas desempregadas caiu para 5,9 milhões, redução de aproximadamente 718 mil pessoas, ou 10,9%, em relação ao primeiro trimestre de 2026, quando havia cerca de 6,6 milhões de desocupados. Na comparação anual, o contingente diminuiu em 392 mil pessoas.
Já a população ocupada chegou a 103,1 milhões de pessoas, avanço de 1,1% frente ao trimestre anterior, equivalente a pouco mais de 1 milhão de trabalhadores. Em relação ao segundo trimestre de 2025, houve acréscimo de cerca de 742 mil pessoas ocupadas.
Como evoluiu o desemprego em 2026?
Os números da PNAD Contínua mostram uma elevação do desemprego no início de 2026, seguida por uma trajetória de queda nos meses seguintes.
| Trimestre móvel encerrado em | Taxa de desocupação | Taxa de subutilização |
|---|---|---|
| Janeiro de 2026 | 5,4% | 13,8% |
| Fevereiro de 2026 | 5,8% | 14,1% |
| Março de 2026 | 6,1% | 14,3% |
| Abril de 2026 | 5,8% | 13,8% |
| Maio de 2026 | 5,6% | 13,3% |
| Junho de 2026 | 5,4% | 12,9% |
Os resultados mostram que a taxa de desemprego avançou até março, mas recuou nos três levantamentos seguintes. A subutilização apresentou movimento semelhante e alcançou 12,9% no trimestre encerrado em junho.
Subutilização cai para 12,9%
A melhora também apareceu nos indicadores mais amplos do mercado de trabalho. O país tinha aproximadamente 14,7 milhões de pessoas subutilizadas no trimestre de abril a junho de 2026, redução de 10,1% frente ao primeiro trimestre, quando o contingente era de 16,3 milhões.
A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas ficou em aproximadamente 4,1 milhões de pessoas, redução de 6,6% no trimestre e de 11,5% frente ao mesmo período de 2025.
Isso significa que a melhora do mercado de trabalho no segundo trimestre não ocorreu apenas na taxa tradicional de desemprego. O indicador mais amplo de utilização da mão de obra também recuou.
Desemprego cai em 13 estados
A divulgação trimestral desta sexta-feira trouxe ainda o detalhamento regional. A taxa de desocupação apresentou queda estatisticamente significativa em 13 das 27 Unidades da Federação na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026. Nas outras 14, houve estabilidade.
Os maiores recuos foram registrados no Rio Grande do Norte, com queda de 1,9 ponto percentual, e no Acre e na Paraíba, ambos com redução de 1,6 ponto percentual.
Apesar da queda da média nacional, as diferenças entre os estados continuam expressivas. O Amapá apresentou a maior taxa de desemprego, de 9,8%, seguido por Bahia, com 9,1%, Pernambuco e Piauí, ambos com 8,3%, e Sergipe, com 7,9%.
Na outra ponta, Santa Catarina registrou a menor taxa, de 2,1%, seguida por Mato Grosso, com 2,2%, Espírito Santo, com 2,3%, Rondônia, com 2,6%, e Mato Grosso do Sul, com 2,7%.
Mulheres continuam com desemprego maior
A PNAD Contínua também mostra diferenças importantes entre grupos da população. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desocupação foi de 4,6% entre os homens e 6,4% entre as mulheres.
Por cor ou raça, o desemprego ficou em 4,2% entre pessoas brancas, 6,9% entre pessoas pretas e 6,1% entre pessoas pardas.
O nível de escolaridade também apresentou diferenças. A taxa de desemprego chegou a 9,0% entre pessoas com ensino médio incompleto, enquanto ficou em 3,0% entre aquelas com ensino superior completo.
Como o IBGE mede a taxa de desemprego?
A PNAD Contínua é a principal pesquisa do IBGE para acompanhar ocupação, desemprego, rendimento e diferentes formas de inserção da população brasileira no mercado de trabalho. Os resultados são divulgados por meio de trimestres móveis e também em recortes trimestrais.
A taxa de desocupação considera as pessoas que estavam sem trabalho, procuraram efetivamente uma ocupação e estavam disponíveis para assumir uma vaga no período de referência.
Isso significa que nem toda pessoa sem emprego entra automaticamente na taxa de desemprego. Quem gostaria de trabalhar, mas não procurou uma vaga dentro dos critérios da pesquisa, pode fazer parte da força de trabalho potencial, por exemplo.
O que a taxa de 5,4% não mostra sobre o mercado de trabalho?
Embora a taxa de desemprego seja um dos principais termômetros da economia, ela não resume todas as condições do mercado de trabalho.
A subutilização, de 12,9%, permanece bem acima dos 5,4% de desocupação porque considera um universo mais amplo de pessoas cuja força de trabalho não está sendo plenamente aproveitada.
Entre elas estão trabalhadores que gostariam e poderiam trabalhar mais horas e pessoas potencialmente disponíveis para trabalhar que não aparecem na estatística de desemprego aberto.
Também é necessário observar a qualidade das ocupações. A taxa de desemprego, isoladamente, não informa se o trabalhador está empregado com carteira assinada, em uma atividade informal ou trabalhando por conta própria.
No segundo trimestre de 2026, 74,4% dos empregados do setor privado tinham carteira assinada, segundo o detalhamento trimestral da PNAD. Santa Catarina apresentou a maior proporção, de 86,7%, enquanto Maranhão registrou a menor, de 53,6%.
O que os novos números indicam?
A combinação de queda do desemprego, aumento da população ocupada e redução da subutilização mostra uma melhora do mercado de trabalho no segundo trimestre de 2026.
Entre janeiro e março e abril e junho, aproximadamente 718 mil pessoas deixaram a condição de desempregadas, enquanto a população ocupada aumentou em mais de 1 milhão de trabalhadores.
Ao mesmo tempo, o número de brasileiros em situação de subutilização caiu para 14,7 milhões.
Para trabalhadores, empresas e investidores, porém, a leitura do mercado de trabalho exige acompanhar não apenas a taxa de desemprego, mas também indicadores como subutilização, informalidade, rendimento, criação de postos de trabalho e diferenças regionais.
A próxima divulgação mensal da PNAD Contínua, referente ao trimestre móvel encerrado em julho de 2026, está prevista pelo calendário do IBGE para 27 de agosto de 2026.
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