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ECONOMIA

Ata do Fed reforça possibilidade de alta de juros em setembro

A ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed) trouxe um sinal mais duro para os mercados sobre os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos. O ponto central para o mercado passa a ser o grau de disposição do Fed para voltar a elevar os jurosna reunião de 16 de setembro caso os próximos indicadores confirmem a persistência das pressões inflacionárias.

Na reunião dos dias 28 e 29 de julho, o Fomc manteve a taxa dos Fed Funds entre 3,50% e 3,75% ao ano, em uma decisão de 9 votos a 3. Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram por uma elevação de 0,25 ponto percentual.
A ata, no entanto, mostra que a inclinação por uma política mais restritiva não ficou limitada aos três votos dissidentes. Vários participantes avaliaram que as pressões de preços estavam disseminadas e defenderam uma postura mais restritiva. Além disso, muitos integrantes disseram que um aperto provavelmente será necessário se a inflação não mostrar desaceleração.

O que a ata do Fed sinaliza para os juros?

O documento reforça que a inflação permanece no centro das decisões do Fed. Os dirigentes reconheceram que os preços seguem elevados em relação à meta de 2% e avaliaram que os riscos para a inflação continuam inclinados para cima.

Entre as preocupações estão os efeitos do conflito no Oriente Médio, choques de oferta, tarifas e pressões relacionadas ao forte investimento em inteligência artificial. Muitos participantes destacaram ainda o risco de que vários anos de inflação acima da meta comecem a influenciar as expectativas e as decisões de preços e salários.

Para parte do Comitê, as condições financeiras podem não estar suficientemente restritivas para conduzir a inflação de volta à meta.

Mercado já discutia alta antes da reunião de julho

A própria ata revela que a possibilidade de juros mais altos já vinha sendo incorporada aos preços dos ativos antes da decisão.

Durante o período entre as reuniões de junho e julho, os rendimentos dos Treasuries subiram entre 25 e 30 pontos-base, principalmente em razão da expectativa de taxas de juros mais elevadas.

Embora a manutenção dos juros fosse o cenário-base para julho, o mercado atribuía aproximadamente uma chance em três para uma elevação naquele encontro.

Mais importante para a leitura dos investidores sobre os próximos passos, os preços de mercado naquele momento já incorporavam integralmente uma alta de 0,25 ponto percentual até a reunião de setembro e outra elevação até o fim do primeiro trimestre de 2027.

A ata divulgada agora permite ao mercado confrontar essas apostas com a discussão interna do Fomc — e mostra que havia disposição de uma parcela relevante do Comitê para apertar a política monetária.

Inflação segue como principal risco para o Fed

A equipe técnica do Fed estimou que a inflação medida pelo PCE havia desacelerado para 3,7% em junho, enquanto o núcleo do indicador teria recuado para 3,3%. Mesmo assim, ambos permaneciam acima da meta de 2%.

A projeção da equipe é de desaceleração da inflação ao longo do segundo semestre, com convergência para aproximadamente 2% em 2028. Ao mesmo tempo, os técnicos consideram que os riscos para essa projeção estão inclinados para cima, diante da possibilidade de uma inflação mais persistente.

Entre os integrantes do Fomc, a percepção também é de elevada incerteza. A maior parte espera redução da inflação ao longo do restante do ano, conforme diminuam os efeitos das tarifas e dos aumentos anteriores dos preços de energia. Muitos, entretanto, apontaram o risco de que a inflação permaneça elevada por mais tempo.

Mercado de trabalho dá espaço para Fed observar inflação

Enquanto a inflação preocupa, o mercado de trabalho não apresenta, segundo a ata, sinais de deterioração acentuada.

Os dirigentes avaliaram que as condições de emprego permaneciam estáveis e que oferta e demanda por trabalhadores estavam relativamente equilibradas. A taxa de desemprego estava em 4,2% em junho, praticamente sem alteração significativa nos dois anos anteriores.

Os participantes também observaram que a economia continuava crescendo em ritmo sólido, apoiada pelo investimento empresarial e pelo consumo, com destaque para os investimentos relacionados à inteligência artificial.

Esse quadro ajuda a explicar por que o debate interno do Fed está concentrado na inflação: com atividade econômica resiliente e mercado de trabalho relativamente estável, parte do Comitê vê espaço para manter — ou aumentar — o grau de restrição monetária.

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Foto: Gerada por IA