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ECONOMIA

Petróleo em alta fortalece Petrobras, mas burocracia repele gringo

O movimento recente do petróleo Brent, que alcançou a casa dos US$ 90, reforça o desempenho das ações ligadas ao setor de energia no Brasil, com destaque para a Petrobras. Mas esse impulso setorial não se traduz em apetite estrangeiro pela Bolsa brasileira. Em entrevista à BM&C News, Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, traçou um diagnóstico que expõe o paradoxo entre ganhos pontuais do setor de petróleo e a saída estrutural de capital internacional do mercado doméstico.

Para Rebecca, o rali do petróleo funciona como locomotiva do Ibovespa no curto prazo, mas traz consigo efeitos colaterais para a inflação global. A alta da commodity pressiona custos de produção e transportes, o que limita a margem de manobra dos bancos centrais para reduzir juros.

A alta do petróleo fortalece o Ibovespa, mas alimenta o ciclo inflacionário global

Segundo Rebecca, o avanço do Brent para patamares próximos de US$ 90 exerce influência direta sobre os ativos ligados ao setor de óleo e gás. Esse movimento beneficia as petroleiras e puxa o índice brasileiro, dada a representatividade da Petrobras no Ibovespa. A empresa anunciou a descoberta de hidrocarbonetos na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá, mas o avanço da exploração esbarra em entraves regulatórios.

Na leitura da especialista, o papel do IBAMA e do Ministério Público Federal no processo de licenciamento de novas perfurações amplia a percepção de risco. O peso da burocracia e das exigências ambientais na visão do investidor torna o ambiente menos atrativo, mesmo diante de descobertas relevantes.

A burocracia ambiental se soma ao custo-Brasil e amplia o desconto do risco regulatório

Rebecca aponta que a combinação entre processos lentos de licenciamento e incertezas jurídicas afasta capital de longo prazo. O mercado não reage ao discurso, reage ao risco. A saída recente de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira reflete essa dinâmica. O problema não é o preço, é a previsibilidade.

A especialista observa que a influência dos juros e da inflação nos Estados Unidos sobre o apetite a risco global também pesa contra mercados emergentes como o Brasil. A importância do ciclo de queda de juros lá fora é determinante para a retomada de fluxos para economias periféricas. Enquanto o Federal Reserve mantiver a taxa elevada, a pressão sobre ativos de risco persiste.

O ciclo eleitoral doméstico e a trajetória fiscal ampliam a volatilidade e travam a precificação

Na avaliação de Rebecca, o impacto do ciclo eleitoral doméstico na volatilidade do índice se soma às incertezas em torno da trajetória fiscal e da dívida pública brasileira. A falta de clareza sobre o ajuste das contas públicas dificulta a formação de preços de longo prazo e alimenta a percepção de instabilidade institucional.

Para a especialista, o investidor estrangeiro cobra consistência. O Excel fecha. O caixa é que cobra. Enquanto o Brasil não entregar previsibilidade fiscal e regulatória, o prêmio de risco permanecerá elevado, mesmo com o petróleo em alta e a Petrobras reportando descobertas. O ganho setorial não compensa a falta de ambiente sistêmico favorável.

Assista à entrevista completa da BM&C News neste link: https://www.youtube.com/watch?v=6kpwQRyx6TM

PETROLEO
Foto: Gerada por IA