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ECONOMIA

Streaming em 2026: o que CBS e IBS mudam na assinatura

Veja o calendário da transição, a faixa atual do ISS e por que ainda não há base oficial para calcular reajustes na mensalidade.

Não há base oficial para afirmar que o streaming ficará mais caro ou mais barato em 2026. A fase de teste prevê 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, mas esses percentuais não são a alíquota definitiva nem podem ser adicionados automaticamente à mensalidade.

A mudança começou com a Emenda Constitucional nº 132/2023, que criou o IVA dual formado pela CBS federal e pelo IBS de estados e municípios. A Lei Complementar nº 214/2025 regulamentou os novos tributos, que alcançarão os serviços digitais durante a transição.

O streaming vai ficar mais caro em 2026?

Não é possível responder com um percentual de reajuste. Os textos legais consultados não fixam uma alíquota definitiva e específica para assinaturas de streaming. Também não informam quanto cada plataforma aproveitará em créditos nem qual parcela de eventual mudança tributária será repassada ao assinante.

Os percentuais de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS em 2026 pertencem à etapa inicial do novo sistema, com as compensações previstas na transição. Portanto, não representam necessariamente um acréscimo líquido sobre o preço exibido ao consumidor.

Uma projeção exigiria preencher a seguinte estrutura:

Preço final projetado = preço líquido preservado pela plataforma + CBS e IBS – créditos ou reduções aplicáveis.

A LC nº 214/2025 estabelece a não cumulatividade de CBS e IBS, mas as fontes disponíveis não trazem os dados econômicos de cada plataforma necessários para completar essa conta.

Quanto de ISS pode existir em uma assinatura de R$ 50?

O streaming já possui enquadramento relevante no item 1.09 da lista de serviços da Lei Complementar nº 116/2003. O dispositivo abrange a disponibilização pela internet, sem cessão definitiva, de conteúdos de áudio, vídeo, imagem e texto, observadas as exceções legais.

O ISS possui piso geral de 2% e teto de 5%. A alíquota concreta depende da legislação municipal, do local de incidência e do enquadramento da operação.

Hipótese meramente aritméticaCálculo sobre R$ 50,00Resultado
Piso legal do ISSR$ 50,00 × 2%R$ 1,00
Teto legal do ISSR$ 50,00 × 5%R$ 2,50

Essa simulação mostra apenas a aplicação matemática da faixa do ISS. Ela não revela a carga tributária total da assinatura, o imposto efetivamente recolhido por uma plataforma nem o preço futuro sob CBS e IBS.

Por que não basta comparar o ISS com o novo IVA?

A comparação direta é incompleta porque o novo sistema também substitui tributos federais e permite a apropriação de créditos. A LC nº 214/2025 estrutura CBS e IBS como tributos não cumulativos, enquanto a situação atual varia conforme o regime tributário e as operações de cada empresa.

A informação incômoda é que nem a futura alíquota nominal resolverá sozinha a dúvida do consumidor. Um aumento de tributação não se transforma automaticamente em reajuste idêntico da mensalidade. A plataforma pode repassar todo, parte ou nenhum efeito, e os textos legais não apresentam uma hipótese oficial de repasse.

Também seria incorreto tratar a faixa de 2% a 5% do ISS como toda a carga atual e confrontá-la apenas com CBS e IBS. Sem informações sobre tributos federais, base de cálculo, créditos e regime da empresa, o resultado produziria falsa precisão.

Qual é o calendário da reforma para o streaming?

MarcoO que muda
29 de dezembro de 2016Inclusão do item 1.09 na lista do ISS, com o enquadramento relevante para streaming.
20 de dezembro de 2023Promulgação da EC nº 132/2023, que criou CBS e IBS.
16 de janeiro de 2025Sanção da LC nº 214/2025, que instituiu e regulamentou os novos tributos.
2026Fase de teste com 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, observadas as compensações da transição.
2027Etapa prevista para extinção de PIS e Cofins e entrada da CBS em sua sistemática de referência.
2029 a 2032Substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS.
2033Conclusão prevista da transição geral para o novo modelo.

Como avaliar um reajuste da assinatura?

1. Registre o preço atual do mesmo plano e as condições de cobrança para ter uma base comparável.
2. Separe reajuste comercial de mudança tributária. Um novo preço não demonstra, por si só, que a diferença decorreu de CBS ou IBS.
3. Não acrescente 0,9% e 0,1% automaticamente à mensalidade. São percentuais da fase de teste, não uma previsão de aumento líquido.
4. Exija premissas em qualquer simulação. A conta deve identificar preço líquido, tributos considerados, créditos e percentual de repasse.

Uma estimativa segura dependerá da definição oficial das alíquotas de referência e de dados concretos da plataforma. Até lá, a faixa atual do ISS e os percentuais de teste servem para explicar a transição, não para antecipar o próximo preço da assinatura.

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Créditos: depositphotos.com / rafapress