O Brasil e Estados Unidos devem retomar nesta semana as negociações sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros. As conversas foram destravadas após o telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial americano, Jamieson Greer, devem realizar uma reunião virtual, com participação do Itamaraty. As tratativas estavam suspensas desde 14 de julho.
O governo brasileiro considera difícil uma reversão integral das sobretaxas, mas pretende negociar a ampliação da lista de produtos isentos. Atualmente, 8,6 mil empresas estão sujeitas às medidas e 47,3% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos sofrem algum tipo de sobretaxa.
O que mudou após a ligação entre Lula e Trump?
Lula afirmou que a conversa com Trump produziu resultados na relação bilateral. O presidente norte-americano determinou que integrantes dos dois governos retomassem as negociações.
Durante o telefonema, Lula contestou as justificativas utilizadas por Washington para impor as novas tarifas e defendeu a preservação do comércio entre os dois países.
Apesar da retomada do diálogo, o Brasil mantém aberto o processo previsto na Lei de Reciprocidade. A estratégia combina instrumentos de pressão com a busca por uma saída negociada para as tarifas Brasil EUA.
Por que minerais críticos entraram na negociação?
Minerais críticos e terras raras também passaram a integrar a agenda bilateral. Lula afirmou que o Brasil está disposto a cooperar com os Estados Unidos na exploração desses recursos.
A posição brasileira é de que o país não deve se limitar à exportação de matérias-primas. O governo quer ampliar o processamento interno e utilizar os minerais na produção de baterias, celulares e semicondutores.
Um documento com essa posição já foi entregue a Washington. A discussão pode ampliar o alcance das negociações sobre as tarifas Brasil EUA e abrir espaço para investimentos na produção industrial brasileira.
















