As condições para concessão de crédito no Brasil ficaram mais restritivas no segundo trimestre de 2026, enquanto instituições financeiras discutem mudanças no financiamento imobiliário e o BNDES amplia a liberação de recursos.
Pesquisa do Banco Central aponta a inadimplência entre os principais fatores que limitam a oferta de recursos para empresas e consumidores.
A menor tolerância ao risco e o aumento do custo de captação também influenciaram as decisões das instituições financeiras.
Por que os bancos estão restringindo a concessão de crédito?
A combinação entre inadimplência, juros elevados e maior custo de captação aumentou a cautela das instituições.
Mesmo nesse ambiente, a demanda no mercado de crédito continua elevada, principalmente pela necessidade de capital de giro.
Entre micro, pequenas e médias empresas, o indicador de procura por capital de giro avançou no segundo trimestre e deve crescer novamente.
Os bancos esperam que a demanda continue forte no terceiro trimestre, apesar dos critérios mais rígidos para novas concessões.
Por que os bancos querem mudar o teto do financiamento imobiliário?
Grandes bancos pressionam o Banco Central para rever o teto de juros previsto no novo modelo de financiamento imobiliário.
A regra limita a 12% ao ano, mais TR, as taxas das operações enquadradas no Sistema Financeiro de Habitação.
As instituições afirmam que, com a Selic em 14%, o custo de captação aumentou e reduziu a atratividade dessas operações.
O novo modelo busca diminuir a dependência da poupança e ampliar o uso de recursos provenientes do mercado de capitais.
O teto pode reduzir a oferta de financiamento imobiliário?
Os bancos avaliam que um limite rígido pode restringir a disponibilidade de crédito habitacional.
O Banco Central admite que alguns pontos do sistema ainda poderão ser revistos ao longo da implementação, prevista para ser concluída em 2027.
Quanto o BNDES liberou no primeiro semestre?
Enquanto o crédito bancário fica mais restritivo, o BNDES ampliou os desembolsos.
A instituição liberou R$ 75,6 bilhões no primeiro semestre, aumento real de 31,2% e maior volume para o período desde 2015.
A infraestrutura concentrou R$ 28,5 bilhões dos recursos.
A expansão do BNDES interfere na política monetária?
A ampliação do crédito público reabriu a discussão sobre os efeitos da atuação do BNDES enquanto o Banco Central mantém juros elevados para conter a demanda e a inflação.
Parte dos economistas considera que a expansão do crédito público estimula a atividade econômica ao mesmo tempo em que a política monetária tenta produzir o efeito contrário.
O BNDES contesta essa interpretação e argumenta que seus financiamentos representam 1,4% do PIB e contribuem para ampliar a capacidade produtiva do país.
