A LAT.BUS 2026 começou nesta terça-feira (11), no São Paulo Expo, com expectativa de movimentar cerca de R$ 5 bilhões em negócios até quinta-feira (13). A feira reúne empresas da indústria de ônibus, operadores de transporte, fabricantes de componentes e fornecedores de tecnologia.
A projeção repete o volume de negócios registrado na edição de 2024, quando aproximadamente 4.500 ônibus foram comercializados durante o evento.
Neste ano, a organização ampliou o espaço dedicado à negociação de veículos e criou uma área específica para a comercialização de ônibus seminovos pertencentes a frotas de empresas como Viação Santa Cruz, Viação Garcia e Grupo JCA.
A iniciativa busca aproximar empresas que renovam suas frotas de operadores interessados na aquisição de veículos usados.
LAT.BUS acontece em cenário de avanço do financiamento
A feira ocorre em um momento de crescimento do financiamento de caminhões e ônibus no país.
Dados da B3/Trillia mostram que 24 mil unidades foram financiadas em junho, aumento de 7% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 6% na comparação com maio deste ano.
Entre os veículos novos, foram financiadas 13 mil unidades, crescimento de 33,2% na comparação anual.
Os usados somaram 11 mil unidades financiadas, avanço de aproximadamente 20% sobre junho do ano passado.
O setor também conta com mecanismos de crédito voltados à renovação das frotas, entre eles linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o programa Move Brasil.
A segunda fase do programa federal disponibilizou R$ 21,2 bilhões em crédito subsidiado para a aquisição de caminhões, ônibus e implementos.
Desse montante, uma parcela de cerca de R$ 2 bilhões destinada aos frotistas de ônibus ainda não teria sido concedida integralmente.
Venda de chassis recua 10,7% em 2026
Apesar do crescimento dos financiamentos, o mercado de ônibus registra retração nas vendas.
Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 12,5 mil chassis de ônibus foram comercializados no Brasil entre janeiro e julho de 2026.
O volume representa queda de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Nesse cenário, a LAT.BUS também funciona como espaço para fabricantes apresentarem novos produtos e tecnologias voltadas à renovação das frotas.
Ônibus elétricos ganham espaço na LAT.BUS 2026
A eletrificação está entre os principais temas da edição deste ano.
A Volkswagen Caminhões e Ônibus apresenta os modelos elétricos e-Volksbus 22H e e-Volksbus 18H, ambos com lançamento comercial previsto para 2027.
O e-Volksbus 22H é um modelo de piso alto destinado ao transporte urbano e preparado para aplicações em sistemas BRT.
Já o e-Volksbus 18H é voltado ao segmento de fretamento e utiliza a mesma base tecnológica do 22H, com configuração de baterias adaptada a esse tipo de operação.
A Mercedes-Benz também apresenta uma novidade no segmento elétrico. O eO500UA é um chassi articulado de aproximadamente 18 metros.
O modelo ocupa uma faixa intermediária entre os ônibus elétricos padron, com comprimento de 12 a 14 metros, e os superarticulados, que chegam a aproximadamente 23 metros.
Scania aposta em elétrico, biometano e GNV
A Scania leva à LAT.BUS um novo modelo elétrico ainda inédito no Brasil.
A empresa também apresenta um chassi desenvolvido no padrão da SPTrans e preparado para operar com biometano ou gás natural veicular, o GNV.
Outra novidade é a nova geração de chassis da família Super, equipada com motores de 11 e 13 litros.
Marcopolo apresenta ônibus híbrido com etanol
A Marcopolo, que ocupa a maior área de exposição da feira, apresenta novidades em sua linha de veículos.
A linha Volare passa a contar com opção de câmbio automático em toda a gama.
A companhia também leva ao evento uma versão híbrida do ônibus Attack 10.
O modelo utiliza tecnologias desenvolvidas pela Horse Powertrain e pela WEG e adota arquitetura do tipo REX, ou extensor de autonomia.
Nesse sistema, a tração é 100% elétrica, enquanto a geração de energia utiliza etanol.
Além da eletrificação, a edição de 2026 da LAT.BUS coloca em discussão o uso de combustíveis de menor emissão, financiamento de veículos, renovação de frotas e eficiência operacional no transporte coletivo.















