A proibição de qualquer vídeo ou propaganda eleitoral de candidato produzido com inteligência artificial nas eleições de 2026 é defendida por 49,8% dos entrevistados na pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira (11). Outros 34,3% apoiam uma restrição limitada aos conteúdos com IA que tragam notícias falsas sobre candidatos.
A pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte, em parceria com o Instituto MDA Pesquisa. O trabalho de campo presencial ocorreu entre 5 e 8 de agosto, em municípios de todas as regiões.
O que os entrevistados responderam?
As respostas mostram quatro posições sobre o uso de inteligência artificial em vídeos e propagandas eleitorais de candidatos.
| Posição sobre propaganda eleitoral com IA | Percentual |
|---|---|
| Proibir qualquer vídeo ou propaganda eleitoral de candidato produzido com IA | 49,8% |
| Proibir apenas conteúdos com IA que tragam notícias falsas sobre candidatos | 34,3% |
| Liberar esse tipo de material | 8,9% |
| Não responderam | 7% |
A soma das duas primeiras respostas chega a 84,1%. Esse total reúne os entrevistados que defendem algum tipo de restrição, mas não significa que todos apoiem a mesma regra.
Por que 84,1% não representa apoio ao veto total?
Os 84,1% agregam duas posições diferentes. O primeiro grupo, de 49,8%, defende uma proibição geral, alcançando qualquer vídeo ou propaganda eleitoral de candidato produzido com inteligência artificial.
O segundo grupo, de 34,3%, limita a restrição aos conteúdos feitos com IA que tragam notícias falsas sobre candidatos. Essa alternativa não equivale a impedir todo uso da tecnologia na propaganda eleitoral.
Por isso, o percentual de apoio ao veto geral é de 49,8%. O índice de 84,1% deve ser apresentado como apoio a alguma restrição, seja ampla ou limitada. A distinção evita transformar duas respostas diferentes em uma única posição.
O que um veto geral também alcançaria?
Pelo levantamento, a proibição geral não depende de o conteúdo trazer uma notícia falsa. Ela alcançaria qualquer vídeo ou propaganda eleitoral de candidato produzido com IA.
Essa é a diferença central em relação à restrição defendida por 34,3%, que tem como critério a presença de notícias falsas sobre candidatos. A primeira posição se concentra na tecnologia utilizada para produzir o material. A segunda se concentra no conteúdo divulgado.
O resultado, portanto, revela apoio maior a algum controle do que a uma proibição integral. Também mostra que 8,9% defendem a liberação desse tipo de material, enquanto 7% não responderam.
A pesquisa muda as regras das eleições de 2026?
Não. O levantamento mede a opinião dos entrevistados e não cria, revoga ou altera uma norma eleitoral. Os percentuais também não substituem as decisões do Tribunal Superior Eleitoral sobre propaganda e uso de inteligência artificial.
Para saber quais regras efetivamente se aplicam ao pleito, a referência deve ser a documentação da Justiça Eleitoral. O TSE mantém uma página oficial com as normas e documentações das eleições de 2026.
A diferença é prática: a pesquisa indica como os entrevistados preferem que o tema seja tratado, enquanto as resoluções do TSE definem as obrigações aplicáveis às campanhas.
Quais são os limites para interpretar os percentuais?
O material disponível não informa o tamanho da amostra, a margem de erro nem o nível de confiança. Sem esses dados, não é possível avaliar pelo material apresentado o grau de precisão estatística dos percentuais.
A leitura mais segura é tratar os números como a distribuição das respostas registradas no levantamento. Também não se deve usar esse recorte como medida de intenção de voto ou de apoio a candidatos, pois a pergunta apresentada trata especificamente da produção de propaganda eleitoral com inteligência artificial.
Na prática, o leitor deve separar três informações: 49,8% apoiam o veto geral, 34,3% defendem uma restrição limitada a conteúdos com notícias falsas e 84,1% é a soma dos dois grupos. Para verificar o que será permitido ou proibido na campanha, a consulta deve ser feita diretamente nas normas publicadas pelo TSE.















