A quarta semana de agosto começa com uma combinação de eventos capazes de mexer com juros, câmbio, Bolsa e commodities. No Brasil, o foco estará na prévia da inflação, no mercado de trabalho e nos dados fiscais. Nos Estados Unidos, os investidores acompanham o PCE, a segunda leitura do PIB, o balanço da Nvidia e o Simpósio de Jackson Hole.
O encontro em Jackson Hole, entre quinta-feira (27) e sábado (29), será o principal evento de política monetária da semana. O simpósio reúne presidentes de bancos centrais, economistas e autoridades monetárias de diferentes países. Para os mercados, o ponto central será identificar se os dirigentes do Federal Reserve darão novos sinais sobre inflação, crescimento e juros.
A agenda americana ganha peso adicional porque ocorre após uma semana de alta dos rendimentos dos Treasuries e intervenção do Tesouro no mercado de títulos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, dobrou o tamanho das recompras planejadas para alguns papéis de longo prazo. O movimento chegou a aliviar os rendimentos, mas parte do efeito foi revertida pelo mercado.
Na avaliação de Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market, da BM&C News, os dados americanos podem orientar a leitura sobre os próximos passos do Fed. “Nos Estados Unidos, dados importantes, o PCI ou PCE, como preferirem, que é o dado importantíssimo aí utilizado pelo FED para medir os números de inflação. Ele vai dar um norte para os próximos passos do FED.”
Nos Estados Unidos, a terça-feira (25) terá o índice de atividade nacional do Fed de Chicago e a confiança do consumidor do Conference Board. Na quinta-feira (27), serão divulgados a segunda leitura do PIB americano e os pedidos de seguro-desemprego. Na sexta-feira (28), o mercado acompanha os dados de renda pessoal, gastos do consumidor, PCE e as pesquisas de confiança e expectativas de inflação da Universidade de Michigan.
O PCE será observado como o principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed. Em um ambiente de juros elevados, qualquer sinal de pressão nos preços pode reforçar a cautela da autoridade monetária. Já o PIB ajudará a medir se a economia americana segue resiliente ou começa a perder ritmo.
A quarta-feira (26) também terá um dos eventos corporativos mais aguardados da temporada: o balanço da Nvidia, após o fechamento dos mercados. A empresa é considerada referência para as teses de inteligência artificial e semicondutores. O resultado pode influenciar o desempenho das bolsas americanas e o apetite por risco em tecnologia.
No Brasil, a semana será marcada por indicadores de inflação, emprego e contas públicas. Na quarta-feira (26), o IBGE divulga o IPCA-15 de agosto, considerado a prévia da inflação oficial. O dado será importante para medir a trajetória dos preços e seus efeitos sobre a curva de juros.
Na quinta-feira (27), sai a PNAD Contínua, com dados do mercado de trabalho e da taxa de desemprego. Na sexta-feira (28), serão divulgados o Caged, o IGP-M e os dados fiscais do governo, incluindo a relação entre dívida bruta e PIB.
A agenda fiscal terá peso relevante para os ativos domésticos. A dívida pública, o resultado fiscal e a percepção sobre o cenário eleitoral seguem como fatores de volatilidade para juros futuros, câmbio e Ibovespa. O mercado também acompanha debates, pesquisas eleitorais e a repercussão do Datafolha divulgado no fim de semana.
O fluxo estrangeiro na B3 continua no radar. Investidores estrangeiros retiraram R$ 1,582 bilhão da Bolsa na terça-feira (19). Com isso, agosto acumula saída de aproximadamente R$ 22,0 bilhões, enquanto o saldo em 2026 permanece positivo em R$ 14,4 bilhões.
Entre os investidores institucionais, houve entrada de R$ 1,030 bilhão na Bolsa no dia 18 de agosto. No mês, o saldo está positivo em R$ 13,6 bilhões, mas no ano há retirada líquida de R$ 22,7 bilhões.
Na Europa, os destaques serão os dados de PIB do segundo trimestre da França e da Alemanha, além de indicadores de confiança do consumidor. Na quinta-feira, será divulgada a ata da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu, que manteve a taxa básica de juros inalterada.
Na Ásia, o Japão terá CPI de Tóquio, inflação ao consumidor e taxa de desemprego. Na China, a agenda será mais fraca, com destaque para os lucros industriais acumulados no ano até julho. Também entram no radar o CPI de Singapura e os dados de produção industrial acumulada da Índia. Indonésia e Malásia terão feriado na terça-feira.
Além da agenda econômica, os investidores monitoram o conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo, a valorização recente do Bitcoin e a rolagem dos contratos futuros de câmbio no fim da semana. A combinação entre inflação, dívida pública, tecnologia e política monetária deve manter os mercados sensíveis a novas informações.
















