A reorganização da cadeia produtiva voltou ao centro da estratégia de empresas de bens duráveis no Brasil. Depois de um período marcado por alta de custos, mudanças tributárias e maior pressão sobre margens, companhias passaram a avaliar a produção nacional como forma de reduzir despesas, ganhar previsibilidade operacional e ampliar canais de venda.
Esse movimento aparece no setor de bicicletas elétricas. O Grupo Lev concluiu a centralização da montagem dos produtos das marcas LEV e ONN em uma unidade fabril em Manaus, projeto iniciado há dois anos. Segundo a empresa, a mudança gerou ganho estimado de 18% na margem bruta da operação.
A decisão ocorre em um contexto de ajustes no modelo produtivo. De acordo com o grupo, a pandemia elevou custos da operação e a perda de benefícios fiscais para bicicletas elétricas, existentes até 2021, exigiu uma nova estrutura para preservar rentabilidade.
“A fábrica de Manaus representa um marco para o Grupo. Após a pandemia, enfrentamos um aumento expressivo de custos e, ao mesmo tempo, perdemos os benefícios fiscais para bicicletas elétricas que existiam até 2021. Precisávamos encontrar uma alternativa para continuar crescendo com rentabilidade”, afirmou Aneliza Lima, CFO do Grupo Lev.
A produção nacional também amplia a capacidade de resposta da empresa diante da demanda. Atualmente, a fábrica opera com cerca de 15% de sua capacidade total, o que indica espaço para aumento de produção sem necessidade imediata de grandes investimentos em estrutura.
A unidade pode operar em três turnos, com 102 montadores e duas linhas de produção. A capacidade informada pela empresa é de até 14.938 unidades por mês da LEV e 9.702 unidades por mês da ONN. Para este ano, a projeção é encerrar com aproximadamente 36 mil unidades produzidas.
Além do efeito sobre custos, a centralização da montagem mudou a estratégia comercial. Com uma estrutura de produção mais competitiva, o grupo passou a ampliar a atuação no mercado B2B, em lojas especializadas e em grandes redes varejistas.
A vertical B2B deve representar cerca de 17% da receita total da LEV nos próximos ciclos. Para este ano, a projeção é de aproximadamente R$ 50 milhões em receita nessa frente, segundo a empresa. O avanço no B2B mostra uma tentativa de diversificar canais e reduzir a dependência da venda direta. Para empresas de bens duráveis, esse movimento exige escala, previsibilidade de entrega e controle maior sobre custos de produção.














