O Comitê de Política Monetária do Banco Central definiu na noite desta quarta-feira (5), um corte de 0.25 pontos, fixando a taxa Selic em 14% ao ano. A decisão altera a referência de todo o crédito da economia brasileira, mas o efeito no bolso não é imediato nem igual para todas as dívidas.
A taxa vinha de 14,25% ao ano, patamar alcançado após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual nas reuniões de março, abril e junho. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (3) passou a projetar a Selic em 13,75% ao ano no fim de 2026, primeira revisão para baixo desde março.
O que muda no financiamento imobiliário
Quem já tem financiamento contratado com taxa fixa não sente nada. O contrato assinado vale até o fim, independentemente do que o Copom decida.
O efeito aparece em contratos novos e nas linhas atreladas à taxa referencial ou à própria Selic. Bancos costumam levar de semanas a meses para repassar a queda do juro básico às tabelas de crédito imobiliário, porque a captação via poupança e via letras de crédito não se ajusta na mesma velocidade.
Dados mais recentes disponíveis no comparador do Banco Central, referentes a junho de 2026.
Financiamento com taxas de mercado — pós-fixado pela TR
| Banco | Taxa média mensal | Taxa média anual |
|---|---|---|
| Bradesco | 0,86% a.m. | 10,82% a.a. |
| Itaú | 0,95% a.m. | 11,98% a.a. |
| Caixa | 0,95% a.m. | 12,05% a.a. |
| Santander | 1,00% a.m. | 12,67% a.a. |
| Banco do Brasil | 1,13% a.m. | 14,38% a.a. |
Nessa modalidade, entre os cinco bancos consultados, o Bradesco apresentou a menor taxa média, enquanto o Banco do Brasil registrou a maior.
Financiamento com taxas reguladas — pós-fixado pela TR
Essa categoria inclui operações enquadradas em regras específicas, normalmente relacionadas ao Sistema Financeiro da Habitação:
| Banco | Taxa média mensal | Taxa média anual |
|---|---|---|
| Caixa | 0,65% a.m. | 8,06% a.a. |
| Banco do Brasil | 0,81% a.m. | 10,21% a.a. |
| Bradesco | 0,83% a.m. | 10,49% a.a. |
| Santander | 0,93% a.m. | 11,80% a.a. |
| Itaú | 0,94% a.m. | 11,85% a.a. |
A comparação correta depende do enquadramento da operação. Nas linhas reguladas, a Caixa apresenta uma taxa média significativamente menor.
O que muda no consignado
O consignado do INSS tem teto definido pelo Conselho Nacional de Previdência Social, que se reúne periodicamente para revisar o limite conforme o patamar da Selic.
Teto vigente do consignado do INSS
- Empréstimo consignado convencional: 1,85% ao mês
- Cartão de crédito consignado e cartão consignado de benefício: 2,46% ao mês
Esses limites foram estabelecidos pela Resolução CNPS/MPS nº 1.368, de 26 de março de 2025, publicada no Diário Oficial da União em 28 de março de 2025, e continuam vigentes.
Já o consignado privado, incluindo a modalidade para trabalhadores CLT, acompanha o custo de captação dos bancos com mais liberdade. A queda tende a aparecer, mas de forma desigual entre instituições, o que torna a comparação entre bancos mais relevante do que a própria decisão do Copom.
O que não muda: o rotativo do cartão
Este é o ponto que quase nenhuma cobertura explica com clareza.
O rotativo do cartão de crédito opera em patamar muito acima da Selic e praticamente não reage a cortes de 0,25 ponto. Puxar a taxa média mais recente do rotativo na série do Banco Central. O crédito rotativo tem hoje limite legal que impede que a dívida total ultrapasse o dobro do valor original, mas isso não torna a linha barata.
Na prática, quem tem dívida no rotativo não deve esperar que a política monetária resolva o problema. Trocar essa dívida por uma linha mais barata, como o consignado ou o crédito com garantia, continua sendo a decisão de maior impacto financeiro disponível ao consumidor, independentemente do que o Copom faça.
O que muda nos seus investimentos
Com a Selic em patamar de dois dígitos, a poupança rende 0,5% ao mês mais a taxa referencial, o que equivale a aproximadamente 6,17% ao ano mais TR. A regra dos 70% da Selic só passa a valer quando a taxa básica cai para 8,5% ao ano ou menos, cenário distante das projeções atuais.
Isso significa que a poupança continua perdendo para aplicações pós-fixadas de renda fixa mesmo com o juro em queda, e a diferença permanece relevante enquanto a Selic estiver nesse nível.
Quem investe em títulos prefixados ou indexados à inflação tende a se beneficiar da sinalização de novos cortes, já que a queda esperada dos juros valoriza esses papéis. Já quem está em pós-fixados vê a rentabilidade acompanhar a Selic para baixo, ainda que em patamar historicamente alto.
Assista abaixo a análise do Economista Marco Saravalle sobre a decisão do Copom.













