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Selic a 14%: o que muda no financiamento, no consignado e no cartão

Paula MoraesPor Paula Moraes
06/08/2026

O Comitê de Política Monetária do Banco Central definiu na noite desta quarta-feira (5), um corte de 0.25 pontos, fixando a taxa Selic em 14% ao ano. A decisão altera a referência de todo o crédito da economia brasileira, mas o efeito no bolso não é imediato nem igual para todas as dívidas.

A taxa vinha de 14,25% ao ano, patamar alcançado após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual nas reuniões de março, abril e junho. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (3) passou a projetar a Selic em 13,75% ao ano no fim de 2026, primeira revisão para baixo desde março.

O que muda no financiamento imobiliário

Quem já tem financiamento contratado com taxa fixa não sente nada. O contrato assinado vale até o fim, independentemente do que o Copom decida.

O efeito aparece em contratos novos e nas linhas atreladas à taxa referencial ou à própria Selic. Bancos costumam levar de semanas a meses para repassar a queda do juro básico às tabelas de crédito imobiliário, porque a captação via poupança e via letras de crédito não se ajusta na mesma velocidade.

Dados mais recentes disponíveis no comparador do Banco Central, referentes a junho de 2026.

Financiamento com taxas de mercado — pós-fixado pela TR

BancoTaxa média mensalTaxa média anual
Bradesco0,86% a.m.10,82% a.a.
Itaú0,95% a.m.11,98% a.a.
Caixa0,95% a.m.12,05% a.a.
Santander1,00% a.m.12,67% a.a.
Banco do Brasil1,13% a.m.14,38% a.a.

Nessa modalidade, entre os cinco bancos consultados, o Bradesco apresentou a menor taxa média, enquanto o Banco do Brasil registrou a maior.

Financiamento com taxas reguladas — pós-fixado pela TR

Essa categoria inclui operações enquadradas em regras específicas, normalmente relacionadas ao Sistema Financeiro da Habitação:

BancoTaxa média mensalTaxa média anual
Caixa0,65% a.m.8,06% a.a.
Banco do Brasil0,81% a.m.10,21% a.a.
Bradesco0,83% a.m.10,49% a.a.
Santander0,93% a.m.11,80% a.a.
Itaú0,94% a.m.11,85% a.a.

A comparação correta depende do enquadramento da operação. Nas linhas reguladas, a Caixa apresenta uma taxa média significativamente menor.

O que muda no consignado

O consignado do INSS tem teto definido pelo Conselho Nacional de Previdência Social, que se reúne periodicamente para revisar o limite conforme o patamar da Selic.

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Teto vigente do consignado do INSS

  • Empréstimo consignado convencional: 1,85% ao mês
  • Cartão de crédito consignado e cartão consignado de benefício: 2,46% ao mês

Esses limites foram estabelecidos pela Resolução CNPS/MPS nº 1.368, de 26 de março de 2025, publicada no Diário Oficial da União em 28 de março de 2025, e continuam vigentes.

Já o consignado privado, incluindo a modalidade para trabalhadores CLT, acompanha o custo de captação dos bancos com mais liberdade. A queda tende a aparecer, mas de forma desigual entre instituições, o que torna a comparação entre bancos mais relevante do que a própria decisão do Copom.

O que não muda: o rotativo do cartão

Este é o ponto que quase nenhuma cobertura explica com clareza.

O rotativo do cartão de crédito opera em patamar muito acima da Selic e praticamente não reage a cortes de 0,25 ponto. Puxar a taxa média mais recente do rotativo na série do Banco Central. O crédito rotativo tem hoje limite legal que impede que a dívida total ultrapasse o dobro do valor original, mas isso não torna a linha barata.

Na prática, quem tem dívida no rotativo não deve esperar que a política monetária resolva o problema. Trocar essa dívida por uma linha mais barata, como o consignado ou o crédito com garantia, continua sendo a decisão de maior impacto financeiro disponível ao consumidor, independentemente do que o Copom faça.

O que muda nos seus investimentos

Com a Selic em patamar de dois dígitos, a poupança rende 0,5% ao mês mais a taxa referencial, o que equivale a aproximadamente 6,17% ao ano mais TR. A regra dos 70% da Selic só passa a valer quando a taxa básica cai para 8,5% ao ano ou menos, cenário distante das projeções atuais.

Isso significa que a poupança continua perdendo para aplicações pós-fixadas de renda fixa mesmo com o juro em queda, e a diferença permanece relevante enquanto a Selic estiver nesse nível.

Quem investe em títulos prefixados ou indexados à inflação tende a se beneficiar da sinalização de novos cortes, já que a queda esperada dos juros valoriza esses papéis. Já quem está em pós-fixados vê a rentabilidade acompanhar a Selic para baixo, ainda que em patamar historicamente alto.

Assista abaixo a análise do Economista Marco Saravalle sobre a decisão do Copom.

Taxa-Selic

Taxa SELIC

Tags: CopomcréditojurosSelic

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