O Brasil vive um dos ciclos de juros elevados mais longos de sua história recente. Com a Selic mantida em 14,25% ao ano, a renda fixa voltou ao centro das carteiras, e o investidor pessoa física redescobriu o hábito de emprestar dinheiro em troca de remuneração previsível.
A maioria, porém, ainda concentra as aplicações em títulos bancários tradicionais, deixando de lado uma classe que cresce de forma consistente no mercado de capitais brasileiro: os investimentos alternativos e de crédito privado.
O raciocínio por trás dessa classe é direto. Em vez de aplicar em um título emitido por um banco, que capta recursos para depois emprestar com margem, o investidor investe diretamente em projetos da economia real por meio de plataformas, em instrumentos como debêntures, notas comerciais e certificados de recebíveis.
Ao reduzir a intermediação bancária, parte da margem que ficaria com a instituição financeira pode ser convertida em remuneração para quem investe. Mas esse não é o único fator. O mercado de crédito privado também permite diversificar o patrimônio em ativos selecionados, nos quais garantias, prazo, liquidez e risco de crédito trabalham em conjunto para definir a remuneração de cada oportunidade.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) protege depósitos bancários até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Já as operações de crédito privado não contam com essa cobertura.
Parte dessas operações, no entanto, possui mecanismos próprios de mitigação de risco, definidos contratualmente antes da aplicação. Entendê-los é o primeiro passo para avaliar risco com critério.
“O movimento que observamos é de amadurecimento. O investidor que já domina os produtos tradicionais passa a buscar o degrau seguinte: operações que podem render mais por investir em projetos da economia real. A pergunta deixou de ser apenas quanto rende e passou a incluir o que sustenta essa rentabilidade”, afirma Daniel Miari, cofundador e CMO da INCO.
Por meio de plataformas de investimento coletivo como a INCO, o investidor pode analisar características, riscos, prazos e garantias de cada oportunidade antes de investir diretamente em empresas e projetos da economia real, sem a intermediação bancária tradicional.
As garantias variam conforme a operação e são detalhadas na estrutura da operação e nos documentos à disposição dos investidores. Podem incluir aval dos sócios, alienação fiduciária de bens e cessão fiduciária de recebíveis. Em alguns casos, há também uma razão mínima de garantia, que indica o volume de ativos vinculados em relação ao valor captado.
Outro mecanismo relevante é a diversificação. Em vez de concentrar o risco em um único tomador, o investidor tem acesso a diversas empresas e projetos para distribuir o capital.
A lógica é semelhante à de um banco: ao conceder múltiplos créditos, o risco deixa de ser binário e passa a ser mensurável e gerenciável.
Além da diversificação, parte das operações conta com garantias adicionais. O aval pessoal, por exemplo, torna os sócios corresponsáveis pela dívida, permitindo que sejam acionados em caso de inadimplência.
Já a cessão fiduciária de recebíveis transfere os direitos creditórios para o veículo de investimento.
Esses mecanismos podem reduzir a perda esperada e ampliar as chances de recuperação, mas não eliminam o risco. A execução de garantias pode levar tempo e não assegurar a recuperação integral do valor investido.
Na prática, o histórico das plataformas ajuda a dimensionar esse risco. Na INCO, que reúne mais de 640 mil investidores cadastrados, apenas 1,7% dos pagamentos estão em atraso.
“Quando explicamos esses mecanismos para quem está investindo pela primeira vez, o que mais surpreende é que eles não dependem de promessas: estão escritos no contrato. A taxa importa, mas é a estrutura que mostra como o investidor está posicionado se as coisas saírem diferente do planejado”, afirma Daniel Miari.
Ao analisar uma operação de crédito privado, é recomendável observar: risco, garantias envolvidas, prazo e liquidez.
Todas as informações sobre a estrutura e as características das operações constam nos documentos da operação, disponíveis na plataforma para que o investidor tenha acesso e possa fazer a própria análise.
A leitura desses materiais é o que diferencia uma decisão consciente de uma escolha baseada apenas na taxa.
Historicamente, avaliar estruturas de crédito era um privilégio de investidores institucionais. Com o avanço das plataformas registradas na CVM, esse acesso foi ampliado.
Hoje, o investidor pessoa física pode acessar operações estruturadas diretamente pelo celular, com aplicações a partir de R$ 500.
Esse acesso também facilita um hábito que costuma pesar mais do que a escolha de uma operação isolada: diversificar. Distribuir os aportes entre diferentes setores, prazos e tipos de ativo ajuda a equilibrar os riscos da carteira e a reduzir o impacto de uma perda em uma única operação.
A INCO, especializada na estruturação e distribuição de crédito privado, é uma das plataformas que protagonizam esse movimento, aproximando investidores de operações lastreadas em recebíveis de pequenas e médias empresas.


