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Fim da Taxa das Blusinhas ameaça 109 mil empregos no Brasil

O fim do Imposto de Importação de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50 ameaça 109 mil empregos no Brasil, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria. O impacto se soma à perda de outros 70 mil postos de trabalho desde dezembro, de acordo com o Instituto para Desenvolvimento do Varejo.

Os números colocam o emprego no centro da discussão sobre a chamada Taxa das Blusinhas. A retirada da alíquota amplia a vantagem tributária das plataformas estrangeiras, reduz a competitividade das empresas instaladas no Brasil e aumenta a pressão sobre fábricas, lojas, fornecedores e trabalhadores.

Representantes do comércio, da indústria e dos trabalhadores defendem a igualdade de condições tributárias. Diante do avanço da retirada do imposto de importação, também propõem uma compensação tributária para produtos nacionais de até R$ 250, com o objetivo de preservar empresas e postos de trabalho.

Por que o fim da taxa ameaça empregos?

Empresas brasileiras recolhem tributos em diferentes etapas da produção e da comercialização. Também mantêm fábricas, lojas, centros de distribuição e equipes contratadas no país, além de cumprir obrigações trabalhistas, ambientais, regulatórias e de proteção ao consumidor.

As plataformas internacionais enviam mercadorias diretamente do exterior e não estão submetidas, na mesma proporção, a esses custos. Mesmo assim, disputam o mesmo consumidor e concorrem com produtos fabricados e comercializados no Brasil.

A alíquota de 20% reduziu apenas parte dessa diferença. Sua retirada diminui novamente o custo tributário das encomendas internacionais sem oferecer tratamento equivalente ao produto nacional.

Com maior dificuldade para competir em preço, empresas brasileiras perdem vendas, reduzem pedidos, adiam investimentos e cortam vagas.

Como a perda de vendas chega aos trabalhadores?

O impacto começa no faturamento, mas rapidamente alcança toda a cadeia. No varejo, a queda nas vendas leva à revisão de estoques, ao fechamento de lojas e à redução das equipes. Na indústria, significa menos pedidos, aumento da capacidade ociosa e diminuição da produção e , consequentemente, a redução do quadro de trabalhadores.

A retração também atinge transportadoras, centros de distribuição, fornecedores de matérias-primas, prestadores de serviços e pequenos negócios ligados à indústria e ao comércio.

A produção e o comércio nacionais participam de um mercado que gera mais de 18 milhões de empregos em diferentes setores da economia. Segundo a CNI, o agravamento da concorrência com as plataformas internacionais ameaça 109 mil postos de trabalho. O IDV aponta que outras 70 mil vagas já foram eliminadas desde dezembro.

Esses números mostram que a perda de empregos não é uma consequência distante. Ela já aparece nas empresas e será intensificada pela retirada da alíquota.

Produto mais barato compensa a perda de empregos?

O fim da taxa reduz artificialmente o preço das encomendas internacionais, benefício relevante principalmente para o consumidor de menor renda. Mas essa economia representa apenas uma parte da conta.

O consumidor que procura preços menores é o mesmo cidadão que depende de emprego e salário para manter seu poder de compra. O desconto obtido em uma compra perde sentido quando vem acompanhado de fechamento de empresas, redução da renda e eliminação de vagas.

A substituição de produtos nacionais por mercadorias enviadas do exterior também diminui a demanda por fábricas, lojas, fornecedores e serviços brasileiros. O consumo permanece no país, mas uma parcela crescente da produção, dos investimentos e dos empregos migra para fora.

O desafio não é escolher entre preços acessíveis e trabalho. É evitar que uma decisão tributária reduza preços às custas dos empregos gerados no Brasil.

Como proteger os empregos e reduzir a desigualdade?

Com a retirada da alíquota próxima de ser confirmada, os setores produtivos defendem uma compensação dos tributos incidentes sobre produtos nacionais de até R$ 250.

O mecanismo reduz parte da carga acumulada durante a produção e a comercialização, permitindo que empresas brasileiras ofereçam preços mais competitivos sem comprometer investimentos e postos de trabalho.

O limite de R$ 250 direciona a medida aos produtos populares consumidos principalmente pelas classes C, D e E, público utilizado como principal justificativa para a desoneração das encomendas internacionais.

A compensação não elimina todas as diferenças entre os modelos de negócio, mas impede que o benefício tributário fique concentrado apenas nas plataformas estrangeiras. Se o imposto sobre o produto importado for reduzido, seu equivalente nacional também precisa receber condições para competir.

Qual será a conta para o Brasil?

A retirada da Taxa das Blusinhas produz efeitos que vão além do preço de uma encomenda. Ela reduz vendas nacionais, enfraquece a produção, cancela investimentos e elimina empregos.

A perda de atividade também afeta a arrecadação. Empresas instaladas no Brasil recolhem tributos, contratam trabalhadores e movimentam fornecedores locais. Quando essas operações perdem espaço, diminuem a receita pública e a renda em circulação nas cidades.

A manutenção da alíquota de 20% continua sendo a alternativa mais segura para preservar condições mínimas de concorrência. Caso a cobrança seja eliminada, a compensação tributária para produtos nacionais de até R$ 250 será indispensável para limitar a destruição de empregos.

O debate, portanto, não define apenas quanto o consumidor pagará em uma compra internacional. Define onde estarão a produção, os investimentos e os postos de trabalho financiados pelo consumo dos brasileiros.

Conteúdo por Coalizão Prospera Brasil

taxação das blusinhas
Créditos: depositphotos.com / dimarik