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Dívida bruta sobe a 82,5% do PIB e chega a R$ 10,9 trilhões em julho

Renata NunesPor Renata Nunes
31/08/2026

A dívida bruta do governo geral avançou para 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho e alcançou o equivalente a R$ 10,9 trilhões, segundo os dados apresentados pelo Banco Central. O resultado mantém a trajetória de alta do endividamento público e reforça a atenção sobre a capacidade do país de produzir resultados fiscais suficientes para estabilizar a dívida nos próximos anos.

No mesmo período, a dívida líquida do setor público chegou a 69,1% do PIB. Já o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, uma melhora significativa em relação ao déficit de R$ 66,6 bilhões observado no mesmo mês do ano passado.

Apesar do resultado positivo no mês, as contas públicas ainda acumulam déficit primário de R$ 89,3 bilhões em 12 meses, equivalente a 0,67% do PIB. O dado mostra que o desempenho mensal favorável ainda não foi suficiente para alterar de forma relevante o quadro fiscal acumulado.

A trajetória da dívida ganha ainda mais importância diante das projeções para os próximos anos. O próprio material aponta que economistas estimam ser necessário um superávit significativamente maior para colocar o endividamento em uma trajetória de queda.

Quanto está a dívida bruta do Brasil?

A dívida bruta do governo geral atingiu 82,5% do PIB em julho, o equivalente a aproximadamente R$ 10,9 trilhões.

O indicador mede o total das obrigações brutas do governo geral e é uma das principais referências utilizadas para acompanhar a situação fiscal do país.

Ao mesmo tempo, a dívida líquida chegou a 69,1% do PIB.

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A diferença entre os dois indicadores ocorre porque a dívida líquida considera também os ativos financeiros do setor público, enquanto a dívida bruta observa o volume total das obrigações incluídas em sua metodologia.

No material apresentado, a dívida bruta aparece como um dos principais pontos de atenção porque segue em trajetória de crescimento.

O setor público teve superávit ou déficit em julho?

O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho.

O resultado representa uma melhora expressiva em comparação com julho do ano anterior, quando houve déficit de R$ 66,6 bilhões.

O desempenho, porém, foi diferente entre as esferas do setor público.

O governo central apresentou resultado positivo de R$ 11 bilhões.

Já os governos regionais registraram déficit de R$ 8,5 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram resultado negativo de R$ 1,1 bilhão.

A soma desses resultados levou ao superávit consolidado de R$ 1,4 bilhão no mês.

O que é resultado primário?

O resultado primário mostra a diferença entre receitas e despesas do setor público antes do pagamento dos juros da dívida.

Quando as receitas superam as despesas nessa comparação, ocorre um superávit primário. Quando acontece o contrário, há déficit primário.

Esse indicador é importante porque mostra a capacidade do governo de gerar recursos para ajudar no pagamento das obrigações financeiras e limitar o crescimento do endividamento.

Em julho, o saldo mensal foi positivo. No acumulado de 12 meses, porém, o quadro ainda é deficitário.

Segundo os dados apresentados, o setor público acumula déficit primário de R$ 89,3 bilhões em 12 meses, equivalente a 0,67% do PIB.

Isso significa que a melhora observada em julho precisa ser analisada em conjunto com o desempenho acumulado das contas públicas.

Por que a dívida pode continuar crescendo mesmo com superávit?

Um resultado primário positivo em determinado mês não significa necessariamente que a dívida cairá.

A dinâmica do endividamento depende de uma série de fatores e, principalmente, da capacidade do setor público de produzir resultados fiscais suficientes de maneira persistente.

O material sobre o Orçamento de 2027 mostra que o governo projeta um superávit primário efetivo pouco acima de 0,1% do PIB no próximo ano.

Esse resultado, porém, ainda seria insuficiente para interromper a trajetória de crescimento da dívida pública.

Economistas citados no material calculam que seria necessário um ajuste próximo de 2% do PIB para colocar o endividamento em trajetória de queda.

A Instituição Fiscal Independente estima uma necessidade ainda ligeiramente superior, de superávit de 2,1% do PIB.

A diferença entre o resultado projetado e o necessário para estabilizar a dívida ajuda a explicar por que o indicador permanece como uma das principais preocupações fiscais.

Quanto a dívida cresceu nos últimos anos?

O material informa que a dívida bruta do governo geral já aumentou mais de dez pontos percentuais do PIB desde o início do atual mandato.

O indicador está agora acima de 82% do PIB e, segundo projeções coletadas pelo Banco Central, poderia alcançar 87% do PIB em 2027.

Isso significa que, mesmo com uma melhora prevista para o resultado primário nos próximos anos, a relação entre dívida e PIB ainda pode continuar aumentando.

O principal desafio passa a ser justamente produzir resultados fiscais capazes de alterar essa trajetória.

O que o governo prevê para 2027?

O governo pretende enviar ao Congresso uma proposta de Orçamento de 2027 com superávit primário efetivo entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões.

Esse valor corresponde a pouco mais de 0,1% do PIB.

A meta oficial, entretanto, é mais elevada.

O objetivo formal para 2027 é alcançar superávit de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões.

A diferença entre a meta oficial e o resultado efetivo decorre de despesas que ficam fora do cálculo da meta fiscal, mas continuam afetando as contas públicas.

O governo estima que o resultado represente um ajuste fiscal próximo de 0,5 ponto percentual do PIB entre 2026 e 2027.

Ainda assim, as próprias projeções indicam que esse esforço não seria suficiente para fazer a dívida começar a cair.

Por que o nível da dívida importa para a economia?

A relação dívida/PIB é acompanhada pelo mercado porque funciona como uma medida da dimensão do endividamento em comparação com o tamanho da economia.

Quanto maior essa relação, maior tende a ser a necessidade de o governo manter credibilidade sobre sua capacidade de administrar receitas, despesas e financiamento da dívida.

No caso brasileiro, o avanço para 82,5% do PIB ocorre enquanto o setor público ainda registra déficit primário no acumulado de 12 meses.

Por isso, o superávit de julho representa uma melhora pontual, mas não elimina o desafio estrutural de controlar o crescimento do endividamento.

A evolução das contas públicas nos próximos meses será importante para verificar se o resultado positivo de julho se repete e se o déficit acumulado começa a diminuir.

Também será necessário acompanhar a execução do Orçamento, o comportamento das despesas e a evolução das metas fiscais previstas para os próximos anos.

Neste momento, o dado principal permanece claro: a dívida bruta alcançou 82,5% do PIB e R$ 10,9 trilhões, enquanto o esforço fiscal projetado ainda aparece abaixo daquele estimado como necessário para colocar o endividamento em trajetória de queda.

Leia mais sobre economia clicando aqui.

Notas de R$ 100 reiais nas mãos de uma pessoa.

Notas de reais. (Foto: Canva)

Tags: Banco Centralcontas públicasdívida brutadívida públicafiscal

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