O dado mais recente do IPCA-15 trouxe sinais de desinflação que começam a alterar as projeções para a trajetória da Selic em 2026. Marcos Saravalle, em entrevista à BM&C News, avaliou que o indicador benigno abre espaço para que a taxa básica de juros possa cair abaixo de 13,75% ainda este ano, com projeções convergindo para 13,25%.
Na análise do especialista, o mercado já praticamente incorpora um novo corte na reunião de setembro do Copom. A leitura de desinflação no horizonte fortalece a tese de que o ciclo de aperto monetário perdeu força e que o Banco Central terá margem para acelerar o afrouxamento.
A mudança de perspectiva para a Selic em 2026 ocorre em um momento em que os juros altos começam a produzir efeitos visíveis sobre a atividade econômica e a saúde financeira das empresas.
Juros elevados desaqueceram a economia além do previsto
Segundo Saravalle, o prolongamento dos juros em patamares restritivos está pressionando empresas de forma significativa. O aperto monetário, embora necessário para conter a inflação, gerou um ambiente de desaceleração econômica mais intenso do que o inicialmente antecipado.
A combinação de crédito caro, menor demanda e margens comprimidas começa a deteriorar a capacidade de pagamento de diversos setores. O cenário é agravado pela persistência de riscos fiscais internos e por um ambiente externo ainda desafiador para a inflação.
2026 pode se tornar o ano da recuperação judicial e das falências
Na avaliação do especialista, 2026 tende a marcar um ponto de inflexão negativo para empresas endividadas e com estrutura de custos rígida. O desaquecimento da economia, somado ao peso dos juros sobre o caixa, deve elevar o número de recuperações judiciais e até de falências.
Esse movimento terá impactos diretos em ativos de risco na Bolsa. Empresas com alta alavancagem e exposição a setores cíclicos tendem a sofrer maior pressão. Por outro lado, a desinflação e a queda da Selic podem criar oportunidades em títulos públicos prefixados e atrelados à inflação, conforme apontou Saravalle.
A importância do balanço de riscos define o ritmo do afrouxamento monetário
Para o convidado da BM&C News, o Banco Central precisará calibrar o ritmo de cortes da Selic com base no balanço de riscos. Apesar do IPCA-15 favorável, a autoridade monetária não pode ignorar a fragilidade fiscal e a volatilidade externa. O mercado não reage ao discurso, reage ao risco.
A leitura é que a Selic em 2026 só chegará a 13,25% se o cenário fiscal se estabilizar e a desinflação se confirmar. Caso contrário, o afrouxamento pode ser mais gradual. Saravalle reforçou que o ambiente exige cautela, mas já há espaço para reposicionamento em ativos que se beneficiam da queda de juros.
Assista à entrevista completa da BM&C News neste link: https://www.youtube.com/watch?v=RYQcY0sln_g














