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ECONOMIA

CMN amplia crédito para fertilizantes e reduz custo de linhas para minerais críticos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o acesso de empresas da cadeia de fertilizantes às linhas do Plano Brasil Soberano e reduziu encargos financeiros para investimentos relacionados a minerais críticos e estratégicos.

A principal mudança para o setor de fertilizantes é a liberação de capital de giro. Até então, determinadas empresas elegíveis tinham acesso ao programa principalmente para investimentos e aquisição de bens de capital.

O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As solicitações poderão ser protocoladas até 31 de dezembro de 2027.

As alterações foram aprovadas em reunião extraordinária do CMN.

Quem poderá acessar capital de giro?

A mudança alcança empresas que atuam em atividades específicas da cadeia de fertilizantes.

Estão entre os segmentos contemplados fabricantes de adubos e fertilizantes, produtores de insumos intermediários e companhias responsáveis pela extração de minerais utilizados na fabricação desses produtos.

Antes da mudança, o acesso desse grupo estava concentrado em financiamento de máquinas, equipamentos e projetos de investimento.

A inclusão do capital de giro permite utilizar recursos para necessidades operacionais do negócio.

Isso pode incluir despesas relacionadas à aquisição de insumos, formação de estoques e diferenças de prazo entre pagamentos feitos pelas empresas e recebimentos das vendas.

Por que o capital de giro é importante para fertilizantes?

A cadeia de fertilizantes possui uma dinâmica financeira própria.

Empresas podem precisar importar ou comprar matérias-primas antes de receber o pagamento do produto vendido ao agricultor.

Nesse intervalo, existe uma necessidade de financiamento.

Quando o capital de giro está caro ou escasso, companhias precisam utilizar caixa próprio ou buscar linhas bancárias a taxas de mercado.

Ao permitir o acesso às linhas do Brasil Soberano, o governo amplia as fontes disponíveis para financiar esse ciclo financeiro.

A justificativa apresentada para a medida está justamente na necessidade de adequar o programa às características operacionais do setor.

O que mudou para minerais críticos?

O CMN também reduziu para 3% ao ano a remuneração da fonte de recursos destinada a determinadas operações de investimento e aquisição de bens de capital na cadeia de minerais críticos e estratégicos.

Antes da alteração, algumas linhas tinham encargos de 8% ao ano para bens de capital e 6,5% para investimentos.

A redução busca estimular projetos de beneficiamento, refino e transformação dos minerais dentro do Brasil.

A medida ocorre no mesmo momento em que o Congresso discute uma política nacional destinada ao setor.

A empresa vai pagar juros de apenas 3%?

Não necessariamente. Esse é um ponto importante da mudança.

Os 3% ao ano correspondem à remuneração da fonte de recursos, e não obrigatoriamente à taxa final cobrada da empresa.

Sobre esse custo podem ser adicionadas remunerações do BNDES e de instituições financeiras intermediárias, além de outros componentes previstos nas condições de cada operação.

Portanto, não é correto dizer que qualquer empresa terá automaticamente acesso a um empréstimo com taxa final de 3% ao ano.

O custo efetivo dependerá das regras da linha e da instituição responsável pelo financiamento.

Quem define quais empresas são elegíveis?

Os setores que podem acessar as condições especiais são definidos por regras do Plano Brasil Soberano.

A lista de atividades elegíveis é estabelecida em portarias e normas preparadas pelos ministérios envolvidos, especialmente o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Isso significa que fazer parte da cadeia de fertilizantes ou minerais não garante, isoladamente, acesso automático ao crédito.

A empresa precisa se enquadrar nas condições estabelecidas pelo programa e passar pela análise financeira necessária.

O governo anunciou dinheiro novo?

Não necessariamente. A resolução altera condições do programa existente.

Ela amplia possibilidades de uso, reduz determinados encargos e estende prazos, mas não representa, por si só, anúncio de uma nova dotação de recursos.

Essa diferença é importante para avaliar o tamanho da medida.

A ampliação do crédito depende da disponibilidade das linhas e da demanda das empresas que cumprirem os critérios.

Por que fertilizantes são tratados como setor estratégico?

A produção agrícola depende do uso de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio.

Uma parcela significativa da cadeia brasileira utiliza matérias-primas e produtos adquiridos no exterior, o que torna custos e disponibilidade sensíveis a câmbio, transporte internacional e conflitos geopolíticos.

Nesse contexto, o financiamento da cadeia pode ter impacto sobre produção, estoques e capacidade de atendimento ao agronegócio.

O governo também relacionou as medidas ao cenário de instabilidade no comércio internacional e à necessidade de apoiar setores afetados por mudanças tarifárias externas.

Até quando as empresas poderão pedir financiamento?

O prazo para protocolar pedidos foi prorrogado para 31 de dezembro de 2027.

A extensão oferece mais tempo para que companhias estruturem projetos e apresentem solicitações ao BNDES.

Para operações de longo prazo, o prazo adicional pode ser relevante porque projetos industriais e minerais normalmente exigem estudos, licenciamento, engenharia e estrutura financeira antes da contratação do crédito.

O impacto efetivo da medida dependerá agora do volume de projetos apresentados e do montante efetivamente aprovado pelas instituições financeiras.

Máquina agrícola jogando fertilizante na plantação.
Máquina agrícola. (Foto: Canva)