O programa Money Report, da BM&C News, apresentado por Aluizio Falcão, reuniu Manoel Beato, Ana Isabel de Carvalho e Tatianna Oliva em uma conversa sobre negócios construídos a partir de relações humanas, colaboração entre empresas e valorização da identidade nacional. Apesar de atuarem em áreas diferentes, os convidados aproximaram temas como vinho, moda, eventos, produção artesanal e economia criativa brasileira, mostrando como esses segmentos podem se conectar por meio de parcerias e novos modelos de negócio.
A discussão passou pela forma como empresas podem utilizar competências complementares para acelerar projetos e entrar em mercados nos quais ainda não possuem experiência. Também abordou a necessidade de valorizar produtos, profissionais e conhecimentos desenvolvidos no Brasil, principalmente aqueles ligados à produção artesanal e às características culturais do país.
Parcerias como estratégia de negócio
Fundadora da Cross Networking, empresa apresentada no programa como parte da Holding Club, Tatianna Oliva explicou que sua atuação com parcerias surgiu a partir da experiência no mercado de eventos. Segundo ela, a necessidade de melhorar diferentes etapas da execução levou a empresa a buscar especialistas capazes de complementar suas próprias competências.
“A parceria vem exatamente para te trazer uma solução nova, usando quem tem experiência naquilo para você poder chegar mais rápido onde você quer”, afirmou Tatianna.
Na avaliação da empresária, uma parceria funciona quando existe benefício para os dois lados e quando cada participante compreende o valor que pode oferecer ao outro. O modelo também pode ser utilizado por empresas que desejam entrar em novos segmentos sem precisar construir internamente todas as competências necessárias para isso.
Durante a conversa, Tatianna citou a colaboração entre Farm e Adidas como exemplo de uma associação que permitiu ampliar o posicionamento das duas marcas. Segundo ela, a parceria ajudou a Farm a testar a receptividade de seus produtos fora do mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, aproximou a Adidas de elementos ligados à moda e à identidade brasileira.
A discussão também destacou que essas iniciativas precisam fazer parte do planejamento das empresas. Para Tatianna, trabalhar com parceiros exige tempo e estratégia, especialmente quando o objetivo não está restrito à divulgação de uma campanha, mas inclui posicionamento e entrada em outros segmentos.
Economia criativa brasileira busca transformar identidade em negócio
Ana Isabel de Carvalho apresentou a Visionary como uma venture studio voltada a negócios da economia criativa, com aportes de capital intelectual e financeiro. A iniciativa surgiu depois de sua trajetória no mercado de moda e no comércio eletrônico.
Segundo Ana, o país reúne características que podem ser exploradas economicamente, mas que ainda enfrentam dificuldades para serem estruturadas como negócios.
“No Brasil a gente tem algumas características, falando de ancestralidade, falando de artesanalidade e falando de criatividade com um potencial gigantesco”, afirmou.
Para a executiva, a economia criativa brasileira pode ganhar espaço tanto no mercado interno quanto no exterior ao transformar elementos próprios da cultura nacional em produtos e marcas com identidade definida. A discussão destacou exemplos de empresas brasileiras que mantiveram características locais ao buscar consumidores fora do país.
Ana avaliou que a moda passou a prestar mais atenção às próprias origens e aos conhecimentos desenvolvidos em diferentes regiões do país.
“Hoje a moda já está olhando com mais consistência e com mais valorização para dentro do Brasil, pras suas origens”, afirmou.
Artesanalidade enfrenta desafio de continuidade
Um dos pontos levantados durante o programa foi a dificuldade enfrentada por artesãos para transformar conhecimento tradicional em atividade economicamente sustentável. Ana afirmou que muitos desses profissionais atuam de maneira informal e recebem pouco reconhecimento financeiro pelo trabalho realizado.
Na avaliação apresentada no programa, essa realidade também ameaça a transmissão de conhecimentos entre gerações. Quando uma atividade não oferece remuneração suficiente, profissionais podem abandonar o ofício em busca de outras fontes de renda, reduzindo a continuidade de técnicas e saberes acumulados.
A discussão aproximou esse problema da economia criativa brasileira. Segundo os participantes, valorizar produtos regionais não depende apenas de reconhecer sua origem cultural, mas também de construir condições para que produtores consigam manter a atividade como negócio.
O debate passou por exemplos ligados a moda, artesanato, café, queijo e vinho. Os convidados defenderam que a valorização desses produtos também depende da comunicação e da capacidade de apresentar ao consumidor o trabalho envolvido em sua produção.
Vinho brasileiro entra na discussão sobre identidade e consumo
No setor de bebidas, Manoel Beato explicou que o trabalho do sommelier está diretamente relacionado ao serviço e ao atendimento ao consumidor, indo além do conhecimento específico sobre vinho.
“Sommelier, por definição, é o profissional que trabalha com serviço de bebidas de estabelecimento”, explicou Beato.
A conversa avançou para a produção de vinhos em diferentes regiões brasileiras e para a forma como o consumidor percebe produtos nacionais. Foram mencionadas produções no Sul, em áreas entre São Paulo e Minas Gerais e também no Nordeste.
O programa discutiu ainda formatos como vinho em lata, embalagens alternativas e tampas de rosca. Beato explicou que diferentes soluções podem ser adequadas de acordo com as características e a proposta de cada produto, enquanto os participantes apontaram que formatos mais acessíveis podem aproximar novos consumidores do vinho.
Tatianna relatou sua experiência em Petrolina, onde conheceu uma vinícola durante um trabalho relacionado ao São João local. A experiência foi usada no debate para mostrar como bebida, turismo, cultura e eventos podem ser combinados dentro de uma mesma experiência de consumo.
Novos designers e continuidade dos negócios
No segmento de moda, Ana também falou sobre projetos voltados ao desenvolvimento de novos designers. Ela citou o Brasil Fashion Awards, que teve uma categoria direcionada a designers emergentes, além de uma iniciativa criada anteriormente para apoiar pequenos negócios do setor.
A proposta, segundo ela, é identificar criadores de diferentes regiões, ampliar sua exposição e ajudar essas empresas a superar as dificuldades dos primeiros anos de atividade. O trabalho combina curadoria, desenvolvimento de negócios e divulgação.
A executiva também relacionou esse apoio à preservação de conhecimentos e formas de produção que podem desaparecer quando pequenos negócios não conseguem se sustentar economicamente.
Ao longo do Money Report, os três convidados convergiram na avaliação de que colaboração, identidade e capacidade de execução podem funcionar de maneira complementar. Seja na construção de uma parceria entre marcas, na expansão de um pequeno designer ou na valorização de alimentos, bebidas e técnicas artesanais, a discussão apontou para a necessidade de transformar características culturais e conhecimentos locais em estruturas capazes de permanecer economicamente ativas.















