O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, teve o pedido de recuperação judicial deferido pela Justiça de São Paulo. A companhia informou que o processo faz parte de sua reestruturação financeira e tem como objetivo preservar a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
Segundo a ação, a dívida totaliza R$ 265,2 milhões, distribuída entre créditos trabalhistas, quirografários e de micro e pequenas empresas. O processo foi aceito pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
O passivo está dividido em três classes:
- Dívidas trabalhistas: R$ 22,3 milhões;
- Créditos quirografários, com privilégio especial, geral ou subordinados: R$ 241,7 milhões;
- Créditos de microempresas e empresas de pequeno porte: R$ 1,1 milhão.
Ao deferir o pedido, a Justiça suspendeu execuções contra o grupo relacionadas aos créditos sujeitos à recuperação, garantindo a continuidade do fornecimento de insumos e serviços considerados essenciais para a operação.
A KPMG foi nomeada administradora judicial e deverá apresentar, em até 15 dias, um relatório sobre a situação das empresas. O grupo também terá de apresentar demonstrativos mensais enquanto durar o processo.
O plano de recuperação judicial deverá ser protocolado em até 60 dias. Caso o prazo não seja cumprido, a empresa poderá ter a falência decretada.
O processo envolve 178 CNPJs, incluindo dez holdings e franqueadoras, 17 empresas operacionais, seis churrascarias Tendall Grill, 119 unidades do Habib’s, 26 lojas do Ragazzo e duas propriedades rurais responsáveis pela produção de insumos.
Na petição, o Grupo Gennius argumenta que todas as empresas operam de forma integrada, com garantias cruzadas e interdependência financeira, razão pela qual solicitou a consolidação substancial da recuperação judicial, permitindo que bens e passivos sejam tratados de forma unificada.
Entre os fatores apontados para a deterioração financeira estão os efeitos da pandemia de Covid-19, a mudança no comportamento dos consumidores, o crescimento do delivery, a redução do fluxo de pessoas em centros urbanos devido ao trabalho híbrido e o aumento expressivo da taxa básica de juros, que elevou o custo das dívidas contraídas durante o período de expansão da companhia.
Segundo o grupo, a alta dos juros comprometeu o capital de giro e reduziu a capacidade de investimento, agravando o desequilíbrio financeiro. A empresa afirma ainda que possui endividamento bancário superior a R$ 300 milhões.
Em nota à imprensa, o Grupo Gennius afirmou que as operações seguem funcionando normalmente e que o processo de recuperação judicial busca assegurar a continuidade dos negócios. “As operações do Grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”, informou a companhia.















