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ECONOMIA

Suzano, Assaí e Braskem mostram onde o mercado vê valor e risco

As recomendações de ações emitidas por grandes bancos e corretoras nas últimas semanas expõem mais do que simples ajustes de preço-alvo. Elas sinalizam onde o mercado identifica pontos de inflexão cíclica, resiliência operacional ou deterioração estrutural em setores-chave da economia brasileira. Em programa da BM&C News, foram reunidas as principais mudanças de posicionamento para papéis como Suzano, Assaí, Braskem e BRAD Saúde – empresas que, cada uma à sua maneira, navegam cenários distintos de risco e oportunidade.

O movimento mais expressivo veio do Bank of America, que elevou a recomendação dos ADRs da Suzano de neutra para compra e revisou o preço-alvo. O banco aposta que o piso da celulose estaria próximo, amparado por carteiras de pedidos mais saudáveis observadas em julho e agosto.

O fundo do ciclo na celulose pode estar mais próximo do que parece

A percepção de que os preços da celulose estariam se aproximando de um piso técnico reflete não apenas a dinâmica de oferta e demanda global, mas também a leitura de que os estoques acumulados ao longo do último ano começam a ser ajustados. A melhora nas carteiras de pedidos nos últimos dois meses reforça a tese de que a pressão vendedora pode estar perdendo força. Para o Bank of America, esse cenário justifica uma postura mais construtiva em relação aos ativos da Suzano, mesmo diante da volatilidade cambial e das incertezas sobre a demanda chinesa.

No varejo de proximidade, a aposta é em execução sob pressão macro

No caso do Assaí, o Jefferies cortou o preço-alvo, mas manteve a indicação de compra. A casa aposta em resultados resilientes mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador, destacando três vetores: ganho de participação no atacarejo, fortalecimento de marcas próprias e a nova estratégia de varejo farmacêutico dentro das lojas. A lógica é clara: em um cenário de renda pressionada e inflação resistente, o modelo de baixo custo e alta capilaridade tende a performar melhor que formatos tradicionais. O problema não é o preço, é a previsibilidade.

Recuperação extrajudicial confirma o que a liquidez já sinalizava

A Braskem, por sua vez, enfrenta o oposto. O Citi reforçou a recomendação de venda após o pedido de recuperação extrajudicial, avaliando a situação de liquidez da companhia e lembrando que o movimento já era, em parte, esperado pelo mercado. A decisão formaliza o que os indicadores de caixa e endividamento já apontavam há trimestres: a empresa enfrenta um estrangulamento financeiro que exige reestruturação profunda. O mercado não reage ao discurso, reage ao risco.

Saúde suplementar e integração vertical redefinem o jogo no setor hospitalar

No setor de saúde, o BTG Pactual manteve recomendação de compra para a BRAD Saúde, vendo potencial de valorização com a expansão em seguros de saúde para pequenas e médias empresas e a criação de um ecossistema hospitalar integrado. A tese se apoia na verticalização como estratégia de captura de margens e redução de sinistralidade, movimento que ganha relevância em um ambiente de custos crescentes e regulação em revisão. As recomendações de ações, nesse contexto, refletem apostas não apenas em resultados trimestrais, mas em transformações estruturais do modelo de negócio.

Assista à entrevista completa da BM&C News neste link: https://www.youtube.com/watch?v=Yl0dgqsfLxg

Suzano
Foto: Divulgação/Suzano