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ECONOMIA

IPCA-15, emprego e PCE podem mexer com apostas para juros

A agenda econômica desta semana concentra indicadores relevantes para a leitura sobre inflação, mercado de trabalho e atividade econômica no Brasil e nos Estados Unidos. Para os agentes de mercado, os dados devem ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos dos bancos centrais.

No Brasil, o Departamento de Pesquisa Econômica (DPEc) do Banco Daycoval projeta deflação de 0,31% para o IPCA-15 de agosto, influenciada pelos descontos na energia elétrica decorrentes do bônus de Itaipu e pela queda dos preços dos alimentos. A instituição também espera recuo de 0,31% no IGP-M do mês.

Além da inflação, a semana será marcada por dados do mercado de trabalho, crédito e contas públicas, que devem oferecer novos sinais sobre o ritmo da economia brasileira.

O que esperar do IPCA-15 e do mercado de trabalho?

Para a PNAD Contínua, o Daycoval espera que a taxa de desemprego recue de 5,4% para 5,3% no trimestre móvel encerrado em julho. Na série com ajuste sazonal, a projeção é de estabilidade em 5,5%.

Já o Caged deve mostrar a criação de 110 mil empregos formais em julho. Apesar do resultado positivo, o banco estima que a média móvel de três meses permaneça abaixo de 100 mil vagas, cenário considerado compatível com uma desaceleração do mercado de trabalho.

Na atividade econômica, o Daycoval mantém projeção de crescimento de 1,7% para o PIB brasileiro em 2026, após os indicadores recentes apontarem perda de ritmo no segundo trimestre. O IBC-Br recuou 0,6% em junho, enquanto o Monitor do PIB da FGV indicou expansão de 0,3% no segundo trimestre frente aos três primeiros meses do ano.

Para a inflação oficial, a projeção do banco é de 5,0% em 2026 e 4,0% em 2027. As estimativas mensais para agosto, setembro e outubro são de -0,18%, 0,56% e 0,30%, respectivamente.

Crédito deve perder ritmo e Tesouro pode registrar superávit

Os dados de crédito também entram no radar. A expectativa do Daycoval é de que o saldo total das operações desacelere para 9,2% na comparação anual em julho, refletindo menor ritmo do crédito com recursos livres para pessoas físicas e empresas.

No campo fiscal, a projeção é de superávit primário de R$ 10 bilhões para o Tesouro Nacional em julho.

O resultado deve ser influenciado pela antecipação para março do pagamento de precatórios, despesa que normalmente se concentra em julho e que, desta vez, não deve pressionar o resultado mensal.

PIB e PCE dos EUA entram no foco dos investidores

No exterior, a atenção do mercado estará concentrada nos Estados Unidos, especialmente na divulgação da segunda leitura do PIB do segundo trimestre e da inflação medida pelo PCE, indicador acompanhado de perto pelo Federal Reserve.

O Daycoval espera crescimento anualizado de 1,5% para o PIB americano no segundo trimestre, mantendo uma trajetória de desaceleração gradual da atividade.

Para o PCE de julho, a projeção é de alta mensal de 0,1%.

Os números ganham peso após a última reunião do Federal Reserve, na qual a taxa básica de juros foi mantida. Na avaliação do DPEc, a ata do encontro não trouxe mudanças relevantes, com os dirigentes mantendo a preocupação com a trajetória da inflação em um ambiente de pressões geopolíticas e mercado de trabalho em equilíbrio.

Fala de Kevin Warsh fecha a semana

A agenda americana contará ainda com os indicadores industriais de Richmond e Kansas, a confiança do consumidor medida pelo Conference Board e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan.

Na sexta-feira, investidores também acompanharão um pronunciamento do presidente do Fed, Kevin Warsh, em busca de novas indicações sobre a condução da política monetária americana.

Nas projeções do Daycoval, a taxa dos Fed Funds deve terminar 2026 em 3,50%, recuando para 3,00% em 2027. Para o Brasil, a estimativa é de Selic em 13,75% no fim deste ano e 11,00% em 2027.

kevin warsh
Foto: Reprodução/Casa Branca