BM&C NEWS
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • COLUNAS
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • COLUNAS
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • COLUNAS

O fim do ciclo vermelho: da Bolívia à Argentina, a implosão do socialismo latino-americano

Fabio OngaroPor Fabio Ongaro
22/10/2025

A Bolívia foi o “bom aluno” do socialismo latino-americano. Enquanto vizinhos se afogavam em crises, o país andino parecia ter encontrado a fórmula: Estado forte, nacionalizações estratégicas e redistribuição via bonança das commodities. Sob Evo Morales, o PIB triplicou entre 2006 e 2014, e a pobreza caiu de 60% para 37%. Por um tempo, a equação “gás + ideologia = prosperidade” parecia funcionar.

Mas, o ciclo acabou. Quando o preço do gás despencou e a demanda brasileira perdeu fôlego, a engrenagem parou. Em 2014, a Bolívia acumulava US$ 15 bilhões em reservas internacionais; hoje, restam menos de US$ 4 bilhões. A produção de gás, responsável por quase metade das exportações, encolheu. Subsídios à gasolina e ao trigo consomem 3% do PIB. O Banco Central passou a racionar dólares. O socialismo andino, que parecia sólido, revelou-se financiado por sorte e vento favorável.

O “Estado salvador” virou máquina lenta. O MAS, que nasceu como bandeira popular, transformou-se em aparelho burocrático. Evo Morales, ícone da ruptura, tornou-se símbolo de apego ao poder. Tentou reeleger-se indefinidamente, minou instituições e dividiu o país. Luis Arce, seu herdeiro político, tenta reorganizar a economia, mas governa à sombra do mentor e de um modelo exaurido. A Bolívia não virou uma Venezuela, mas vive seu colapso em câmera lenta.

O laboratório venezuelano do colapso total

Se a Bolívia é o colapso silencioso, a Venezuela é o colapso escancarado. Durante o auge do chavismo, entre 2004 e 2013, o barril de petróleo acima de US$ 100 sustentou um Estado que se acreditava eterno. Quando o preço caiu para US$ 36 em 2016, o castelo ruiu. O PIB encolheu 75% entre 2014 e 2021, segundo o FMI. A inflação de 2019 ultrapassou 10 milhões por cento. Mais de 7,7 milhões de venezuelanos deixaram o país,  quase um quarto da população. A PDVSA, joia nacional, opera com menos de 30% da capacidade de 2010.

A revolução que prometia soberania terminou em dependência. O país com a maior reserva de petróleo do mundo passou a importar combustível. A retórica da igualdade virou fila para comprar pão. O Estado tentou controlar a economia e destruiu o próprio motor que a sustentava. A Venezuela é prova de que voluntarismo ideológico, sem lastro fiscal, cobra juros em miséria.

A Argentina antes de Milei: o assistencialismo como vício fiscal

Enquanto Bolívia racionava e Venezuela fugia, a Argentina escolheu anestesiar-se. Durante o kirchnerismo e o governo Fernández, o Estado virou máquina de subsídios. Energia, transporte e alimentos receberam benefícios que saltaram de 2% para quase 5% do PIB. Em 2023, 37% da população, cerca de 17 milhões de pessoas, recebiam algum tipo de auxílio estatal, segundo o INDEC.

A inflação explodiu para 254%, e o peso perdeu 97% do valor em uma década. A retórica social sobreviveu — mas a economia real desabou.

A vitória de Javier Milei foi uma reação. Um grito contra o Estado que prometia segurança e entregava estagnação. O argentino médio cansou de ser espectador da própria decadência. Milei, goste-se dele ou não, simboliza a ressaca moral de um país viciado em bondades que não podia pagar.

Três países, o mesmo erro

Leia Mais

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, com uma das cúpulas do complexo arquitetônico em destaque e prédios administrativos ao fundo.

Estado caro no Brasil 2026: carga tributária chega a 34% do PIB

30 de agosto de 2026
Cubos metálicos formam a palavra “FED” sobre uma nota de dólar americano, em referência ao Federal Reserve e à política monetária dos Estados Unidos.

Por que stablecoins e tarifas passaram a importar mais para os juros?

29 de agosto de 2026

Bolívia, Venezuela e Argentina erraram com sotaques diferentes, mas pela mesma lógica: o populismo econômico. Durante o boom das commodities, os governos confundiram arrecadação com competência. O Estado cresceu mais rápido que a produtividade, e a política virou anestésico. Quando o ciclo global mudou, vieram inflação, déficit e descrédito. O assistencialismo virou dependência, e a dependência virou paralisia.

A esquerda regional não fracassou por sonhar com justiça social, fracassou por desprezar a aritmética. Redistribuiu renda sem gerar valor. Quando o dinheiro acabou, o discurso perdeu voz.

E o Brasil nesse tabuleiro

Entre 2003 e 2014, o Brasil também surfou a maré. O boom das commodities financiou inclusão real, mas o erro foi o mesmo: confundir bonança com permanência. O Estado cresceu além da produtividade e o crédito barato criou uma classe média dependente. Quando o ciclo global inverteu, veio a recessão, o déficit e a polarização.

Hoje, o país observa os vizinhos com vantagem institucional, mas com dilemas semelhantes: Estado grande, setor privado engessado e um sistema político que prefere administrar o presente a planejar o futuro. Ainda há tempo, mas o relógio fiscal está rodando.

A hora da verdade

O fim do ciclo vermelho não é o fim da esquerda, é o fim da sua inocência. Chega de culpar o mercado ou o dólar. O verdadeiro inimigo foi o autoengano. A América Latina não quebrou por falta de solidariedade, mas por excesso de ilusão.

Agora, ou a esquerda aprende a equilibrar contas e resultados, ou continuará sendo fábrica de promessas vencidas. Porque ideologia pode emocionar, mas não alimenta, e quem paga a conta das utopias são sempre os que menos podiam se dar ao luxo de acreditar nelas.

Veja mais notícias aqui. Acesse o canal de vídeos da BM&C News.

Bolívia

Créditos: depositphotos.com / a2gxe

Notícias

IPCA-15 DE AGOSTO

Conta de luz puxa inflação para baixo em agosto; veja o que ficou mais barato

26 de agosto de 2026

Eleições 2026: TSE mantém tetos de gastos de 2022

Ibovespa fecha com leve baixa, com Petrobras e Itaú; Vale sobe

Endividamento segue no maior patamar da série histórica e famílias continuam no limite financeiro

Krugman critica tarifa dos EUA e diz que Pix virou alvo de disputa comercial

Economia cresce 0,7% em maio, puxada por consumo das famílias, diz FGV

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, com uma das cúpulas do complexo arquitetônico em destaque e prédios administrativos ao fundo.
ECONOMIA

Estado caro no Brasil 2026: carga tributária chega a 34% do PIB

30 de agosto de 2026
Cubos metálicos formam a palavra “FED” sobre uma nota de dólar americano, em referência ao Federal Reserve e à política monetária dos Estados Unidos.
ECONOMIA

Por que stablecoins e tarifas passaram a importar mais para os juros?

29 de agosto de 2026
crédito privado
INVESTIMENTOS E FINANÇAS

Crédito privado deixa de ser exclusividade de institucionais e chega ao investidor pessoa física

29 de agosto de 2026
À esquerda, fachada de uma das lojas da Casas Bahia. À direita fachada de uma das unidades do Habib's.
EMPRESAS E NEGÓCIOS

De Casas Bahia a Habib’s: o que explica a nova onda de recuperações

29 de agosto de 2026

Leia Mais

  • Análises
  • ECONOMIA
  • MERCADOS
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, com uma das cúpulas do complexo arquitetônico em destaque e prédios administrativos ao fundo.

Estado caro no Brasil 2026: carga tributária chega a 34% do PIB

30 de agosto de 2026

Custo da ineficiência no Brasil em 2026: carga tributária em até 34% do PIB, quase 40% de informalidade e baixa...

Cubos metálicos formam a palavra “FED” sobre uma nota de dólar americano, em referência ao Federal Reserve e à política monetária dos Estados Unidos.

Por que stablecoins e tarifas passaram a importar mais para os juros?

29 de agosto de 2026

Fed mantém 8 reuniões em 2026, discute comunicação mais neutra e convive com tarifas EUA–China–Canadá de 7,5% a 25%. Veja...

Créditos: depositphotos.com/rmcarvalhobsb

IPCA-15 abre espaço para Selic cair a 13,25% ainda em 2026

28 de agosto de 2026

O dado mais recente do IPCA-15 trouxe sinais de desinflação que começam a alterar as projeções para a trajetória da...

Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil

Caged cria 58,6 mil vagas em julho e reforça sinais de desaceleração do emprego; veja análise

28 de agosto de 2026

O Brasil criou 58,6 mil postos de trabalho com carteira assinada em julho, abaixo da expectativa de 115 mil vagas...

Kevin Warsh - Jackson Hole

Warsh mantém setembro em aberto, mas eleva exigência para corte de juros

28 de agosto de 2026

O discurso de Kevin Warsh no Simpósio de Jackson Hole deixou uma mensagem mais restritiva para os mercados, mesmo sem...

Entrada da sede da B3, em São Paulo, com o logotipo da Bolsa brasileira em destaque no saguão.

Bolsa Brasil 2026: juros, IA e escala 6×1 no radar

28 de agosto de 2026

Veja em 2026 como fluxo estrangeiro na B3, boom de IA com NVIDIA, IPCA-15, juros do Copom, risco fiscal e...

Notebook em um site de compra, com elementos que representam compras, como carrinho e embalagem.

Taxa das blusinhas: Congresso acelera votação para impedir retorno do imposto de 20%

28 de agosto de 2026

O Congresso Nacional acelerou a tramitação da medida provisória que suspendeu a chamada taxa das blusinhas, em uma corrida contra...

Máquina agrícola jogando fertilizante na plantação.

CMN amplia crédito para fertilizantes e reduz custo de linhas para minerais críticos

28 de agosto de 2026

O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o acesso de empresas da cadeia de fertilizantes às linhas do Plano Brasil Soberano...

Calculadora e dinheiro

Salário mínimo 2027 em 2026: projeções oficiais ainda ausentes

27 de agosto de 2026

Governo federal ainda não divulgou valor oficial do salário mínimo de 2027 nem impacto fiscal. Veja por que estimativas bilionárias...

trabalho pnad carteira

Desemprego atinge menor nível para julho, mas mercado de trabalho desacelera

27 de agosto de 2026

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo dados da Pesquisa Nacional por...

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
redacao@bmcnews.com.br

Comercial:
comercial@bmcnews.com.br

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AGENDAS BM&C
    • BRASIL PRODUTIVO
      • Inovação travada
    • CONTA BRASIL
      • Combustível Brasil
    • BRASIL QUE INOVA
    • BRASIL QUE EMPREENDE
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ELEIÇÕES 2026
  • EMPRESAS E NEGÓCIOS
  • CASO MASTER
  • PETRÓLEO E ENERGIA
  • INTERNACIONAL
  • PROGRAMAS BM&C
    • BM&C BUSINESS
    • BM&C STRIKE
    • BM&C TALKS
    • BM&C VISÕES
    • CONEXÃO SEGURA
    • GLOBAL WALLET
    • LEADERS CONNECTION
    • MANHATTAN CONNECTION
    • MANIFESTE-SE
    • MERCADO & BEYOND
    • MONEY REPORT
    • NEW DEAL
    • PAINEL BM&C
    • PAPO DE DINHEIRO
    • RAV SANY
    • REPCAST
    • ROTA FÁCIL
    • SMART MONEY
    • WALL STREET CAST
  • CANNES LIONS
  • BRAZILIAN WEEK 2026
  • OPINIÃO
    • ALUIZIO FALCÃO FILHO
    • BRUNO CORANO
    • CARLOS HONORATO
    • ESTEVÃO SECCATTO
    • FABIO ONGARO
    • FABRIZIO GUERATTO
    • FRANCISCO ALVES
    • LIANE GARCIA
    • MARCO SARAVALLE
    • MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS
    • MIGUEL DAOUD
    • RENATO BATISTA
    • RUI DAS NEVES
    • VANDYCK SILVEIRA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.