O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (24) que o avanço do endividamento das famílias está relacionado principalmente à expansão do crédito, e não diretamente ao aumento da taxa Selic.
Segundo ele, quando cresce a oferta de empréstimos, o volume de dívidas também tende a aumentar.
Galípolo destacou que o crédito continuou avançando mesmo após a recuperação do emprego e da renda.
Quais modalidades impulsionaram o endividamento das famílias?
Entre os principais vetores citados estão financiamento de veículos, crédito pessoal sem garantia e consignado privado.
O consignado destinado aos trabalhadores com carteira assinada apresentou crescimento significativo.
O saldo da modalidade passou de R$ 41 bilhões para R$ 102 bilhões desde março de 2025.
A inadimplência nesse tipo de operação também avançou.
Qual é o papel dos juros altos nesse cenário?
Para Galípolo, juros mais elevados funcionam atualmente como um mecanismo de restrição à expansão de novos empréstimos.
Taxas maiores tornam o financiamento mais caro e podem reduzir a contratação de novas operações.
A avaliação diferencia, portanto, o efeito da Selic sobre a concessão futura de crédito da explicação para o estoque de dívidas já acumulado.
Na leitura apresentada pelo presidente do BC, a ampliação da oferta de empréstimos teve papel central no crescimento do endividamento das famílias, especialmente em modalidades que registraram forte expansão nos últimos anos.
BC avalia mudar regras do cartão após aumento do endividamento
O Banco Central avalia mudanças nas regras do cartão de crédito para estimular uma oferta mais responsável da modalidade aos consumidores.
O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, afirmou que incentivos inadequados no sistema financeiro contribuíram para o avanço do endividamento das famílias.
Entre 2020 e 2024, 37 milhões de brasileiros passaram a utilizar cartão de crédito.
Por que o BC quer rever as regras do cartão de crédito?
No mesmo período, o número de usuários com dívidas sujeitas a juros aumentou de 34 milhões para 52,8 milhões.
O comprometimento da renda com cartão passou de 38,5% para 54%.
Já a inadimplência avançou de 55% para 64,5%.
Os números são usados pelo Banco Central na discussão sobre a forma como essa modalidade de crédito tem sido oferecida aos consumidores.
O que pode mudar para os consumidores?
Galípolo afirmou que o BC estuda medidas para corrigir distorções e reduzir riscos associados à expansão do crédito.
A preocupação inclui principalmente consumidores de menor renda, considerados mais expostos aos efeitos do endividamento.
Ainda não foram apresentados detalhes sobre quais instrumentos regulatórios serão utilizados ou quando eventuais mudanças poderão entrar em vigor.
As regras do cartão de crédito permanecem, portanto, em avaliação pelo Banco Central, em um cenário marcado pelo aumento do número de usuários, da parcela da renda comprometida e da inadimplência na modalidade.

















