A alta dos juros dos Treasuries de longo prazo voltou ao centro das atenções dos mercados internacionais nesta quarta-feira (19) e amplia os riscos para economias emergentes, incluindo o Brasil. Nos Estados Unidos, o rendimento dos títulos de 30 anos ultrapassou 5,30% e atingiu o maior nível desde 2007.
O movimento ocorre mesmo após dados mais amenos de inflação terem produzido algum alívio na parte curta da curva americana.
A pressão não está restrita aos Estados Unidos. Os juros dos títulos públicos de dez anos do Japão chegaram ao maior patamar desde 1996, enquanto papéis soberanos da Alemanha e da França também alcançaram máximas de vários anos.
Dívida e inflação pressionam juros dos Treasuries
A elevação dos juros dos Treasuries reflete uma combinação de fatores que vai além das decisões de política monetária do Federal Reserve.
Entre os pontos de atenção estão o aumento da dívida pública dos Estados Unidos, déficits elevados, inflação resistente e preços do petróleo pressionados pelo conflito no Oriente Médio.
A dívida americana se aproxima de US$ 40 trilhões, enquanto o pagamento anual de juros está próximo de US$ 1 trilhão, segundo as informações apresentadas nas laudas.
O mercado também precisa absorver grandes emissões de dívida corporativa destinadas a financiar investimentos em inteligência artificial.
Desde junho, o prêmio de prazo do Treasury de dez anos passou de 0,46 para 0,81 ponto percentual, indicando maior exigência dos investidores para manter títulos de vencimento mais longo.
Brasil pode enfrentar captações mais caras
Para o Brasil, a alta dos juros dos Treasuries pode aumentar o custo das captações externas feitas pelo governo e pelas empresas.
Como os títulos americanos são referência para o custo do dinheiro global, retornos mais elevados nos Estados Unidos tendem a fazer investidores exigir prêmios maiores para aplicar recursos em mercados emergentes.
O cenário também pode reduzir a atratividade relativa dos ativos brasileiros, diminuir o fluxo de capital para o país e ampliar a pressão sobre o real.
No mercado doméstico, esse ambiente dificulta o fechamento da curva de juros e pode limitar o alívio das condições financeiras mesmo diante de novos cortes da Selic.
O Tesouro Nacional, por sua vez, realizou o maior leilão de NTN-Bs desde abril, com a venda de 1,2 milhão de títulos e movimentação superior a R$ 5 bilhões.
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