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Sistema Transporte

LAT.BUS 2026: transporte público busca financiamento para acelerar modernização

A modernização do transporte público brasileiro passa por um desafio que vai além da disponibilidade de novas tecnologias. Durante a LAT.BUS 2026, representantes do setor, autoridades e entidades discutiram como financiar a renovação da frota, ampliar a eficiência da operação e recuperar passageiros que migraram para outras alternativas de mobilidade.

Ônibus mais modernos, conectividade, sistemas de segurança e novas soluções já estão disponíveis para o setor. O desafio, segundo os participantes do evento, é criar condições para que essas tecnologias ganhem escala e cheguem efetivamente às ruas.

A discussão ocorre em um cenário de perda de passageiros do transporte coletivo para alternativas individuais, incluindo carros, aplicativos e serviços de transporte por motocicleta.

Transporte público perde passageiros para alternativas individuais

Durante o evento, especialistas apontaram que a migração do transporte coletivo para o transporte individual motorizado aumenta a pressão sobre o sistema urbano.

Sérgio Avellada, coordenador de Mobilidade Urbana do Insper destacou que o transporte coletivo apresenta vantagens relacionadas ao consumo de energia, segurança viária e inclusão social.

“A gente tem visto uma migração dos usuários do transporte público pro transporte individual motorizado. E isso é muito ruim”, afirmou.

Segundo a avaliação apresentada na LAT.BUS, o consumo de energia por passageiro é menor nos ônibus do que nos automóveis. O transporte público também exerce papel importante nas políticas sociais desenvolvidas pelo poder público, por meio de gratuidades e tarifas diferenciadas.

A redução do número de usuários também afeta a capacidade financeira do próprio sistema. Como a operação depende de escala, a perda de passageiros limita os recursos disponíveis para investimentos em infraestrutura, renovação de frota e tecnologia.

O financiamento foi um dos principais pontos discutidos durante a LAT.BUS 2026. Segundo o ministro das Cidades, Vladimir Moura Lima, o novo marco legal da mobilidade urbana, sancionado recentemente, cria instrumentos para ampliar as possibilidades de financiamento e modificar a forma de remuneração do setor.

“A gente sancionou recentemente, em junho, o novo marco legal da mobilidade urbana”, afirmou o ministro.

De acordo com o ministro, a legislação prevê a possibilidade de subsídios, novas fontes de recursos além das tarifas pagas pelos passageiros e diretrizes relacionadas à qualidade e à performance dos serviços.

“Essa lei, ela é um marco introdutório de um novo momento pra mobilidade urbana no Brasil”, declarou.

A intenção é criar condições para reduzir o tempo de deslocamento e ampliar a qualidade do transporte nas cidades.

Ônibus elétricos ampliam desafio de financiamento

A renovação da frota também envolve custos mais elevados para determinadas tecnologias. Segundo informações BNDES, um ônibus elétrico pode custar mais de três vezes o valor de um modelo equivalente movido a diesel.

Esse cenário aumenta a necessidade de linhas de crédito de longo prazo, participação do poder público e condições econômicas que permitam às empresas continuar investindo.

Durante a LAT.BUS, foi defendida uma política pública de financiamento capaz de sustentar um serviço de maior qualidade e tornar o transporte coletivo mais atrativo.

“Nós sabemos que em todos os países do mundo em que tem um transporte de alta qualidade é exatamente porque tem uma política pública de financiamento ao transporte”, afirmou um dos participantes.

Prioridade ao ônibus passa por infraestrutura e gestão

Além do financiamento da frota, o setor defende mudanças na operação das cidades. Entre as medidas citadas estão a criação de faixas exclusivas para ônibus, sincronização de semáforos e investimentos em equipamentos como ar-condicionado e Wi-Fi.

Representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT) avaliaram que o país já possui instrumentos e políticas capazes de melhorar o sistema, mas precisa colocar a mobilidade urbana entre as prioridades.

“A gente precisa fazer uma política de transporte”, afirmou Eudo Laranjeiras, vice-presidente da CNT.

Segundo a avaliação, aumentar a velocidade dos ônibus e reduzir o tempo em que os veículos permanecem presos em congestionamentos pode melhorar a experiência do passageiro e aumentar a eficiência da operação.

Aplicativos aumentam concorrência pelo passageiro

A expansão dos aplicativos de transporte também alterou o mercado. De acordo com a CNT, o transporte urbano enfrenta uma queda significativa no número de passageiros desde a pandemia, ao mesmo tempo em que novas alternativas de mobilidade ganharam espaço.

“Vem sofrendo desde a pandemia uma queda substancial de passageiros”, afirmou Laranjeiras.

Aplicativos de carros e motocicletas aparecem entre as alternativas que aumentaram a competição pelo usuário e ampliaram a necessidade de melhorias no transporte coletivo.

Inovação já existe, mas precisa chegar às cidades

As tecnologias apresentadas na LAT.BUS 2026 mostram que parte das soluções necessárias para modernizar o transporte coletivo já está disponível.

O desafio passa agora por financiamento, investimentos, segurança regulatória, gestão e capacidade de transformar essas tecnologias em melhorias efetivas para quem utiliza o sistema.

A avaliação predominante no evento é de que a modernização precisa combinar veículos mais eficientes, infraestrutura adequada e políticas públicas capazes de sustentar os investimentos.

Nesse cenário, o futuro do transporte público dependerá não apenas da inovação apresentada dentro da feira, mas da capacidade do setor e do poder público de levar essas soluções para as ruas e recuperar a competitividade do transporte coletivo.

LAT.BUS
Foto: Reprodução/BM&C News