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Orçamento de saúde: como calcular quanto separar por mês

Julia PaladinoPor Julia Paladino
17/08/2026

Não existe uma porcentagem oficial universal da renda que deva ser reservada para saúde. Para definir quanto separar, a família precisa somar mensalidade ou contribuição do plano, coparticipações, medicamentos, consultas, exames e outros desembolsos recorrentes, depois comparar o total com sua renda líquida mensal.

A principal referência disponível é a Pesquisa de Orçamentos Familiares, a POF 2017-2018. Segundo o IBGE, a assistência à saúde representava 8,0% das despesas de consumo das famílias. O número descreve o comportamento médio daquele período, mas não é uma recomendação e não corresponde a 8% da renda.

Quanto as famílias gastavam com saúde na POF?

A participação da assistência à saúde nas despesas de consumo aumentou 0,8 ponto percentual entre as duas edições da pesquisa consideradas pelo IBGE. Os resultados completos podem ser consultados na publicação da POF 2017-2018.

Período da POFSaúde nas despesas de consumo
2008-20097,2%
2017-20188,0%

A composição do gasto também variava conforme o rendimento. No agregado, medicamentos respondiam por 44,8% das despesas com saúde, enquanto planos representavam 32,0%.

Grupo na POF 2017-2018Medicamentos no gasto com saúdePlanos no gasto com saúde
Total das famílias44,8%32,0%
Rendimento de até R$ 1.90871,2%9,8%
Rendimento acima de R$ 23.85025,4%51,0%

Os dados mostram que uma divisão única entre plano e remédios não representa famílias de rendas diferentes. Nas de menor rendimento, os medicamentos concentravam uma parcela maior das despesas de saúde. Nas de maior rendimento, o plano tinha peso superior.

Como calcular o peso da saúde na renda?

O cálculo deve usar apenas os valores efetivamente suportados pela família. A fórmula é:

mensalidade ou contribuição do plano + coparticipações + medicamentos + consultas e exames pagos diretamente + outros gastos recorrentes, divididos pela renda familiar líquida mensal.

O percentual encontrado funciona como diagnóstico do orçamento, não como faixa ideal atribuída ao IBGE, à ANS ou à CMED. A composição depende da forma de acesso aos serviços de saúde.

Situação da famíliaO que incluir no cálculo
Depende do SUSMedicamentos, consultas, exames e outros serviços pagos diretamente pela família
Tem plano individual ou familiarMensalidade integral, coparticipações e despesas não cobertas
Tem plano empresarialParcela descontada ou paga pela família, coparticipações e despesas não cobertas

No plano empresarial, o desconto suportado pelo empregado pode não representar o custo integral do benefício, pois uma parte pode ser paga pelo empregador. Para o orçamento doméstico, o dado relevante é quanto efetivamente sai da renda da família.

O reajuste é igual para todos os planos de saúde?

Não. Nos planos individuais ou familiares submetidos às regras da agência, a ANS autoriza um índice máximo anual. A família pode acompanhar as regras e o ciclo aplicável na página de reajuste dos planos individuais e familiares.

Planos coletivos, inclusive os empresariais, não têm um teto geral de reajuste fixado pela ANS. Neles, a variação segue as regras do contrato e a negociação entre a operadora e a pessoa jurídica contratante. Por isso, o índice dos planos individuais não deve ser usado automaticamente para projetar o custo de um plano empresarial ou coletivo por adesão. A distinção está detalhada nas regras oficiais para planos coletivos.

O reajuste da CMED mostra quanto os remédios subirão?

Não necessariamente. O ajuste anual da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos trata dos tetos regulatórios de preços. Isso não significa aumento automático e uniforme do valor cobrado por todas as farmácias.

O que a média de 8% não mostra?

A média da POF pode esconder uma pressão maior sobre famílias com pouca margem financeira. Na faixa de rendimento de até aproximadamente R$ 1,9 mil, alimentação e habitação já respondiam por 61,2% dos gastos, conforme a divulgação da POF pelo IBGE.

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Além disso, os 8,0% usam as despesas de consumo como denominador, e não a renda líquida. Transformar essa média histórica em teto de orçamento pode subestimar medicamentos recorrentes, coparticipações e despesas não cobertas pelo plano.

Como organizar o orçamento mensal de saúde?

Comece separando mensalidades e contribuições fixas dos desembolsos variáveis. Registre coparticipações, medicamentos, consultas e exames pagos diretamente. Depois, some os valores e divida pela renda familiar líquida.

Quem tem plano individual deve atualizar o cálculo quando o reajuste autorizado for aplicado. No plano empresarial, a referência deve ser o valor efetivamente cobrado da família e as regras comunicadas no contrato. Para usuários do SUS, entram apenas os desembolsos diretos existentes. Repita o cálculo sempre que houver mudança de renda, reajuste do plano ou alteração relevante nos gastos recorrentes com medicamentos e atendimento.

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Foto: Gerada por IA

Tags: finanças pessoaisorçamento familiarplanos de saúdeSaúde

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