Não existe uma porcentagem oficial universal da renda que deva ser reservada para saúde. Para definir quanto separar, a família precisa somar mensalidade ou contribuição do plano, coparticipações, medicamentos, consultas, exames e outros desembolsos recorrentes, depois comparar o total com sua renda líquida mensal.
A principal referência disponível é a Pesquisa de Orçamentos Familiares, a POF 2017-2018. Segundo o IBGE, a assistência à saúde representava 8,0% das despesas de consumo das famílias. O número descreve o comportamento médio daquele período, mas não é uma recomendação e não corresponde a 8% da renda.
Quanto as famílias gastavam com saúde na POF?
A participação da assistência à saúde nas despesas de consumo aumentou 0,8 ponto percentual entre as duas edições da pesquisa consideradas pelo IBGE. Os resultados completos podem ser consultados na publicação da POF 2017-2018.
| Período da POF | Saúde nas despesas de consumo |
|---|---|
| 2008-2009 | 7,2% |
| 2017-2018 | 8,0% |
A composição do gasto também variava conforme o rendimento. No agregado, medicamentos respondiam por 44,8% das despesas com saúde, enquanto planos representavam 32,0%.
| Grupo na POF 2017-2018 | Medicamentos no gasto com saúde | Planos no gasto com saúde |
|---|---|---|
| Total das famílias | 44,8% | 32,0% |
| Rendimento de até R$ 1.908 | 71,2% | 9,8% |
| Rendimento acima de R$ 23.850 | 25,4% | 51,0% |
Os dados mostram que uma divisão única entre plano e remédios não representa famílias de rendas diferentes. Nas de menor rendimento, os medicamentos concentravam uma parcela maior das despesas de saúde. Nas de maior rendimento, o plano tinha peso superior.
Como calcular o peso da saúde na renda?
O cálculo deve usar apenas os valores efetivamente suportados pela família. A fórmula é:
mensalidade ou contribuição do plano + coparticipações + medicamentos + consultas e exames pagos diretamente + outros gastos recorrentes, divididos pela renda familiar líquida mensal.
O percentual encontrado funciona como diagnóstico do orçamento, não como faixa ideal atribuída ao IBGE, à ANS ou à CMED. A composição depende da forma de acesso aos serviços de saúde.
| Situação da família | O que incluir no cálculo |
|---|---|
| Depende do SUS | Medicamentos, consultas, exames e outros serviços pagos diretamente pela família |
| Tem plano individual ou familiar | Mensalidade integral, coparticipações e despesas não cobertas |
| Tem plano empresarial | Parcela descontada ou paga pela família, coparticipações e despesas não cobertas |
No plano empresarial, o desconto suportado pelo empregado pode não representar o custo integral do benefício, pois uma parte pode ser paga pelo empregador. Para o orçamento doméstico, o dado relevante é quanto efetivamente sai da renda da família.
O reajuste é igual para todos os planos de saúde?
Não. Nos planos individuais ou familiares submetidos às regras da agência, a ANS autoriza um índice máximo anual. A família pode acompanhar as regras e o ciclo aplicável na página de reajuste dos planos individuais e familiares.
Planos coletivos, inclusive os empresariais, não têm um teto geral de reajuste fixado pela ANS. Neles, a variação segue as regras do contrato e a negociação entre a operadora e a pessoa jurídica contratante. Por isso, o índice dos planos individuais não deve ser usado automaticamente para projetar o custo de um plano empresarial ou coletivo por adesão. A distinção está detalhada nas regras oficiais para planos coletivos.
O reajuste da CMED mostra quanto os remédios subirão?
Não necessariamente. O ajuste anual da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos trata dos tetos regulatórios de preços. Isso não significa aumento automático e uniforme do valor cobrado por todas as farmácias.
O que a média de 8% não mostra?
A média da POF pode esconder uma pressão maior sobre famílias com pouca margem financeira. Na faixa de rendimento de até aproximadamente R$ 1,9 mil, alimentação e habitação já respondiam por 61,2% dos gastos, conforme a divulgação da POF pelo IBGE.
Além disso, os 8,0% usam as despesas de consumo como denominador, e não a renda líquida. Transformar essa média histórica em teto de orçamento pode subestimar medicamentos recorrentes, coparticipações e despesas não cobertas pelo plano.
Como organizar o orçamento mensal de saúde?
Comece separando mensalidades e contribuições fixas dos desembolsos variáveis. Registre coparticipações, medicamentos, consultas e exames pagos diretamente. Depois, some os valores e divida pela renda familiar líquida.
Quem tem plano individual deve atualizar o cálculo quando o reajuste autorizado for aplicado. No plano empresarial, a referência deve ser o valor efetivamente cobrado da família e as regras comunicadas no contrato. Para usuários do SUS, entram apenas os desembolsos diretos existentes. Repita o cálculo sempre que houver mudança de renda, reajuste do plano ou alteração relevante nos gastos recorrentes com medicamentos e atendimento.
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