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POLÍTICA

Lula se aproxima de Motta e Alcolumbre para tentar destravar cinco pautas no Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu uma nova frente de negociação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para tentar acelerar a votação de cinco pautas consideradas prioritárias antes que o calendário eleitoral reduza o ritmo de funcionamento do Congresso.

A agenda envolve o fim da taxa das blusinhas, a redução da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, o marco dos minerais críticos e o ReData, programa destinado a incentivar investimentos em data centers.

O encontro entre os três marcou uma reaproximação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Legislativo, mas não significa a reconstrução de uma base formal de apoio ao governo. A principal mudança está na retomada de um canal de negociação para projetos específicos.

Por que o calendário do Congresso se tornou decisivo?

Deputados e senadores terão entre 31 de agosto e 4 de setembro uma das principais janelas de votação antes de intensificarem a participação nas campanhas eleitorais.

Na prática, isso reduz o tempo disponível para o governo avançar com projetos considerados prioritários.

O problema não está apenas em colocar uma proposta em votação. Dependendo do tipo de matéria, o texto precisa passar por comissões, plenários e, em alguns casos, pelas duas Casas do Congresso antes de chegar à sanção presidencial.

Propostas de Emenda à Constituição, as PECs, enfrentam um caminho ainda mais complexo porque exigem quórum qualificado para aprovação.

Por isso, o acordo entre Lula, Motta e Alcolumbre tem como objetivo tentar acelerar ao menos as etapas consideradas possíveis antes da redução da atividade parlamentar.

Quais são as cinco prioridades negociadas?

A pauta mais urgente é a chamada taxa das blusinhas.

Uma medida provisória suspendeu a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, mas o texto perde validade em 8 de setembro. Caso não seja aprovado, a tributação volta automaticamente.

Motta se comprometeu a colocar o texto em votação na Câmara, enquanto Alcolumbre pretende acelerar a passagem pelo Senado.

Outra frente é a proposta relacionada à escala 6×1, que pretende alterar a jornada semanal e ampliar o período de descanso dos trabalhadores.

A PEC da Segurança Pública também entrou na negociação e tem relatório previsto no Senado.

No campo econômico, o governo tenta avançar com a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e retomar o ReData.

O que muda na negociação da escala 6×1?

O relator da PEC no Senado, Omar Aziz, pretende apresentar parecer na Comissão de Constituição e Justiça.

O texto prevê dois dias de descanso por semana e redução gradual da jornada sem diminuição salarial.

A carga semanal cairia inicialmente de 44 para 42 horas, dois meses depois da promulgação. Após um ano, seria reduzida para 40 horas semanais.

A tramitação, porém, continua sujeita às decisões políticas do Senado.

Aziz manifestou a expectativa de concluir a votação da proposta na Casa rapidamente, enquanto o calendário legislativo também trabalha com a possibilidade de que a decisão definitiva em plenário seja postergada.

O envio ao plenário depende ainda de Alcolumbre.

O que são minerais críticos e por que estão na pauta?

O Congresso também discute a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A proposta pretende estabelecer regras para um segmento que ganhou importância econômica com a expansão de tecnologias relacionadas à energia, eletrificação, semicondutores e infraestrutura tecnológica.

Ainda existem divergências entre a proposta discutida pelos senadores e o texto defendido pelo governo.

Alcolumbre se comprometeu a buscar um acordo para tentar permitir o avanço da matéria.

O que é o ReData?

O ReData é um regime especial de tributação voltado a estimular investimentos em data centers.

Essas estruturas concentram servidores e equipamentos utilizados para armazenamento e processamento de dados e ganharam relevância com a expansão da computação em nuvem e da inteligência artificial.

Uma proposta anterior perdeu validade antes de ser analisada pelo Senado.

A retomada do projeto coloca tecnologia e infraestrutura digital dentro da agenda econômica negociada entre governo e Congresso.

Como a oposição reage ao acordo?

Parlamentares da oposição também começaram a se movimentar.

Aliados de Flávio Bolsonaro tentam evitar que propostas associadas ao governo avancem às vésperas das eleições, especialmente a PEC da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública.

A estratégia, no entanto, não tem sido de oposição direta ao mérito das duas matérias. Parlamentares argumentam que os textos precisam de discussão mais ampla e apresentaram emendas que podem prolongar a tramitação.

Com isso, a última rodada de votações antes da intensificação das campanhas tende a combinar agenda legislativa e disputa eleitoral.

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Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Canva Pro