Se você acha que falar de mercado financeiro é só papo engomado de paulista na Faria Lima ou carioca no Leblon, está bem enganado. Depois da facilitação do acesso a corretoras fora do Brasil e de informações em tempo real na palma da mão, a palavra EWZ ficou comum nas conversas dos investidores. Mas vamos ao papo reto e direto: você saberia a diferença real entre o EWZ, o famoso ETF da BlackRock listado nos EUA, e o nosso queridinho Ibovespa, o IBOV?
Se responder simplesmente: “É o Ibovespa na bolsa americana”, infelizmente lhe aviso que errou. Por mais que ambos olhem para o Brasil, têm suas peculiaridades.
O Ibovespa é o puro índice aqui no Brasil: negociado em reais na B3, com mais de 75 empresas e focado puramente na liquidez de quem está operando aqui no nosso país.
Já o EWZ é o Brasil com passaporte, negociado na Bolsa de Nova York, a NYSE. O “gringo” quer investir no Brasil? Ele compra EWZ. Só que o pulo do gato é que o EWZ roda em dólar. Ou seja, se o Ibovespa subir, mas o dólar disparar, ou seja, o real derreter, o gringo pode acabar saindo até no prejuízo, ou vice-versa. É um olho no peixe e outro no gato, ou na taxa de câmbio, no caso.
O raio-X dos pesos pesados (Top Ativos)
Para não ficar só na teoria, vamos direto ao que interessa. A composição dos dois até tem os mesmos pilares, Vale e Petrobras, mas o critério de quem entra no pódio varia. É aí que é preciso perceber a diferença na divisão dos pesos pesados de cada um dos índices:

Qual é a do Nubank e das regras do jogo?
O Nubank (NU) é listado lá em Nova York. Como o EWZ segue o índice MSCI Brazil, ele pega empresas de controle brasileiro que estão fortes lá fora. Já o Ibovespa raiz foca estritamente nas ações negociadas de forma nativa e com boa liquidez na nossa B3.
Além disso, o EWZ usa uma regra que quase ninguém sabe, a “25/50”: nenhuma empresa pode passar de 25% do fundo, e a soma das que passam de 5% não pode superar metade do ETF. O Ibovespa trava o limite por empresa em 20%. Portanto, proporções e condições diferentes.
Se você pretende blindar seu capital contra a oscilação do real e curte a exposição ao dólar, o EWZ talvez possa ser o porto mais seguro do Brasil nos EUA. Se quer operar com o fluxo direto da economia local em reais, o Ibovespa está aqui, em qualquer corretora, à sua disposição.
Moral da história: EWZ, nossa referência lá fora, mas é o que “temos para hoje”, né…
*Coluna escrita por Rui das Neves, administrador de empresas, investidor e possui vasta experiência no como incorporador imobiliário.
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