Nos últimos anos, o acesso aos investimentos se democratizou. Abrir uma conta em uma corretora leva poucos minutos, informações estão disponíveis nas redes sociais e milhares de pessoas passaram a investir diretamente em ações, fundos imobiliários e outros ativos.
Esse avanço é extremamente positivo. No entanto, existe uma diferença importante entre ter acesso ao mercado e conseguir construir patrimônio de forma consistente ao longo do tempo.
É justamente nesse ponto que a gestão profissional se torna relevante.
Investir não significa apenas escolher uma ação ou decidir qual fundo comprar. A verdadeira gestão envolve análise, disciplina, controle de risco, planejamento tributário e, principalmente, tomada de decisões em ambientes de incerteza.
O investidor é seu maior inimigo
Diversos estudos mostram que o principal motivo do baixo retorno de muitos investidores não é a escolha errada dos ativos, mas o comportamento.
O investidor pessoa física frequentemente compra quando os preços já subiram, vende durante as quedas e toma decisões influenciado pelo noticiário ou pelas emoções.
Os grandes investidores costumam agir de forma oposta: aumentam posições em momentos de pessimismo e realizam lucros quando os ativos ficam excessivamente caros.
A gestão profissional ajuda justamente a reduzir o componente emocional das decisões. O gestor trabalha com processos, metodologia e horizonte de longo prazo.
O tempo também é um ativo valioso
Acompanhar empresas, balanços, indicadores econômicos, política monetária, resultados trimestrais e cenário internacional exige tempo e dedicação.
Uma carteira de ações pode exigir o acompanhamento de dezenas de companhias, setores e variáveis macroeconômicas.
Muitos investidores possuem carreiras, empresas ou atividades profissionais que demandam atenção integral.
Delegar a gestão dos investimentos permite que o investidor concentre seu tempo naquilo que faz melhor, enquanto especialistas acompanham os mercados diariamente.
O desafio tributário
Outro aspecto frequentemente negligenciado é a questão tributária. O investidor que opera diretamente ações precisa controlar preços médios, apurar ganhos, compensar prejuízos e emitir mensalmente as guias de imposto quando houver lucro tributável.
Operações mais frequentes podem tornar o processo ainda mais complexo. Nos fundos de investimento, toda essa estrutura tributária e operacional é administrada pelo administrador e pelo gestor. O investidor recebe seus informes e possui muito mais simplicidade na declaração do Imposto de Renda. A praticidade também possui valor.
Diversificação e gestão de risco
Uma carteira profissional não busca apenas retorno. Ela busca retorno ajustado ao risco.
Em determinados momentos, reduzir exposição a determinados setores, aumentar posições defensivas ou elevar a liquidez pode ser tão importante quanto encontrar boas oportunidades.
Gestores profissionais trabalham constantemente avaliando cenários, correlações, valuation e riscos específicos de cada empresa ou setor. Em fundos de ações, por exemplo, a gestão ativa permite aproveitar oportunidades que surgem em diferentes ciclos econômicos, sempre dentro de uma estratégia previamente definida.
O alinhamento de interesses
Talvez um dos pontos mais importantes na escolha de um fundo seja o alinhamento entre gestores e investidores. Os melhores modelos de gestão costumam apresentar gestores que possuem parcela relevante de seu patrimônio investida nos próprios fundos que administram. Isso cria um forte alinhamento de interesses.
Quando o gestor investe junto com seus cotistas, ele compartilha dos mesmos riscos e dos mesmos resultados. Seu patrimônio evolui ou sofre exatamente ao lado dos investidores. Essa característica transmite confiança e reforça o compromisso com o longo prazo. Fundos de ações: acesso à gestão especializada
O mercado acionário oferece excelentes oportunidades de geração de riqueza ao longo do tempo, mas também exige conhecimento, disciplina e capacidade de suportar volatilidade.
Fundos de ações permitem que o investidor tenha acesso a equipes especializadas, processos de análise, reuniões com empresas, acompanhamento setorial e gestão ativa das posições.
Além disso, o fundo oferece diversificação e uma visão profissional sobre riscos e oportunidades. Não se trata de substituir completamente o investidor, mas de colocar ao seu lado profissionais dedicados exclusivamente à tarefa de gerir patrimônio.
Investir é uma maratona
O objetivo de um investimento não é vencer o mercado em um mês ou em um trimestre. O verdadeiro desafio é construir patrimônio ao longo de décadas.
Nesse processo, a gestão profissional pode representar disciplina, experiência, controle de risco, eficiência operacional e alinhamento de interesses.
O investidor continuará sendo o dono do patrimônio e das decisões estratégicas, mas poderá contar com profissionais preparados para ajudá-lo a navegar pelos diferentes ciclos do mercado.
Em um ambiente cada vez mais complexo, buscar gestão profissional deixou de ser um privilégio de grandes fortunas. Tornou-se uma ferramenta importante para quem deseja investir melhor e aumentar suas chances de sucesso no longo prazo.
*Coluna escrita por Marco Saravalle, mestre em Economia e Finanças pela FGV/EESP, CIO da MSX e diretor de Investimentos da Krivo Capital. Sócio e estrategista-chefe da MSX Invest, é analista certificado CNPI, empreendedor, comentarista, educador e palestrante, com mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro e passagens por algumas das maiores instituições financeiras do país.
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