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INTERNACIONAL

Estreito de Ormuz trava negociações e pressiona petróleo

O Estreito de Ormuz voltou ao centro das tensões entre Estados Unidos e Irã após o fim do memorando de entendimento que havia aberto espaço para negociações entre os dois países. O impasse ocorre em meio a novos ataques contra embarcações e à alta do petróleo, que levou o Brent acima de US$ 91 por barril.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou a prorrogação do memorando, que expirou após 60 dias sem um acordo definitivo. O documento previa negociações para um cessar-fogo duradouro, mas, segundo as laudas, foi violado repetidamente e acabou declarado extinto pelos dois lados.

As conversas também não produziram avanços sobre o programa nuclear iraniano. Washington pretende manter a pressão econômica sobre Teerã para impedir o desenvolvimento de uma arma nuclear.

Estreito de Ormuz permanece como principal ponto de impasse?

A reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais questões para uma eventual retomada das negociações. O negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou que a passagem não será reaberta até que os Estados Unidos cumpram compromissos previstos no entendimento anterior.

Entre as exigências apresentadas pelo Irã estão a liberação de ativos iranianos congelados no exterior, a retirada das sanções sobre as exportações de petróleo e gás e o fim do bloqueio naval americano.

Irã e Omã também negociam separadamente um modelo para a gestão do tráfego na região. Segundo o Catar, os mediadores aguardam um entendimento sobre Ormuz antes de retomar discussões mais amplas entre Washington e Teerã.

Ataques a navios elevam risco na região

A deterioração das negociações ocorre junto com uma nova escalada militar. Vários navios foram atacados na rota entre o Golfo Pérsico, o Estreito de Ormuz e o Mar Arábico.

Uma embarcação que deixava Ormuz foi atingida por um projétil, que danificou a casa de máquinas e deixou uma pessoa morta. O tráfego marítimo permanece abaixo dos níveis registrados antes da guerra.

Israel também voltou a atacar alvos do Hezbollah no Líbano e do Hamas em Gaza, enquanto os Houthis continuam realizando ataques contra navios no Mar Vermelho.

Brent supera US$ 91 por barril

A piora nas perspectivas para um acordo repercutiu no mercado de petróleo. O Brent superou US$ 91 por barril e chegou a US$ 91,85, maior valor em mais de três semanas.

Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás mundial passava pelo Estreito de Ormuz. As dúvidas sobre uma reabertura rápida da rota e os ataques contra embarcações elevaram o prêmio de risco.

A alta da energia também amplia as preocupações com a inflação global e pode dificultar as decisões de política monetária dos principais bancos centrais.

estreito de ormuz
Foto: Reprodução