A possibilidade de novos cortes na Selic em setembro de 2026 coloca os investimentos de renda fixa novamente no centro das atenções. Depois de reduzir a taxa básica de juros para 14% ao ano em agosto, o Banco Central volta a se reunir nos dias 15 e 16 de setembro.
O Relatório Focus mais recente indica uma Selic de 13,75% ao ano no fim de 2026. Como a taxa está atualmente em 14%, a projeção representa espaço para mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro.
A deflação de 0,40% registrada pelo IPCA-15 de agosto reforçou a percepção de desaceleração dos preços. Ainda assim, o Banco Central mantém uma comunicação cautelosa diante das expectativas de inflação e dos riscos para o cenário econômico.
Para quem investe em renda fixa, a principal questão passa a ser como uma eventual continuidade da queda dos juros afeta aplicações como Tesouro Selic, CDBs, títulos prefixados e Tesouro IPCA+.
Selic em setembro: o que acontece com Tesouro Selic e CDB?
Investimentos pós-fixados acompanham de perto o comportamento da taxa básica de juros. É o caso do Tesouro Selic e de CDBs cuja remuneração está vinculada ao CDI.
Quando a Selic cai, a tendência é que a rentabilidade dessas aplicações também diminua gradualmente.
Isso não significa, porém, uma mudança imediata na função desses investimentos. Aplicações com liquidez diária continuam sendo utilizadas principalmente para recursos de curto prazo e reservas que precisam estar disponíveis rapidamente.
Em um cenário de juros ainda elevados, uma redução de 0,25 ponto percentual teria impacto limitado sobre a rentabilidade no curto prazo. O efeito se torna mais perceptível caso o ciclo de cortes avance nas reuniões seguintes.
Prefixados podem ganhar com a queda da Selic?
Os títulos prefixados funcionam de maneira diferente.
Ao comprar um título e mantê-lo até o vencimento, o investidor assegura a taxa contratada no momento da aplicação, desde que sejam observadas as condições do investimento.
Antes do vencimento, porém, o preço do título pode oscilar.
Quando as taxas de juros negociadas pelo mercado caem, títulos prefixados emitidos anteriormente com taxas mais altas tendem a se valorizar. Esse movimento é conhecido como marcação a mercado.
O contrário também acontece. Caso as taxas futuras voltem a subir, o preço desses papéis pode recuar e provocar perdas para quem vender antes do vencimento.
Por isso, o prazo do investimento precisa estar alinhado à data em que o dinheiro será utilizado.
Como o Tesouro IPCA+ reage à queda dos juros?
O Tesouro IPCA+ combina a variação da inflação com uma taxa real de juros definida no momento da compra.
Assim como acontece com os prefixados, esses títulos podem apresentar valorização antes do vencimento quando as taxas de mercado recuam.
Por outro lado, oscilações nas expectativas de inflação, no cenário fiscal ou na percepção de risco podem elevar os juros de longo prazo e pressionar os preços dos papéis.
Esse comportamento faz com que títulos IPCA+ de vencimentos mais distantes possam apresentar variações relevantes mesmo sendo investimentos de renda fixa.
Para quem mantém o papel até o vencimento, a referência passa a ser a rentabilidade contratada, respeitadas as regras do título.
Poupança perde atratividade com Selic a 14%?
Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a regra da poupança estabelece rendimento de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, a TR.
A aplicação tem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, mas sua remuneração precisa ser comparada com alternativas como Tesouro Selic e CDBs considerando também tributação, liquidez, prazo e risco.
A eventual redução da Selic em setembro de 2026 para um patamar próximo de 13,75% não altera a regra de remuneração da poupança.
Para que a fórmula mude, a Selic precisaria ficar igual ou abaixo de 8,5% ao ano. Nesse cenário, a poupança passaria a render 70% da Selic mais TR.
Com os juros ainda distantes desse nível, essa mudança não está no horizonte imediato.
O que evitar durante um ciclo de queda da Selic?
A mudança de direção dos juros costuma aumentar a procura por títulos de prazo mais longo, mas também pode levar a decisões baseadas apenas na expectativa de novos cortes.
Um dos riscos é concentrar recursos em títulos longos sem considerar a necessidade de resgate antecipado. Prefixados e Tesouro IPCA+ podem oscilar significativamente antes do vencimento.
Outro ponto é manter todo o patrimônio em aplicações pós-fixadas apenas porque os juros atuais continuam elevados. Caso a Selic siga caindo, novas aplicações poderão oferecer taxas menores.
A alternativa é observar o prazo de cada objetivo e entender a função de diferentes indexadores dentro da renda fixa, sem assumir que a trajetória dos juros será linear.
Selic pode cair mais depois de setembro?
A próxima decisão do Copom será conhecida em 16 de setembro.
Atualmente, a mediana das projeções do mercado aponta Selic de 13,75% no fim de 2026 e de 12% ao fim de 2027.
Essas estimativas podem mudar conforme novos dados de inflação, atividade econômica, mercado de trabalho, contas públicas e cenário internacional forem divulgados.
Por isso, mais importante do que tentar antecipar cada decisão do Banco Central é entender como diferentes aplicações reagem à queda dos juros e quais riscos existem antes do vencimento.
A Selic em setembro de 2026 pode marcar mais uma etapa do ciclo de redução dos juros, mas a renda fixa deve continuar convivendo com taxas elevadas e oscilações nos vencimentos mais longos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Avalie seu perfil, seus objetivos e os riscos antes de tomar decisões financeiras.
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