O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou que não pretende aumentar impostos caso seja eleito e disse que, ao contrário, pretende buscar uma redução da carga tributária. A declaração foi dada em entrevista exclusiva à BM&C News, durante uma discussão sobre o equilíbrio das contas públicas e as medidas necessárias para reduzir despesas do governo.
Questionado se estaria disposto a fechar as contas públicas sem recorrer à elevação de tributos, Caiado respondeu que não vê espaço para novas cobranças sobre a população.
“O brasileiro não suporta mais nada. Não existe hipótese, nenhum governante tem condições morais de chegar e querer fazer algo que o Lula vai fazer”, afirmou.
Na sequência, o candidato direcionou as críticas à implementação da reforma tributária sobre o consumo e questionou a definição das alíquotas da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto Seletivo (IS).
A CBS, o IBS e o Imposto Seletivo foram instituídos pela regulamentação da reforma tributária. A CBS é um tributo federal, enquanto o IBS será administrado por estados e municípios. Já o Imposto Seletivo é federal e incidirá sobre determinados bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Caiado promete não elevar impostos
Ao ser questionado diretamente sobre a possibilidade de alterar impostos em um eventual governo, Caiado descartou aumento de tributos.
“Sem dúvida. Eu quero diminuí-los”, respondeu.
A declaração coloca a política tributária entre os pontos que Ronaldo Caiado pretende diferenciar em sua campanha presidencial.
O candidato não detalhou quais impostos pretende reduzir, em quanto pretende diminuir a carga tributária ou qual seria o impacto fiscal das medidas. A discussão ocorreu no contexto da necessidade de equilibrar receitas e despesas públicas e de uma reforma administrativa defendida anteriormente pelo candidato.
A proposta apresentada por Caiado, portanto, parte da combinação entre redução de gastos públicos e uma política que, segundo ele, não dependeria de novos aumentos tributários.
Caiado critica definição de alíquotas da reforma tributária
Durante a exclusiva, Caiado questionou por que as alíquotas definitivas de tributos criados pela reforma ainda não foram apresentadas.
“Por que que o Lula não encaminha para o Congresso o valor do CBS? Por que que o Lula não encaminha para o Congresso o percentual da taxa do imposto seletivo, chamado imposto do pecado?”, questionou.
Caiado afirmou acreditar que a definição ocorrerá somente depois do segundo turno das eleições de 2026 e associou esse movimento à possibilidade de aumento da carga tributária.
“Ele vai enfiar mais a mão no bolso do brasileiro. Eu não vou fazer isso”, declarou.
Mais adiante, o candidato voltou ao assunto.
“Eu quero rever essa situação que nós vamos assistir depois do dia 25 de outubro”, disse.
O dia 25 de outubro de 2026 é a data prevista pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para um eventual segundo turno das eleições presidenciais. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro.
A afirmação de que o governo pretende esperar o fim da eleição para promover aumento da carga tributária representa uma avaliação política de Caiado. O candidato não apresentou documentos ou atos oficiais que comprovem que a definição das alíquotas tenha sido deliberadamente adiada pelo governo em razão do calendário eleitoral.
Quem define as alíquotas da CBS e do IBS?
A implementação da reforma tributária envolve diferentes etapas e não depende exclusivamente de uma decisão do presidente da República.
De acordo com as regras da reforma, caberá ao Senado Federal estabelecer as alíquotas de referência da CBS e do IBS por meio de projeto de resolução. A alíquota de referência da CBS precisa ser definida ainda em 2026 porque a cobrança efetiva começa em 2027.
O calendário para a definição da alíquota do Imposto Seletivo também prevê decisões em 2026. Já a alíquota de referência do IBS deverá ser estabelecida posteriormente, antes do avanço de sua transição a partir de 2029.
Em outras palavras, as alíquotas definitivas ainda fazem parte do processo de implementação da reforma, que envolve Executivo e Congresso.
2026 é ano de teste para CBS e IBS
A reforma tributária começou uma fase de transição em 2026. Neste ano, os documentos fiscais passaram a trazer os novos tributos, com alíquotas-teste de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS. Segundo a Receita Federal, esses valores fazem parte do período de testes e podem ser compensados com PIS e Cofins; contribuintes que cumprirem as obrigações acessórias previstas na legislação ficam dispensados do recolhimento relacionado às alíquotas de teste.
A cobrança efetiva da CBS e do Imposto Seletivo está prevista para começar em 2027. O IBS terá transição mais longa: a substituição gradual de ICMS e ISS ocorre entre 2029 e 2032, com implementação integral do novo sistema prevista para 2033.
O desenho foi estabelecido pela Emenda Constitucional da reforma tributária e posteriormente regulamentado, entre outras normas, pela Lei Complementar 214/2025, que instituiu CBS, IBS e Imposto Seletivo.
Caiado alerta empresários sobre novos tributos
Na entrevista à BM&C News, Caiado também dirigiu sua fala diretamente ao setor empresarial. Ao mencionar que o IBS ainda terá etapas posteriores de implementação, afirmou:
“Então fiquem atentos, empresários, está bom? Vocês estão indo para o abatedouro, está vendo?”
A expressão foi utilizada pelo candidato ao criticar os possíveis efeitos da nova estrutura tributária sobre empresas e contribuintes.
Oficialmente, a reforma substitui gradualmente diferentes impostos sobre o consumo. A CBS ocupará o espaço dos atuais tributos federais sobre o consumo, enquanto o IBS substituirá ICMS e ISS. O Imposto Seletivo será cobrado sobre grupos específicos de produtos e atividades definidos em lei.
A implementação ocorre de forma escalonada justamente para permitir a convivência temporária entre o sistema atual e o novo modelo.
Reforma tributária entra no debate eleitoral
As declarações mostram que a implementação da reforma tributária deve ocupar espaço no debate econômico das eleições de 2026. De um lado, o novo modelo já está definido em lei e atravessa um período de transição que se estenderá até 2033. De outro, pontos importantes para empresas e consumidores, como algumas alíquotas definitivas, ainda precisam ser estabelecidos ao longo desse processo. É nesse espaço que Caiado concentra sua crítica.
Ao afirmar que pretende reduzir impostos, o candidato estabelece um compromisso político, mas ainda precisará detalhar quais tributos seriam alterados e como uma eventual redução seria compatibilizada com a necessidade de equilibrar as contas públicas.
Na entrevista exclusiva à BM&C News, Ronaldo Caiado deixou claro que descarta utilizar aumento de impostos como instrumento para fechar as contas de um eventual governo.
“Eu não vou fazer isso”, afirmou.
A discussão sobre Ronaldo Caiado e impostos passa, portanto, por dois compromissos apresentados pelo candidato: buscar redução de despesas públicas e, ao mesmo tempo, evitar elevação da carga tributária. O detalhamento de como essas duas medidas seriam conciliadas deverá ser um dos pontos econômicos a serem acompanhados durante a campanha presidencial.
Veja a entrevista exclusiva feita com o candidato Romeu Zema:













