O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou que pretende concentrar o ajuste das contas públicas pelo lado das despesas e descartou aumentar impostos para financiar um eventual governo. Em entrevista exclusiva à BM&C News, realizada durante a sabatina presidencial promovida por O Antagonista e G4, Zema apresentou quatro frentes para tentar reduzir a pressão sobre o Orçamento: privatizações, reforma administrativa, uma nova reforma da Previdência e revisão de programas sociais.
A pergunta feita pela BM&C News buscou identificar quais despesas, subsídios ou benefícios tributários o candidato estaria disposto a rever diante de um cenário de Orçamento pressionado e avanço da dívida pública.
Zema concentrou a resposta nas despesas. Subsídios e benefícios tributários não foram citados pelo candidato entre as medidas que pretende rever.
Quais as propostas de Romeu Zema?
Uma das primeiras medidas citadas pelo candidato foi a continuidade da agenda de privatizações. Romeu Zema argumentou que o poder público deveria concentrar recursos e esforços nas atividades que considera essenciais, em vez de administrar empresas.
“O Estado já tem uma tarefa gigantesca na área da saúde, da segurança pública, da educação, da infraestrutura, para poder ficar tocando empresas”, afirmou.
A privatização de empresas públicas, portanto, aparece no plano apresentado pelo candidato como uma das formas de reduzir o tamanho da estrutura estatal e aliviar despesas.
Reforma administrativa está entre prioridades
Outra frente defendida por Zema é uma reforma administrativa. O candidato afirmou que pretende rever carreiras e salários iniciais do funcionalismo, preservando direitos adquiridos.
A proposta faz parte da estratégia apresentada por ele para conter o crescimento das despesas públicas no médio e longo prazo.
Romeu Zema não apresentou, durante a resposta à BM&C News, uma estimativa individual de economia para a reforma administrativa nem detalhou quais carreiras seriam atingidas ou qual seria o cronograma para implementação das mudanças.
Candidato defende nova reforma da Previdência
O candidato também afirmou que considera inevitável uma nova mudança nas regras previdenciárias.
“Vamos precisar fazer. Não tem como ficar sem, a expectativa de vida tem aumentado”, afirmou.
Zema não detalhou, nesse trecho da entrevista, quais regras pretende alterar, qual seria a idade mínima defendida ou qual economia espera gerar especificamente com uma nova reforma da Previdência. Mudanças estruturais dessa natureza também dependeriam de discussão e aprovação no Congresso Nacional.
Zema também incluiu os programas sociais entre as áreas que pretende revisar. O candidato afirmou, porém, que não pretende acabar com os benefícios.
“Muita gente recebe, precisa, mas tem muito marmanjão aí, que só quer ficar fazendo o bico e não se qualifica. Está passando de pai para filho já”, declarou.
A proposta apresentada pelo candidato é associar a manutenção da proteção social a mecanismos que estimulem qualificação e entrada no mercado de trabalho.
Romeu Zema estima economia de “alguns trilhões”
Ao avaliar o efeito conjunto das medidas, Zema afirmou que privatizações, reforma administrativa, mudanças previdenciárias e revisão de programas sociais poderiam produzir uma economia de “alguns trilhões de reais nos próximos anos”.
Zema afirmou ainda que a reação dos mercados dependeria não apenas do resultado imediato das medidas, mas da sinalização de que o governo estaria disposto a controlar as contas públicas.
“Eu assino esse compromisso”, diz Zema sobre impostos
Questionado diretamente pela BM&C News se descartava elevar impostos para fechar as contas públicas, Zema respondeu: “Totalmente”.
Na sequência, afirmou que assumiria publicamente esse compromisso e utilizou sua passagem pelo governo de Minas Gerais como argumento.
“Eu assino esse compromisso. Em Minas Gerais, como governador, sete anos à frente de um Estado falido, quebrado, que eu assumi e não aumentamos impostos. O ajuste foi feito do outro lado, do lado das despesas”, afirmou.
A resposta coloca o corte e a revisão de gastos no centro da estratégia fiscal apresentada pelo candidato. Ao mesmo tempo, a entrevista deixou sem detalhamento o tamanho da economia esperada em cada medida, o cronograma das reformas e quais despesas específicas, além das áreas citadas, seriam efetivamente reduzidas.
A entrevista faz parte da série especial da BM&C News com os candidatos à Presidência da República, realizada durante a sabatina presidencial de O Antagonista e G4. Os presidenciáveis foram questionados sobre os principais desafios econômicos do país, incluindo dívida pública, controle de despesas, carga tributária, reformas e financiamento das propostas de governo.
Veja mais sobre a Sabatina:
