As principais casas de análise do mercado financeiro revisaram nesta semana suas teses para empresas do setor imobiliário, varejo de moda e proteína animal, ajustando expectativas diante de um cenário marcado por execução lenta, crédito travado e pressão competitiva. As recomendações de bancos como Itaú BBA, Jefferies, J.P. Morgan e Bradesco BBI refletem um ambiente em que o otimismo seletivo convive com ceticismo estrutural sobre a conversão de planos em resultados concretos.
A BM&C News reuniu as principais revisões divulgadas por essas instituições para Cyrela, Cury, C&A, Multiplan e Minerva, destacando os ajustes de preço-alvo, mudanças de tese e leituras sobre o que está por trás dos números.
Quando a desistência não muda a recomendação, o risco já estava no preço
O Itaú BBA manteve recomendação de compra para Cyrela (CYRE3), mesmo após a desistência de uma operação de cerca de R$ 240 milhões envolvendo ativos da companhia. Na avaliação do banco, o episódio representa um desfecho negativo, mas não altera a tese de longo prazo. O preço-alvo segue em R$ 33, acima do nível atual das ações, que giram em torno de R$ 23 a R$ 24.
A Cury (CURY3) também recebeu recomendação de compra do Itaú BBA. Após entrevista com a diretoria da empresa, o banco passou a projetar vendas mais favoráveis no terceiro trimestre, beneficiadas pela maior agilidade da Caixa Econômica Federal na aprovação de financiamentos imobiliários. O preço-alvo indicado é de R$ 44.
A promessa de crescimento até 2030 não impediu o corte no alvo
O Jefferies manteve recomendação de compra para C&A (CEAB3), mas reduziu o preço-alvo de R$ 22,40 para R$ 17, refletindo a incorporação do plano de crescimento até 2030, os resultados do segundo trimestre e o ambiente competitivo do varejo de moda. As ações da rede circulam em torno de R$ 8, o que ainda deixaria espaço relevante até o novo alvo, segundo a casa.
Para a Multiplan (MULT3), o J.P. Morgan reforçou a recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 38. O banco destacou o desempenho do empreendimento Golden Lake, em Porto Alegre, que apresenta resiliência, valorização de preços e expansão de margens mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.
O balanço pressionado convive com expectativa de ganho estrutural
O Bradesco BBI manteve recomendação neutra para Minerva (BEEF3), com preço-alvo de R$ 6,80. Segundo a casa, o balanço da companhia segue pressionado, com maior demora na conversão de capital de giro em caixa e visão mais conservadora para o ciclo da carne bovina no Brasil.
Ao mesmo tempo, o banco avalia que a América do Sul, em especial o Brasil, tende a ganhar relevância como exportadora líquida de proteína, o que pode favorecer os próximos ciclos. O Excel fecha. O caixa é que cobra.
Quando o crédito anda devagar, o preço-alvo vira aposta de prazo
A rodada de recomendações de bancos desta semana evidencia um padrão: preços-alvo distantes das cotações atuais, mas com ajustes para baixo que sinalizam menor confiança na velocidade da execução. O mercado não reage ao discurso, reage ao risco. E, no momento, o risco está na conversão de teses em resultados tangíveis, em meio a juros altos, crédito seletivo e concorrência acirrada.
Assista à entrevista completa da BM&C News neste link: https://www.youtube.com/watch?v=Yxw2jBdt06k














