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Horário eleitoral começa hoje: o que investidores devem acompanhar até o primeiro turno

Renata NunesPor Renata Nunes
28/08/2026

O horário eleitoral 2026 começa nesta sexta-feira, 28 de agosto, e abre uma das fases mais importantes da campanha para a Presidência da República. A propaganda gratuita será exibida no rádio e na televisão até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Para o eleitor, começa um período de maior exposição aos candidatos, propostas e confrontos políticos. Para o mercado financeiro, começa também uma etapa em que pesquisas, entrevistas e promessas econômicas passam a ser incorporadas com maior frequência às expectativas para 2027. Isso não significa que cada programa eleitoral fará o dólar subir ou a Bolsa cair.

Os mercados brasileiros continuarão respondendo ao Federal Reserve, inflação, commodities, fluxo estrangeiro, atividade econômica e decisões do Banco Central. Mas, quanto mais perto estiver a eleição, maior tende a ser a atenção para qualquer informação capaz de alterar a probabilidade de vitória de um candidato ou mudar a percepção sobre sua política econômica.

A disputa está especialmente relevante porque pesquisas recentes colocam Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro como os dois principais nomes da corrida presidencial, inclusive com levantamentos apontando uma disputa apertada em eventual segundo turno. Para investidores, porém, acompanhar apenas quem está na frente pode ser insuficiente.

Nas próximas cinco semanas, tão importante quanto a intenção de voto será descobrir qual política fiscal cada candidato pretende implementar, quais promessas cabem no Orçamento e como um eventual governo tratará empresas como Petrobras e Banco do Brasil.

Até quando vai o horário eleitoral de 2026?

O calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral estabelece que a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para o primeiro turno começa em 28 de agosto e termina em 1º de outubro. O primeiro turno será realizado em domingo, 4 de outubro.

A propaganda eleitoral de forma mais ampla, inclusive pela internet e em comícios e eventos de campanha, já estava autorizada desde 16 de agosto. O início do horário gratuito, portanto, representa uma ampliação da exposição dos candidatos em meios de comunicação de massa.

O período de aproximadamente cinco semanas até a eleição também concentrará pesquisas, sabatinas, debates promovidos por emissoras e divulgação de propostas econômicas.

É importante destacar que não existe uma data única determinada pelo TSE para pesquisas eleitorais ou debates de televisão.

Os institutos registram seus levantamentos na Justiça Eleitoral e divulgam os resultados de acordo com seus próprios cronogramas e contratos. Já os debates são organizados pelas emissoras, respeitando a legislação eleitoral.

Por isso, o calendário do investidor durante setembro não será formado apenas pelas datas oficiais do TSE.

Haverá uma agenda paralela de pesquisas e eventos políticos capaz de alterar as expectativas de mercado em poucos dias.

Por que pesquisas eleitorais podem mexer com dólar e Bolsa?

Uma pesquisa eleitoral não altera diretamente o lucro de uma empresa, o resultado fiscal ou a taxa Selic. O que ela altera é a probabilidade que investidores atribuem a diferentes cenários para o próximo governo. Imagine que o mercado trabalha com dois candidatos com propostas fiscais muito diferentes.

Se uma nova pesquisa aumenta significativamente a chance de vitória de um deles, investidores podem rever projeções para dívida pública, inflação, juros, câmbio e crescimento econômico. Essa revisão passa rapidamente para os preços dos ativos.

É por isso que não basta observar se Lula tem 38%, Flávio Bolsonaro 35% ou qualquer outro percentual isoladamente.

O mercado procura principalmente mudanças de tendência.

Uma pesquisa que confirma números conhecidos tende a produzir menos impacto do que um levantamento que mostra uma alteração relevante na liderança ou na probabilidade de segundo turno.

Também importa a sequência dos levantamentos.

Uma mudança registrada por apenas um instituto pode ser interpretada com cautela. Quando vários levantamentos começam a apontar a mesma direção, o mercado tende a recalibrar suas probabilidades com maior convicção.

O mercado torce por algum candidato?

É comum dizer que determinado candidato é “o candidato do mercado”, mas essa definição simplifica uma realidade muito mais heterogênea.

O mercado financeiro inclui investidores estrangeiros, fundos de ações, gestores de renda fixa, bancos, seguradoras, fundos de pensão e milhões de pessoas físicas. Os interesses não são idênticos.

Um gestor que possui títulos públicos de longo prazo pode enxergar determinado cenário de forma diferente de um investidor concentrado em empresas exportadoras.

Apesar dessas diferenças, existe um fator que costuma ser valorizado por praticamente todos: previsibilidade.

Investidores precisam estimar receitas, despesas, juros, impostos e regras regulatórias antes de decidir quanto estão dispostos a pagar por um ativo.

Uma política pode até ser considerada ruim por determinado investidor e ainda assim ser precificada se suas consequências forem previsíveis. O problema aumenta quando não é possível calcular o que o governo pretende fazer.

É nesse ponto que o debate fiscal de 2026 ganhou importância.

Economistas avaliam que, apesar das diferenças políticas entre Lula e Flávio Bolsonaro, a dívida brasileira poderá continuar crescendo nos próximos anos sem um ajuste relevante. As estimativas citadas apontam que estabilizar o indicador até 2031 exigiria uma melhora fiscal equivalente a pelo menos 2,5 pontos percentuais do PIB.

Por que a dívida pública será decisiva nesta eleição?

A Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 81,9% do PIB em junho, e o custo dos juros continua elevado. Isso coloca a política fiscal no centro da precificação dos ativos brasileiros.

Uma dívida alta não provoca automaticamente uma crise. Países diferentes conseguem conviver com níveis muito distintos de endividamento.

O problema surge quando o mercado passa a questionar a trajetória futura.

Se investidores acreditam que o governo precisará emitir volumes crescentes de dívida sem apresentar perspectiva de estabilização, eles podem exigir taxas maiores para financiar o Tesouro.

A consequência aparece na curva de juros.

Taxas longas maiores aumentam o custo de capital das empresas, reduzem o valor presente dos lucros futuros e podem afetar investimentos, consumo e crédito.

Por isso, propostas aparentemente distantes do mercado financeiro, como alterações na Previdência, salário mínimo, subsídios, benefícios sociais e vinculações orçamentárias, podem rapidamente chegar ao preço das ações e do dólar.

Quais promessas fiscais o investidor deve acompanhar?

Durante o horário eleitoral, candidatos tentarão transformar propostas econômicas complexas em mensagens simples.

É exatamente nesse momento que o investidor precisa separar slogan de conta.

Uma promessa de reduzir impostos, por exemplo, precisa responder quanto de arrecadação será perdido e como esse valor será compensado.

Uma proposta de ampliar benefícios precisa indicar qual será a fonte permanente de recursos. Uma promessa de cortar gastos precisa mostrar quais despesas serão atingidas.

Esse último ponto é especialmente importante no Brasil porque grande parte das despesas primárias é obrigatória. Reduzir ministérios e cargos pode gerar economia, mas dificilmente produz sozinho o volume necessário para estabilizar a dívida.

Por isso, quando um candidato promete “cortar gastos”, o mercado tende a procurar respostas mais específicas: haverá mudança na Previdência? Revisão de benefícios? Alteração de pisos constitucionais? Corte de subsídios? Mudança em indexações?

Quanto mais clara a resposta, mais fácil será precificar o cenário.

Por que os juros futuros podem ser o melhor termômetro da eleição?

O dólar costuma chamar mais atenção do público porque sua cotação é facilmente acompanhada. Mas a curva de juros pode oferecer sinais importantes sobre a percepção de risco fiscal.

Os contratos de DI refletem expectativas para a Selic futura e incorporam fatores como inflação, atividade econômica, cenário internacional e risco fiscal.

Quando os juros longos sobem de maneira persistente enquanto os fundamentos externos permanecem relativamente estáveis, o mercado pode estar exigindo um prêmio maior para carregar risco brasileiro.

Essa leitura, porém, precisa ser feita com cuidado. O que merece atenção são movimentos persistentes e mudanças que coincidam com alterações relevantes no cenário político doméstico.

Por que o dólar tende a reagir às eleições?

O câmbio é um dos ativos mais líquidos do mercado brasileiro e frequentemente reage rapidamente à mudança de percepção de risco. Quando investidores estrangeiros reduzem exposição ao Brasil, podem vender ativos locais e comprar dólares.

Quando ocorre o movimento inverso, o real pode ganhar força. Mas o dólar possui inúmeras outras influências.

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Decisões do Federal Reserve, juros americanos, preços de commodities, comércio exterior e fluxo financeiro internacional podem ter impacto maior que a política doméstica em determinadas sessões.

O cenário atual é um bom exemplo: mercados internacionais entram em setembro com atenção redobrada à inflação e às próximas decisões de juros das principais economias.

Por isso, atribuir qualquer movimento cambial à eleição pode gerar análises erradas.

A política passa a ser mais relevante quando provoca movimentos que se diferenciam do restante dos mercados emergentes ou altera de forma clara a percepção de risco brasileiro.

Por que Petrobras deve ser uma das ações mais sensíveis?

A Petrobras combina três características que tornam a companhia especialmente exposta à eleição. A primeira é seu enorme peso no mercado acionário brasileiro. A segunda é a participação da União no controle da empresa.

A terceira é a possibilidade de mudanças de política econômica afetarem diretamente preços, investimentos, dividendos e gestão.

Investidores querem saber se o próximo governo pretende preservar critérios empresariais na política de combustíveis, quais investimentos serão priorizados e como será definida a distribuição de dividendos.

A campanha de Flávio Bolsonaro já sinalizou que não há atualmente um plano de privatização da Petrobras, apesar de defender uma avaliação da eficiência das estatais e admitir revisão de ativos.

Lula, por sua vez, tem defendido a manutenção das grandes empresas públicas sob controle estatal.

Essas diferenças tornam qualquer detalhamento adicional relevante para PETR3 e PETR4.

E por que o Banco do Brasil também entra no radar?

O Banco do Brasil possui dinâmica semelhante. A União é a controladora e, ao mesmo tempo, o banco possui acionistas privados. Isso cria atenção permanente para a relação entre objetivos de política pública e rentabilidade.

Durante uma campanha presidencial, investidores observam principalmente declarações sobre crédito rural, financiamento habitacional, juros, programas públicos e governança.

Um banco estatal pode executar políticas determinadas pelo governo sem necessariamente destruir valor.

O risco aumenta quando essas políticas são implementadas sem remuneração adequada ou quando critérios políticos substituem critérios técnicos na concessão de crédito.

Por isso, declarações específicas sobre Banco do Brasil podem ter efeito relevante sobre BBAS3 durante a campanha.

Quais outras ações podem reagir ao cenário eleitoral?

Empresas reguladas também merecem atenção. Concessionárias de energia, empresas de saneamento, infraestrutura e companhias ligadas a setores em que o governo define tarifas ou regras podem reagir a propostas específicas.

Bancos privados acompanham possíveis mudanças tributárias e políticas de crédito. Empresas de consumo podem responder às expectativas para renda, salário mínimo e benefícios sociais.

Construtoras dependem, entre outros fatores, das perspectivas para juros e programas habitacionais. Já exportadoras como mineradoras, empresas de papel e celulose e companhias de proteína possuem exposição relevante ao dólar.

Por isso, uma eleição não afeta todas as ações da mesma forma. Um cenário que pressiona o câmbio pode prejudicar empresas dependentes de importações e, ao mesmo tempo, aumentar receitas em reais de exportadoras.

O que realmente importa nos próximos 30 dias?

A campanha entra agora na fase em que as mensagens serão repetidas com mais intensidade e alcançarão um público maior. Para investidores, quatro elementos merecem acompanhamento constante: pesquisas, política fiscal, propostas para estatais e viabilidade política das promessas.

O último item é especialmente importante. Um candidato pode apresentar a regra fiscal mais rigorosa da eleição, mas, se ela depender de uma mudança constitucional sem apoio suficiente no Congresso, a probabilidade de implementação será menor.

Da mesma forma, uma promessa de expansão de benefícios pode ter impacto fiscal muito diferente dependendo de sua fonte de financiamento. Mercados não precificam apenas o que candidatos dizem que desejam fazer.

Tentam calcular o que conseguirão efetivamente aprovar. É por isso que alianças partidárias, composição do Congresso e capacidade de negociação também entrarão progressivamente na conta.

O horário eleitoral pode aumentar a volatilidade?

Pode, especialmente se conseguir alterar de forma relevante o cenário das pesquisas.

O horário gratuito oferece aos candidatos tempo para construir narrativas, responder a adversários e atingir eleitores que podem não acompanhar diariamente redes sociais ou entrevistas políticas.

Se essa exposição mudar intenção de voto ou rejeição, o efeito pode posteriormente chegar aos mercados.

Mas a relação não é automática. Uma boa propaganda eleitoral só importa para os ativos se alterar a probabilidade dos cenários que investidores consideram relevantes.

É por isso que as próximas semanas serão menos uma disputa sobre quem apresenta o programa de televisão mais bem produzido e mais uma disputa sobre quem consegue convencer o eleitor.

Para o mercado, o resultado final dessa disputa será traduzido em probabilidades.

Qual é o principal risco para investidores até 4 de outubro?

A eleição de 2026 acontece enquanto o Brasil ainda convive com juros elevados e uma dívida pública acima de 80% do PIB. Isso aumenta o peso das propostas econômicas.

O próximo presidente terá de decidir como equilibrar despesas obrigatórias, políticas sociais, investimentos, impostos e necessidade de estabilizar o endividamento. Não existe uma única solução possível.

O mercado pode trabalhar com governos mais intervencionistas ou mais liberais, com maior ou menor presença estatal e com combinações diferentes de impostos e despesas. O elemento decisivo será saber se as contas são sustentáveis.

Nas próximas cinco semanas, portanto, o investidor não precisa acompanhar apenas quem sobe ou desce nas pesquisas.

Precisa perguntar, diante de cada promessa: quanto custa, de onde vem o dinheiro, depende do Congresso e qual será o efeito sobre dívida e juros?

O horário eleitoral começa nesta sexta-feira. Para o mercado financeiro, começa também a fase em que discursos serão testados contra números. E, em eleições, o maior problema para os preços dos ativos nem sempre é uma política cara. Muitas vezes, é simplesmente não conseguir prever quanto ela vai custar.

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Tags: BMC3dólarEleições 2026horário eleitoralibovespajuros

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