A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua. O resultado é o menor para um trimestre terminado em julho desde o início da série histórica, em 2012.
No trimestre anterior, encerrado em abril, a taxa era de 5,8%. No mesmo período do ano passado, estava em 5,6%.
A população ocupada atingiu 103,3 milhões de pessoas, novo recorde da série histórica. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, sem contar empregados domésticos, chegou a 39,4 milhões, também o maior patamar já registrado.”O dado veio bem de acordo com o que esperávamos, com a nossa narrativa de que a desaceleração do mercado de trabalho tende a ser gradual durante o ano”, afirmou Antonio Ricciardi, economista do Banco Daycoval.
Apesar do dado forte, a leitura de economistas aponta para um mercado de trabalho ainda aquecido, mas com sinais de desaceleração gradual. A queda do desemprego foi acompanhada por aumento da ocupação e redução do contingente de pessoas desocupadas.
O número de desocupados ficou em 5,8 milhões, queda de 503 mil pessoas em relação ao trimestre encerrado em abril. Isso representa recuo de 8% na comparação trimestral.
A PNAD também mostrou avanço do trabalho sem carteira. O número de empregados sem carteira assinada chegou a 13,8 milhões, alta de 3,6% frente ao trimestre anterior, com acréscimo de 477 mil pessoas.
A taxa de informalidade ficou em 37,5%, acima dos 37,2% registrados no trimestre encerrado em abril.
O rendimento médio real habitual do trabalhador foi de R$ 3.762. Na comparação com o trimestre anterior, houve recuo de 0,7%, diferença considerada estável pelo IBGE.
Renda e ocupação mostram perda de ritmo?
A análise do Daycoval aponta que os rendimentos tiveram alguma recuperação após três meses de queda, mas ainda sem indicar retomada forte.
“Após três meses de queda, de certa forma, houve uma reversão muito parcial. Se você pega a média móvel trimestral, ainda há bastante queda, mas esse movimento foi revertido, em certa parte, em linha com o que a gente esperava: de que os rendimentos, daqui para frente, tendem a ficar mais estáveis”, disse Ricciardi.
Na comparação anual, os rendimentos ainda crescem, mas em ritmo menor. Para o economista, esse movimento sugere uma desaceleração gradual da renda real.
A ocupação também mostrou alguma melhora, mas em patamar mais fraco do que o observado em períodos anteriores. “Então, claramente, mostra-se uma desaceleração, porém gradual, ainda indicando que o mercado de trabalho segue aquecido e desaquecendo de maneira moderada”, disse Ricciardi.
Qual é a projeção para o desemprego até o fim do ano?
O economista do Banco Daycoval espera que a tendência de desaceleração continue nos próximos meses.
“À frente, a gente espera que este movimento continue. Com dados mensais, pode haver ruído para cima ou para baixo, mas, na tendência, até o final do ano, deve desacelerar, com os rendimentos praticamente estáveis, sem muitos ganhos reais, e a ocupação mantendo-se em patamar fraco, sem ganhar magnitude e com pouca melhora nos meses à frente”, afirmou.
Com isso, o banco mantém a projeção de taxa de desemprego em 5,6% no fim do ano.
“Portanto, continuamos com nossa projeção de 5,6% para a taxa de desemprego no final do ano e com a confirmação de que o mercado de trabalho deve desacelerar de maneira gradual”, concluiu Ricciardi.
Desemprego baixo ainda sustenta consumo?
O nível baixo do desemprego segue como um dos principais pontos de sustentação da renda e do consumo das famílias. A população ocupada em patamar recorde e o avanço do emprego formal indicam um mercado ainda resiliente.
Ao mesmo tempo, a leitura dos dados mostra sinais de moderação. A ocupação cresce menos do que em períodos anteriores, os rendimentos reais tendem à estabilidade e a informalidade voltou a subir na comparação trimestral.
















