A escalada tarifária promovida por Donald Trump e o tom confrontador de sua política comercial reacenderam o debate sobre os limites da hegemonia dos EUA. Bruno Corano, economista, convidado da BM&C News abordou a questão a partir de uma perspectiva técnica, avaliando se os fundamentos do poder americano estão de fato sob ameaça ou se resistem mesmo diante da nova postura protecionista.
Na análise apresentada, três pilares sustentam a posição dos Estados Unidos como potência dominante: o poder militar, o controle do dólar como principal moeda global e a supremacia tecnológica. Mesmo com a adoção de políticas comerciais que geram atritos com parceiros estratégicos, esses elementos continuam a garantir vantagens estruturais que nenhuma outra economia consegue replicar no curto prazo.
A teoria das grandes potências não prevê colapso, mas ajustes
Segundo Corano, a ascensão e queda de hegemonias históricas seguem padrões que envolvem erosão lenta, não rupturas abruptas. O poder bélico americano, amplamente superior ao de qualquer concorrente, atua como garantia última da influência geopolítica. Essa capacidade de projeção de força sustenta alianças, abre mercados e define regras do jogo em escala global.
A inovação tecnológica, concentrada em empresas americanas de ponta, reforça essa liderança. O domínio em setores estratégicos como inteligência artificial, semicondutores e plataformas digitais não apenas alimenta a economia doméstica, mas também cria dependência externa difícil de ser revertida.
Tarifas são instrumento de pressão, não sinal de fraqueza
O uso de tarifas como ferramenta de negociação tem gerado reações diversas entre parceiros comerciais. Europa, México, Canadá e Argentina ajustam estratégias diante da imprevisibilidade da política externa americana. Para o economista, essa postura reflete menos uma perda de poder e mais uma mudança na forma de exercê-lo.
O dólar segue como eixo do sistema financeiro internacional. Mesmo com tentativas de criação de alternativas, nenhuma moeda rival alcançou massa crítica suficiente para desafiar o papel da moeda americana como reserva de valor e meio de troca global. Essa posição confere aos Estados Unidos uma vantagem estratégica que transcende ciclos políticos.
Empresas brasileiras recalculam rotas em ambiente de incerteza
No Brasil, o impacto das tensões comerciais se traduz em cautela empresarial. Segundo o convidado, companhias brasileiras têm adotado postura mais defensiva diante da instabilidade nas relações bilaterais. Ao mesmo tempo, cresce o movimento de instalação de operações brasileiras em solo americano, sinal de que o mercado dos EUA segue como destino prioritário apesar dos riscos regulatórios.
A postura do presidente Lula nas conversas com Washington foi destacada como uma tentativa de manter canais de diálogo abertos. A crítica à forma como as tarifas são aplicadas reflete preocupação com os efeitos sobre parceiros comerciais tradicionais, mas não altera a percepção de que a relação com os Estados Unidos permanece estratégica.
A hegemonia não se mede apenas pelo comércio
A leitura de longo prazo apresentada pelo economista sugere que a hegemonia dos EUA não está em risco iminente, mas passa por reconfiguração. O poder militar, o controle da moeda global e a capacidade de inovação formam um tripé que sustenta a posição americana mesmo sob pressão política interna e externa.
Para quem acompanha geoeconomia e os desdobramentos das tarifas na tomada de decisão empresarial, a análise oferece uma perspectiva que vai além da manchete imediata. O mercado não reage ao discurso, reage ao risco. E o risco, neste caso, não é o fim da hegemonia americana, mas a imprevisibilidade de como ela será exercida daqui em diante.
Assista à entrevista completa da BM&C News no link abaixo:
















