A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (17), com passivo de R$ 17,3 bilhões. O processo inclui outras nove empresas do grupo ligadas a logística, tecnologia, comércio eletrônico e fabricação de móveis.
Recuperação judicial envolve R$ 16,4 bilhões sem garantias
Do total das dívidas incluídas no processo, aproximadamente R$ 16,4 bilhões correspondem a créditos de credores sem garantias.
Outros R$ 754 milhões estão relacionados a créditos trabalhistas.
Na petição, a varejista também solicitou uma liminar para impedir o vencimento antecipado de dívidas e evitar que transportadoras retenham mercadorias destinadas à venda.
A recuperação judicial permite que a companhia renegocie suas obrigações sob supervisão da Justiça enquanto tenta manter as operações em funcionamento.
Prejuízo da Casas Bahia chegou a R$ 10,1 bilhões
O pedido ocorre após a divulgação de um balanço que mostrou deterioração da situação financeira da companhia.
A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado 18 vezes maior que a perda registrada no mesmo período do ano anterior.
Cerca de R$ 9,1 bilhões do prejuízo foram associados a eventos não recorrentes, incluindo baixas de ativos, reestruturação e efeitos tributários.
No primeiro semestre, a perda acumulada alcançou R$ 11,18 bilhões. O patrimônio líquido ficou negativo em R$ 8,27 bilhões.
A auditoria também apontou incerteza relevante relacionada à capacidade de continuidade operacional da empresa.
Falta de crédito pressiona estoques e capital de giro
A Casas Bahia atribui parte da crise à falta de crédito e à pressão sobre o capital de giro.
Segundo a companhia, houve dificuldades para acessar os mercados de dívida e ações, além de redução das linhas de crédito oferecidas por fornecedores e seguradoras.
Uma tentativa de captação internacional não foi concluída, enquanto alternativas de empréstimos também não avançaram.
Com menos recursos disponíveis, os estoques consolidados caíram de R$ 5,4 bilhões em março para R$ 4,2 bilhões em junho. A empresa afirma que a menor disponibilidade de mercadorias afetou as vendas.
A recuperação judicial representa mais uma etapa da reestruturação. A companhia acumula balanços trimestrais no vermelho desde 2024 e registrou prejuízo em 20 dos 30 trimestres posteriores à saída do controle do GPA, em 2019.
Há dois anos, a empresa havia recorrido a uma recuperação extrajudicial, quando possuía cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas. Até junho deste ano, 298 lojas foram fechadas, enquanto estoques, compras, contratos, despesas e investimentos passaram por revisão para reduzir a necessidade de capital e melhorar a geração de caixa.
















