Ações estão ‘muito baratas’ para 45% dos gestores de FIAs, aponta pesquisa Warren

Pesquisa entrevistou gestores de fundos multimercado e focados em ações; cerca de 40% deles consideram o Federal Reserve como principal catalisador negativo para o Brasil

A bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, apresentou fortes quedas no acumulado dos últimos dois meses. Em setembro, o índice teve baixa de 6,57%, enquanto em outubro caiu 6,7%. Uma pesquisa elaborada pela casa de análise Warren mostrou que 45% dos gestores de Fundos de Investimentos em Ações (FIA) consideram os atuais preços dos ativos nacionais muito baratos, não só do índice, mas de todo o mercado acionário brasileiro. Em outubro, apenas 9% consideravam as ações da bolsa em preços muito atrativos.

“Quando a gente olha para os gestores de ações, em especial, que olham mais a longo prazo, eles enxergam diversas oportunidades no mercado acionário. E de outubro para novembro, esse mercado ficou mais barato”, disse Eduardo Otero, da equipe de alocação da Warren e um dos elaboradores da pesquisa.

Otero explicou que a ideia do estudo veio de pesquisas semelhantes no exterior, com objetivo de buscar informações relevantes com gestores da indústria.

Carlos Macedo, também responsável pela elaboração do estudo e da mesma equipe de Otero, comentou sobre os gestores de Fundos de Investimentos de Ações.

“Quando a gente pergunta para os gestores de FIA, de ação, todos avaliam [os ativos] como, pelo menos, minimamente barato”, disse Macedo. “Você pega o viés de exposição para Ibovespa ainda tem um percentual bem grande, sobretudo de ações em manter a posição atual ou aumentar. Então, para os gestores de ação, ainda há uma análise construtiva, olhando para relação a preços dos ativos atuais.”

Catalisadores negativos

A pesquisa conversou com gestores de FIAs e multimercado entre os dias 11 e 16 de novembro, com patrimônio sob gestão entre R$ 250 milhões e acima de R$ 10 bilhões. Para cerca de 40% deles, o principal responsável pelo momento negativo do mercado no Brasil é do Federal Reserve (Fed), ante 18% do estudo realizado em outubro.

O aumento pode ser explicado com a decisão do Fed na última reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) em iniciar a redução da compra de títulos, o tapering. Além disso, o banco central dos Estados Unidos decidiu manter a taxa de juros entre zero e 0,25%, apesar das fortes indicações de aumento na inflação em todo o mundo.

Outro catalisador negativo para o cenário doméstico é a situação fiscal do Brasil, em que pouco mais de 30% dos entrevistados apontaram como o principal motivo, contra 18% do mês passado. Os gestores mostram preocupação com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios e o possível desrespeito com o teto de gastos.

No dia 9, a Câmara dos Deputados aprovou, em segundo turno, a PEC dos Precatórios, por 323 votos a 172. O texto abre espaço de R$ 91,6 bilhões no Orçamento de 2022 para o pagamento do Auxílio Brasil e outras despesas. Agora, o projeto corre no Senado, que pode passar por alterações e ser devolvido para a Câmara, que atrasaria seu desfecho.

Taxa Selic e inflação

A pesquisa perguntou para os gestores de multimercado em que patamar a taxa básica de juros, a Selic, terminaria o seu ciclo, e 66% deles responderam entre 11,5% e 12,5%. Para 8,3%, os juros chegariam entre 12,5% e 13%.

A expectativa de dois dígitos na Selic se tornou mais plausível quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, passou dos 10% no acumulado de 12 meses. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma alta de 1,25% em outubro, maior resultado em 19 anos.

A taxa acumulada pelo IPCA em 12 meses acelerou de 10,25% em setembro para 10,67% em outubro de 2021, ante uma meta central de 3,75% perseguida pelo Banco Central (BC) este ano.

Para conter o avanço da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC aumentou em 1,5 ponto percentual a Selic em outubro, passando de 6,25% para 7,75% ao ano. A ata reafirmou que o Banco Central já antecipa um novo aumento semelhante para a próxima reunião, que ocorrerá entre os dias 7 de 8 de dezembro. Apesar disso, diretores do BC admitiram não descartar a possibilidade de uma revisão de alta acima de 1,5 ponto para a taxa de juros.

Eduardo Otero destacou as ideias e visões que a pesquisa pretende trazer. “Ela vem, de certa forma, para nos dar um pouco mais de sensibilidade sobre a visão macro dos gestores. Eu não estou preocupado se a ação A, B ou C está barata. Eu quero ver se esses movimentos recentes que o mercado oferece inspiraram algum tipo de movimentação por parte de gestores ou promoveram algum tipo de mudança de quebra de tese”, completou.

Disclaimer: De acordo com os responsáveis pela pesquisa, o estudo não tem o objetivo de indicar ou recomendar ações. O conteúdo é meramente informativo.  

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