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Ibovespa fecha em queda com IPCA e decepção com a China

A China decepcionou ao anunciar um pacote de estímulos que ficou aquém das expectativas do mercado, impactando as empresas de commodities brasileiras

Segundo análise de Christian Iarussi, especialista em mercado de capitais e sócio da The Hill Capital, hoje o Ibovespa recuou fortemente, refletindo tanto questões externas quanto internas. Externamente, a China decepcionou ao anunciar um pacote de estímulos que ficou aquém das expectativas do mercado, impactando as empresas de commodities brasileiras, especialmente a Vale, cujo desempenho depende bastante do apetite chinês por minério de ferro.

Além disso, o fraco estímulo chinês gerou uma queda nas commodities metálicas, que pressionam o Ibovespa para baixo. Internamente, na minha visão, a inflação medida pelo IPCA acima das expectativas trouxe um cenário de incerteza em relação à política de juros. Fica claro que esse resultado alimenta a possibilidade de que o Banco Central mantenha a Selic elevada por um período prolongado, o que pressiona os juros futuros e gera aversão ao risco entre investidores, tornando o ambiente doméstico ainda mais desafiador.

Além disso, a falta de clareza sobre o pacote de corte de gastos do governo brasileiro aumenta o desconforto fiscal, provocando mais incertezas sobre a saúde financeira do país e afastando investidores estrangeiros. Sobre o IPCA, o fato é que, ao sinalizar uma inflação persistente e acima do teto da meta, se exige uma resposta firme do Banco Central. Porém, o risco é que um aumento adicional da Selic pode desacelerar a economia, sem resolver o problema fiscal de longo prazo que exige uma resposta governamental mais urgente e concreta.

Entre as altas, temos Embraer, que apresentou lucro sete vezes maior que o ano anterior, o que gerou forte valorização de 7,75% e fez a ação liderar os ganhos do Ibovespa. A empresa acumula alta de 140% em 2024, com o valor de mercado chegando a R$ 39,9 bilhões. Magazine Luiza também sobe após reportar lucro de R$ 102,4 milhões no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 498,3 milhões do mesmo período de 2023. A estratégia de focar na lucratividade agradou o mercado, elevando suas ações em 1,28%.

Outra alta é de Natura, que teve prejuízo de R$ 6,693 bilhões no terceiro trimestre, em grande parte devido ao efeito não-caixa da recuperação judicial da Avon. Apesar disso, o resultado superou as projeções de mercado, fazendo com que as ações subissem 0,42%. Entre as quedas, temos Lojas Renner, que apresentou lucro líquido de R$ 255,3 milhões no terceiro trimestre, 47,7% superior ao ano passado e acima do esperado. Contudo, a falta de perspectivas otimistas na teleconferência e a exclusão do índice MSCI desanimaram o mercado, resultando em queda de 5,42%.

Vale cai também com perda de R$ 17 bilhões em valor de mercado, devido à decepção do mercado com o pacote de estímulo econômico da China, que afetou as commodities e gerou desvalorização de ações do setor. Outras quedas são de Usiminas e CSN, que também sofreram quedas significativas. Assim como a Vale, essas empresas foram impactadas negativamente pela falta de estímulo suficiente da China para o mercado de commodities.

Juros futuros e dólar

O aumento dos juros futuros hoje, na minha opinião, reflete uma situação preocupante para o investidor, que está claramente sem confiança na capacidade do governo de lidar com a inflação e a questão fiscal. O IPCA de outubro acima do esperado reforça a visão de que o problema inflacionário é persistente e a inflação acumulada já ultrapassa o teto da meta, mostrando que o Banco Central terá dificuldades para estabilizar os preços sem juros mais altos.

A demora para apresentar um plano de corte de gastos não só frustra o mercado, mas também expõe uma falta de compromisso em enfrentar a realidade fiscal do país. Esse pacote, que já gera pouca expectativa, parece cada vez mais incerto, o que contribui para a alta das taxas longas, sinalizando um cenário de instabilidade duradoura. No fundo, essa indefinição somada à desvalorização cambial cria um clima de desconfiança, forçando o mercado a precificar um risco maior na economia brasileira.

O movimento do dólar hoje é impulsionado principalmente por três fatores: a decepção com o novo estímulo fiscal da China, as incertezas em torno do pacote de corte de gastos do governo brasileiro e o avanço da inflação no Brasil. O anúncio do estímulo chinês não foi suficiente para aumentar a demanda interna por commodities, o que impactou negativamente moedas de países emergentes, como o real. Além disso, a falta de clareza sobre o conteúdo e a abrangência do pacote fiscal brasileiro gera insegurança entre os investidores, o que eleva o risco percebido e aumenta a busca por proteção no dólar.

A inflação em alta pressiona o Banco Central a subir a Selic, mas isso não necessariamente ajuda a fortalecer o real, pois as incertezas econômicas internas dificultam que o diferencial de juros se torne atrativo para o capital estrangeiro. Combinados, esses fatores, sem dúvida, aumentam a aversão ao risco, e como é sexta-feira, há ainda uma busca adicional por segurança antes do fim de semana, o que amplia a alta do dólar em relação ao real.

Confira aqui os dados de fechamento do Ibovespa e demais índices

  • Ibovespa: 127.829,80 (-1,43%)
  • S&P 500: 5.995,54 (+0,38%)
  • Nasdaq: 19.286,78 (+0,09%)
  • Dow Jones: 43.988,99 (+0,59%)
  • Dólar: R$ 5,73 (+1,07%)
  • Euro: R$ 6,14 (+0,45%)
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